“Algumas mulheres choram quando são rejeitadas… outras transformam a rejeição em motivo para destruir alguém.”
Liliana Hart
O pior tipo de rejeição não acontece quando um homem deixa de desejar você, acontece quando ele começa a desejar outra mulher de um jeito que nunca desejou antes.
Eu saí daquele restaurante mantendo a cabeça erguida e a postura impecável que aprendi a sustentar em qualquer situação, mas a verdade era que, por dentro, me sentia furiosa, porque nunca, em todos os anos que conheci Edward, eu tinha sentido aquele tipo de rejeição vindo dele.
Não era apenas falta de interesse.
Se fosse só isso, meu orgulho teria suportado melhor.
O problema era que ele parecia irritado comigo. Irritado pelo simples fato de eu estar ali tentando tocar nele como fiz tantas vezes antes, como se minha presença tivesse deixado de provocar qualquer reação além de impaciência e desconforto.
O motorista abriu a porta do carro, mas eu praticamente ignorei o homem enquanto entrava rapidamente no banco traseiro, precisando desesperadamente ficar sozinha antes que alguém percebesse que eu estava prestes a perder completamente o controle.
A porta mal fechou e senti a respiração falhar de uma vez. Meu peito subia e descia rápido demais enquanto eu tentava recuperar o controle antes que o motorista percebesse como eu estava. Levei a mão até a boca tentando impedir o choro, mas foi inútil, porque a imagem dele continuava presa na minha cabeça de forma cruel demais para ser ignorada.
O olhar frio, a expressão distante, a falta de reação quando toquei nele.
Meu Deus.
Edward Fitzgerald nunca tinha me tratado daquela forma.
Nunca.
E talvez fosse exatamente isso que estivesse destruindo meu orgulho naquele momento, porque não foi apenas o fato dele não corresponder às minhas provocações, mas perceber que, enquanto eu praticamente me oferecia para ele naquela mesa, Edward parecia emocionalmente ocupado pensando em outra mulher para sequer fingir interesse por mim.
As lágrimas começaram a cair antes mesmo que eu conseguisse controlar, e aquilo me deixou ainda mais furiosa, porque eu odiava me sentir vulnerável, odiava me sentir substituída e odiava ainda mais perceber que estava sofrendo por um homem que sempre deixou claro que não pertencia a ninguém.
Fechei os olhos com força enquanto tentava organizar os pensamentos, mas quanto mais eu lembrava da cena, pior ficava.
Ele nunca recusou sexo.
Nunca ficou desconfortável com toque. Nunca perdeu o controle emocional por causa de mulher nenhuma.
Mas tudo agora fazia sentido.
Edward já estava emocionalmente preso em Dayse Whitmore antes mesmo deles cruzarem qualquer limite. E aquilo me deixou furiosa de um jeito que eu nunca senti antes.
Porque eu passei anos amando aquele homem, esperando migalhas de atenção, aceitando os pedaços que ele decidia me dar, enquanto outra mulher conseguiu entrar na cabeça dele sem nem tentar fazer isso conscientemente.
Fechei a mão com tanta força que senti as unhas machucando a própria pele, mas nem a dor conseguiu diminuir a sensação humilhante de estar sendo substituída.
Meu estômago revirou violentamente ao perceber outra coisa ainda pior.

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