“Algumas distâncias não afastam… apenas deixam mais claro quem já importa demais.”
Dayse Whitmore
Eu achei que a distância seria suficiente para colocar as coisas no lugar… até perceber que a ausência dele só piorava tudo.
A Fitzgerald Corporation continuava exatamente igual naquela manhã.
Funcionários atravessavam o lobby em ritmo acelerado, assistentes carregavam cafés e pastas pelos corredores, telefones tocavam ao fundo e reuniões aconteciam como se o mundo corporativo jamais diminuísse a velocidade por causa de problemas emocionais.
Ainda assim, no instante em que atravessei as portas de vidro da empresa, percebi imediatamente que alguma coisa parecia fora do lugar.
E odiei perceber que sabia exatamente o motivo.
Meu olhar subiu automaticamente para o andar executivo antes mesmo que eu conseguisse controlar o impulso.
A irritação veio na mesma hora, porque aquilo não fazia sentido.
Não depois de tudo que tinha acontecido em Hamptons.
Não depois da maneira fria e calculada como Edward escolheu agir comigo.
E definitivamente não depois das palavras que ainda continuavam ecoando na minha cabeça desde a noite anterior.
Ele tinha me avisado sobre a viagem. Eu sabia que ele tinha ido para Singapura.
O problema não era esse. O problema era perceber que, mesmo sabendo exatamente onde ele estava, o ambiente ainda parecia estranho sem a presença dele.
Ridículo. Completamente ridículo.
Apertei a alça da bolsa com mais força enquanto caminhava até os elevadores, tentando ignorar o aperto irritante que crescia lentamente dentro do peito, porque eu me recusava a aceitar que um homem arrogante, controlador e emocionalmente confuso conseguia afetar meu humor daquela forma apenas ficando algumas horas longe.
As portas do elevador abriram, e eu entrei junto com outros funcionários do jurídico, mantendo a postura tranquila enquanto observava os números subirem lentamente no painel iluminado, mas a verdade era que minha mente continuava voltando para o mesmo lugar de forma irritantemente insistente.
Edward provavelmente já tinha pousado.
Provavelmente já estava ocupado demais com reuniões, investidores e compromissos importantes para pensar em qualquer coisa relacionada a mim.
E o pior? Eu odiava perceber que aquilo me incomodava.
Quando as portas finalmente se abriram no nosso andar, Clara apareceu praticamente correndo na minha direção, segurando um copo de café e parecendo elétrica demais para alguém que claramente ainda nem tinha começado a trabalhar.
— Finalmente você chegou — reclamou imediatamente, estreitando os olhos para mim. — Eu estou esperando você faz quase vinte minutos porque preciso compartilhar uma informação extremamente importante.
Arqueei uma sobrancelha enquanto caminhávamos pelo corredor.
— Isso vindo de você normalmente significa fofoca.
— Porque é fofoca — respondeu sem o menor constrangimento. — E das boas.
Soltei uma risada curta pelo nariz pela primeira vez naquela manhã, e Clara percebeu imediatamente, porque abriu um sorriso satisfeito como alguém que acabava de confirmar uma teoria.
— Ah, graças a Deus — murmurou dramaticamente. — Já estava começando a achar que você tinha perdido completamente a capacidade de sorrir depois de ontem.
Lancei um olhar estreito para ela.
— Clara…
— O quê? Eu tenho olhos. E sinceramente eu disse para você que não importa se ele é o meu patrão, se ele te machucou, eu vou lá e dou um chute nas bolas dele.
Antes que eu pudesse responder, Marina apareceu no corredor segurando um tablet contra o peito e praticamente congelou ao perceber nós duas olhando diretamente para ela.
Clara virou lentamente na direção dela. E então sorriu daquele jeito perigosamente animado que sempre antecedia algum desastre.
— Então quer dizer que a senhorita passou o final de semana MUITO ocupada?
Marina arregalou os olhos imediatamente.
— Clara, não…
— NÃO, ESPERA — interrompeu ela, já começando a rir. — Dayse minha amiga, você precisa me contar detalhes sobre ter chegado em casa ontem e ter encontrado a Marina montada no seu irmão.
Eu levei a mão à boca imediatamente enquanto Marina ficava vermelha de uma forma tão intensa que parecia fisicamente impossível.
— Meu Deus, eu deveria ter ficado calada. — murmurou Marina completamente desesperada.
Clara já estava quase sem ar de tanto rir.
— Imagino a cara do Daniel tentando fingir naturalidade!
Não consegui evitar a gargalhada que escapou logo em seguida, alta e verdadeira, daquelas que surgem antes mesmo que a pessoa consiga controlar, e foi exatamente naquele instante que percebi que era a primeira vez desde a noite anterior que meu peito parecia um pouco menos pesado.
Marina apontou um dedo acusador na direção de Clara.
— Você prometeu que não ia comentar isso com ninguém!
— Eu prometi tentar — rebateu Clara imediatamente, ainda rindo. — O que é completamente diferente.
Balancei a cabeça ainda sorrindo.
— Coitado do meu irmão.
— Coitado nada — respondeu Clara sem hesitar. — Seu irmão parecia MUITO feliz com a situação.
Marina fechou os olhos lentamente como alguém reconsiderando todas as escolhas da própria vida enquanto eu voltava a rir outra vez. Ela se aproximou de mim com aquele olhar preocupado e perguntou tentando mudar de assunto:
— Está melhor?
Antes que eu pudesse responder, ouvi uma voz masculina atrás de mim.
— Confesso que é maravilhoso ver que seu humor mudou.
Meu corpo ficou levemente tenso antes mesmo que eu me virasse.
Era Maksin Volkov, o novo advogado.
Ele se aproximou com calma, usando um terno escuro impecável e aquele olhar atento demais que parecia perceber coisas que eu preferia esconder.

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