“O problema das relações sem sentimento é que quase sempre alguém começa a sentir sozinho.”
Então, antes que pudesse reconsiderar, se inclinou devagar sobre a mesa, aproximando o corpo do dele de forma íntima o suficiente para o perfume atingir Edward imediatamente.
— Você parece estressado — murmurou num tom baixo e insinuante, deixando os dedos deslizarem lentamente pelo antebraço dele. — E eu conheço formas muito melhores de aliviar isso do que uísque.
Edward não respondeu, nem afastou a mão dela.
O silêncio pareceu encorajar Liliana e ela se aproximou ainda mais, deslizando os dedos pelo braço dele, depois pela gravata afrouxada, até chegarem lentamente ao meio das pernas dele por baixo da mesa, numa intimidade automática demais para alguém que já tinha ocupado aquele espaço muitas vezes antes.
Edward fechou os olhos por um instante, mas não por desejo.
A imagem que atravessou sua cabeça não foi Liliana.
Foi Dayse.
Dayse mordendo o lábio enquanto desviava o olhar naquela manhã, ela tentando fingir que aquilo entre eles era apenas sexo, ela tremendo nos braços dele poucas horas antes.
A lembrança veio forte e violenta demais. E junto dela veio uma irritação imediata.
Edward segurou o pulso de Liliana abruptamente, firme o suficiente para interrompê-la no mesmo segundo, antes de afastar a mão dela de forma seca.
Os olhos escuros abriram lentamente.
Frios.
Perigosos.
— Eu não dei permissão pra me tocar, Liliana.
Ela piscou, surpresa.
Edward soltou o pulso dela devagar, mas a tensão no maxilar denunciava claramente que a paciência estava perigosamente perto do limite.
— Eu já disse, porra… — a voz saiu mais baixa, mais dura — que estou noivo.
Liliana recuou na cadeira imediatamente, mas agora os olhos azuis já não demonstravam provocação. Demonstravam irritação, ciúmes e raiva!
— Ah, claro. O noivado falso.
Edward sustentou o olhar dela em silêncio e aquilo bastou.
Porque Liliana percebeu no exato instante em que o rosto dele endureceu ainda mais.
— Você está diferente desde que essa garota apareceu.
Edward soltou uma risada seca, completamente sem humor.
— Não começa.
— Então me explica! — rebateu imediatamente, com a voz saindo mais alta do que pretendia. — Porque antes você não se importava quando eu tocava em você.
— Antes eu não estava noivo.
— Você mesmo acabou de dizer que é falso!
O silêncio caiu pesado entre os dois.
Edward desviou o olhar para o copo sobre a mesa enquanto passava a mão lentamente pela nuca, claramente tentando controlar a própria irritação antes de responder.
— Continua sendo um acordo.
Liliana estreitou os olhos imediatamente.
— Mentira.
Aquilo fez Edward voltar a encará-la devagar.
— Cuidado, Liliana.
Mas ela já estava irritada demais para recuar.
— Você nunca foi esse homem de “respeitar noivado”. Nunca. Então para de fingir que isso é sobre ética porque nós dois sabemos que não é.
Edward permaneceu imóvel e silencioso. Só que agora o olhar dele tinha ficado perigosamente frio.
Liliana percebeu mesmo assim.
Percebeu porque, pela primeira vez em anos, Edward Fitzgerald tinha recusado outra mulher pensando em alguém.
E aquilo a destruiu por dentro.
Ela cruzou os braços lentamente antes de perguntar com amargura evidente:
— Não me diga que acabou se apaixonando por ela?
Edward não respondeu imediatamente.
Permaneceu olhando para Liliana em silêncio enquanto girava lentamente o copo de uísque entre os dedos, com a expressão fechada demais para permitir qualquer leitura fácil, mas o leve tensionar do maxilar denunciava claramente que aquela conversa já tinha ultrapassado o limite da paciência dele.
Apaixonado.
O maxilar de Edward travou no mesmo instante e Liliana percebeu.
