“Algumas mulheres aceitam dividir a cama de um homem… mas nunca suportam dividir a atenção dele.”
O Le Bernardin estava silencioso como apenas restaurantes absurdamente caros conseguiam ser, Suas luzes baixas refletiam no cristal das taças, enquanto os garçons circulavam discretamente entre as mesas e conversas sofisticadas ultrapassaram o tom necessário.
Edward mal percebeu qualquer coisa daquilo. Porque a cabeça continuava em outro lugar. Ou, mais especificamente, em outro apartamento.
Na imagem de Dayse saindo do carro sem olhar para trás.
Ele afrouxou levemente a gravata enquanto permanecia sentado próximo das janelas do restaurante, com Manhattan iluminada atrás dele, o terno escuro moldando os ombros largos com perfeição impecável, a camisa branca aberta nos primeiros botões e o relógio caro refletindo discretamente quando levou o copo de uísque até a boca.
A bebida desceu queimando.
Ainda assim, não foi suficiente para diminuir a irritação que continuava presa no peito desde Hamptons.
Edward apoiou o copo na mesa lentamente enquanto o maxilar permanecia rígido de forma quase constante, porque, por mais que tentasse voltar ao estado racional de sempre, tudo ainda parecia atravessado pela lembrança dela.
O jeito como desviou o rosto quando ele tentou beijá-la, como evitou carinho, como transformou algo que estava começando a significar mais em apenas sexo.
A simples lembrança fez os dedos dele apertarem o cristal do copo com mais força.
Foi nesse momento que Liliana apareceu.
Ela atravessou o restaurante chamando atenção naturalmente, não apenas porque era bonita, mas porque sabia exatamente como usar isso a favor dela.
Os cabelos loiros caiam perfeitamente alinhados sobre os ombros nus, os olhos azuis estavam destacados pela maquiagem elegante e o vestido preto justo marcava o corpo com sofisticação calculada demais para parecer acidental, enquanto o salto fino ecoava suavemente pelo piso do salão.
Liliana sabia que era atraente. E sabia, principalmente, o efeito que costumava causar em Edward Fitzgerald. Ou costumava causar antes de Dayse Whitmore aparecer.
Ela diminuiu o passo discretamente ao se aproximar da mesa, observando Edward por alguns segundos antes dele erguer os olhos, porque existia algo perigosamente hipnotizante naquele homem quando estava sério.
A postura naturalmente dominante, a expressão fria. O jeito como parecia ocupar qualquer ambiente sem fazer esforço algum.
E, naquele momento, sentado sozinho, bebendo uísque enquanto mantinha a mandíbula travada e o olhar distante, ele parecia ainda mais bonito.
Mais inacessível. Mais difícil de esquecer.
Liliana sentiu o peito apertar levemente ao perceber uma verdade irritante demais para admitir até para si mesma.
Ela ainda era apaixonada por ele. E talvez nunca conseguisse deixar de ser.
— Você parece de ótimo humor — comentou ao se aproximar da mesa, forçando um sorriso leve enquanto se inclinava o suficiente para beijar o rosto dele.
Edward sequer mudou a expressão.
— Senta, Liliana.
Frio.
Seco.
Profissional.
Ela sentiu imediatamente a diferença.
Antes do noivado falso, encontros como aquele normalmente terminavam na cama dele, ou na dela. Agora ele mal parecia disposto a sustentá-la no olhar.
Liliana se acomodou devagar na cadeira à frente enquanto Edward já estendia a mão na direção da pasta de documentos que ela carregava.
— Trouxe o contrato?
Nem “como você está”. Nem um sorriso. Nem interesse.
Apenas trabalho.
Ela entregou a pasta lentamente, observando os movimentos dele com atenção enquanto Edward abria os documentos imediatamente, apoiando os antebraços sobre a mesa e começando a analisar cada página com concentração irritantemente impecável.
E Deus…
Liliana odiava o fato de continuar fascinada por ele mesmo assim.
O jeito como os olhos verdes percorriam cada linha rapidamente. O movimento dos dedos virando as páginas. A expressão séria. A postura firme. A calma arrogante de alguém acostumado a controlar tudo ao redor.
O movimento foi pequeno, quase imperceptível, mas Liliana percebeu. Percebeu também o jeito como a mandíbula dele travou imediatamente depois da pergunta, enquanto os dedos giravam lentamente o copo de uísque sobre a mesa.
Ele parecia … furioso. Por algum motivo, aquela simples pergunta o irritou.
Quando voltou a encará-la, a expressão já tinha retornado ao estado frio e indiferente de sempre.
— Como iria?
O tom saiu carregado de desdém controlado.
— Falso. Como deveria ser.
Liliana sustentou o olhar dele por alguns segundos. Mas algo naquela resposta não convenceu nem ela mesma.
Porque homens indiferentes não ficavam irritados daquele jeito apenas ao ouvir o nome de um noivado de mentira.
Liliana sustentou o olhar dele por alguns segundos depois da resposta fria, mas, quanto mais observava Edward sentado diante dela, mais tinha certeza de que havia alguma coisa errada.
Porque ela conhecia aquele homem.
Conhecia o jeito como ele agia quando realmente estava indiferente. Conhecia o olhar relaxado.
O sarcasmo natural. A calma arrogante que costumava aparecer quando nenhuma mulher conseguia afetá-lo emocionalmente.
Mas aquilo?
Aquilo não era indiferença. Era irritação, contenção, quase raiva.
Ela mordeu o lábio inferior lentamente enquanto observava Edward levar o copo de uísque até a boca outra vez, enquanto os dedos longos seguravam o cristal com firmeza e a mandíbula permanecia tensionada mesmo durante um simples gole.
Ele ainda estava pensando nela.
Na noiva falsa.
E Liliana sentiu algo fechar desagradavelmente dentro do peito ao perceber isso.

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