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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 140

“O problema nunca foi a distância. Foi o silêncio.”

Dayse Whitmore

Eu achei que a distância ajudaria a colocar as coisas no lugar, mas, no instante em que cheguei em casa e encontrei o silêncio me esperando outra vez, percebi que a ausência de Edward estava me afetando muito mais do que eu queria admitir.

O apartamento parecia silencioso demais quando fechei a porta atrás de mim naquela noite, e talvez o pior fosse perceber que normalmente eu gostava exatamente daquilo, gostava da tranquilidade que vinha depois de um dia inteiro cercada por reuniões, processos, telefonemas e pessoas falando sem parar ao meu redor, mas, daquela vez, no instante em que joguei a bolsa sobre o sofá e caminhei lentamente pela sala, a sensação que me atingiu não teve absolutamente nada de confortável.

Foi um vazio.

Respirei fundo enquanto tirava os saltos devagar, caminhando descalça pelo apartamento, como se estivesse tentando adiar inconscientemente o momento em que precisaria encarar o fato irritante de que Edward Fitzgerald estava do outro lado do mundo fazia poucas horas e, ainda assim, continuava ocupando espaço demais dentro da minha cabeça.

Aquilo era ridículo.

Completamente ridículo.

Edward tinha ido para Singapura a trabalho.

E se Liliana estivesse certa?

E se, em algum momento daquela viagem, Edward simplesmente encontrasse outra mulher para ocupar o espaço que eu estupidamente comecei a acreditar que era meu?

Fiquei ainda mais furiosa comigo, porque ele tinha sido claro naquela última noite. Tinha dito que tudo não passava de uma encenação, que nada daquilo era real. Mas porque doía tanto?

— Dayse sua idiota levanta essa cabeça e esqueçe. É só sexo, apenas isso, nada mais do que isso!

Passei a mão pelo rosto devagar antes de caminhar até a cozinha, abrindo a geladeira sem realmente prestar atenção no que procurava, porque a verdade era que eu nem estava com fome, apenas inquieta demais para permanecer parada.

Fechei a porta alguns segundos depois.

Meu olhar foi automaticamente para o celular largado sobre o balcão.

Nada.

Meu maxilar endureceu imediatamente enquanto eu desviava os olhos do aparelho como se aquilo não tivesse importância alguma, embora a verdade fosse exatamente o contrário.

Porque Edward não tinha obrigação nenhuma de me ligar.

Nós não éramos um casal. Aquilo ainda era um contrato. Um acordo absurdo entre duas pessoas que claramente já tinham perdido a capacidade de manter qualquer distância emocional minimamente saudável.

E talvez fosse exatamente isso que mais me irritava.

A maneira como tudo entre nós tinha deixado de parecer simples fazia tempo.

Bufei baixo, pegando uma taça de vinho antes de caminhar até a sala e ligar a televisão apenas para preencher o silêncio desconfortável do apartamento, mas não consegui prestar atenção em absolutamente nada do que estava passando na tela, porque minha mente continuava voltando para o mesmo lugar de forma insistente.

Imaginei ele no aeroporto entrando no avião, chegando em Singapura, cercado por investidores, empresários e reuniões importantes, ele ocupado demais para pensar em qualquer coisa relacionada a mim.

Mas foi a última ideia que me incomodou mais do que deveria.

Tomei um gole longo de vinho enquanto me afundava lentamente no sofá, tentando organizar aquilo de forma racional, porque existia uma parte minha que ainda insistia em lembrar o óbvio.

Edward estava trabalhando em outro continente.

Era lógico que estivesse ocupado demais para pensar em mim.

O problema era perceber o quanto aquilo me incomodava.

Porque era ridículo sentir falta de um homem que nem sequer telefonou.

A frase atravessou minha cabeça com tanta clareza que me deixou ainda mais irritada comigo mesma, principalmente porque Edward tinha passado os últimos dias me confundindo emocionalmente de todas as maneiras possíveis, agindo de forma possessiva em alguns momentos e absurdamente fria em outros, como se nem ele próprio soubesse exatamente o que queria de mim.

Talvez Clara estivesse certa.

Talvez Edward simplesmente fugisse de qualquer coisa que parecesse sentimento real.

A lembrança da última conversa voltou imediatamente à minha cabeça, trazendo junto o olhar distante, a postura controlada e a necessidade quase irritante que ele tinha de transformar tudo em racionalidade sempre que as coisas entre nós começavam a ficar emocionalmente perigosas demais.

Meu peito ficou pesado outra vez.

Levantei do sofá rapidamente antes que minha mente começasse a piorar ainda mais as coisas, caminhei até o quarto enquanto tentava afastar ele da cabeça de qualquer maneira possível, mas nada realmente funcionava.

Tomei um banho demorado. Troquei de roupa. Prendi o cabelo. Tentei assistir alguma coisa. E, ainda assim, de tempos em tempos, meu olhar continuava voltando para o celular largado sobre a cama.

Droga.

Peguei o aparelho outra vez, desbloqueando a tela antes mesmo de perceber o que estava fazendo, e meu dedo pairou sobre o contato dele por tempo suficiente para me irritar imediatamente comigo mesma.

Não. Definitivamente não.

Eu não seria o tipo de mulher que liga para um homem emocionalmente indisponível do outro lado do mundo só porque começou a sentir falta dele.

— Clara… vou ligar para saber como ela está.

Respirei fundo devagar, sentindo uma pontada irritante de culpa por estar usando minha melhor amiga como distração para parar de pensar em Edward por alguns minutos, mas, ainda assim, peguei o celular e disquei o número dela antes que pudesse mudar de ideia.

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