E, pela primeira vez naquela noite, ela sorriu de verdade, porque finalmente tinha encontrado alguma rachadura naquele controle irritante que Edward Fitzgerald sustentava o tempo inteiro.
— Ah… então é isso — murmurou lentamente, inclinando a cabeça enquanto sustentava o olhar dele. — Ela não é só sexo pra você.
O silêncio caiu pesado entre os dois.
Edward permaneceu imóvel por alguns segundos, observando Liliana com uma calma perigosamente fria, enquanto os dedos giravam lentamente o copo de uísque sobre a mesa.
Então soltou uma risada baixa. Sem humor algum.
— Você realmente perdeu completamente a noção do seu lugar nessa conversa.
A frase veio tão fria que fez o sorriso dela desaparecer imediatamente.
Edward recostou o corpo na cadeira devagar, mantendo os olhos presos nela enquanto a expressão endurecia ainda mais.
— Minha vida pessoal não diz respeito a você.
Liliana abriu a boca imediatamente.
— Uau… então agora você resolveu agir como se eu fosse só mais uma mulher qualquer?
Edward ergueu uma sobrancelha lentamente.
— Você prefere que eu minta?
— E essa garota? — Os olhos azuis sustentaram os dele com desafio. — Ela também é só sexo?
Edward inclinou levemente o corpo para frente. Os olhos verdes estavam frios, controlados e perigosos.
— Coloque uma coisa na sua cabeça de uma vez por todas, Liliana. Você é apenas a advogada da minha empresa. Nada além disso.
Liliana sentiu o rosto endurecer na mesma hora. Mas Edward continuou sem hesitar.
— Eu nunca prometi relacionamento. Nunca prometi exclusividade. Nunca prometi sentimento.
Cada palavra parecia calculada para colocá-la exatamente no lugar que ele queria.
— Então não aja agora como uma mulher traída porque isso seria ridículo até para você.
Liliana sentiu o peito subir violentamente com a respiração.
— Ridículo? — repetiu em choque. — Você me tratou como se eu…
— Como uma adulta que sabia exatamente onde estava se metendo. — Edward cortou outra vez, impiedoso. — Ou vai fingir que não aproveitou exatamente a mesma situação?
O silêncio esmagou a mesa.
Liliana desviou o olhar por um segundo breve demais para esconder o impacto e Edward percebeu e não suavizou.
Porque estava irritado demais para isso.
Irritado porque aquela conversa estava ultrapassando limites que ele nunca permitia, porque Dayse continuava voltando para a cabeça dele o tempo inteiro. E principalmente irritado porque Liliana parecia acreditar que tinha direito de cobrar alguma coisa.
Ela não tinha, nunca teve.
Edward apoiou os cotovelos na mesa lentamente antes de concluir, baixo e cruel o suficiente para fazê-la sentir cada palavra:
— Se quiser continuar trabalhando para mim, é melhor se colocar no seu lugar.
Liliana ficou completamente imóvel. O rosto tinha perdido a cor aos poucos, mas os olhos azuis continuavam presos nele, carregados de raiva, humilhação e uma mágoa que Edward simplesmente não tinha interesse em administrar.
Porque aquele era exatamente o problema das pessoas quando começavam a misturar sexo com expectativa.
Elas sempre acabavam querendo algo que ele nunca prometeu.
Edward pegou a carteira lentamente sobre a mesa, abriu sem pressa e retirou algumas notas altas o suficiente para pagar toda a conta sem sequer precisar olhar o valor.
Então se levantou.
O paletó escuro se ajustou automaticamente ao corpo quando ele abotoou um dos botões com calma irritantemente elegante, antes de finalmente voltar os olhos para Liliana outra vez.
— Espero que tenha entendido o recado.
A voz saiu baixa, fria e definitiva.
Liliana sustentou o olhar dele por um segundo longo demais, mas, dessa vez, não encontrou absolutamente nada ali.
Nenhum desejo.
Nenhuma provocação.
Nenhuma abertura.
E talvez essa tenha sido a parte que mais doeu. Porque, pela primeira vez em anos, Edward Fitzgerald saiu sem olhar para trás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe