“Algumas pessoas voltam apenas para descobrir que já perderam espaço demais.”
Dayse Whitmore
Três dias.
72 horas, 4.320 minutos e 259.200 segundos.
Edward Fitzgerald estava em Singapura fazia três dias, e talvez o mais irritante fosse perceber que, depois de tanto tempo tentando me convencer de que a distância ajudaria a colocar as coisas no lugar, o silêncio dele só tinha conseguido piorar tudo.
Nenhuma ligação. Nenhuma mensagem.
Nada.
E eu odiava o fato de continuar olhando para o celular mesmo sabendo disso.
A semana tinha se arrastado de forma lenta e cansativa desde a viagem dele, porque, por mais que eu continuasse trabalhando normalmente, participando de reuniões, revisando contratos e fingindo que minha vida seguia exatamente igual, existia uma parte silenciosa e irritante da minha mente constantemente distraída, como se estivesse esperando alguma coisa acontecer a qualquer momento.
Ou alguém.
O pior?
Edward provavelmente nem imaginava o efeito que aquele silêncio estava causando.
Bufei irritada comigo mesma enquanto jogava a bolsa sobre o sofá ao entrar no apartamento naquela noite, sentindo o corpo inteiro pesado depois de mais um dia longo demais no escritório.
O pior de tudo era aguentar os olhares distorcidos no trabalho, porque para todos os efeitos, eu era noiva do presidente da empresa.
Mesmo que fosse um noivado de mentira.
Tirei os saltos devagar antes de caminhar descalça até o quarto. Precisava tirar essa roupa e tomar um bom banho. Minha mãe sempre dizia que nada melhor do que um bom e relaxante banho.
Peguei o celular e por um momento pensei em telefonar para Clara. Mas me lembrei da última vez que liguei e resolvi deixar para lá. Pensei em telefonar para Marina, mas Daniel e ela estavam juntos e muito provavelmente, meu irmão estava por lá.
Suspirei fundo e me contentei a ficar sozinha.
Tirei minha roupa no caminho até o banheiro, e entrei no box ligando a água fria. Queria o contraste do meu corpo quente com o choque térmico, para ver se isso era suficiente para me fazer esquecer dele pelo menos por alguns segundos. Mas quando fechei os olhos a minha mente acabou me pregando uma peça.
Lembrei de Hamptons, de como o toque dele me fazia delirar, do sorriso safado dele depois que me fazia gozar e de como eu nunca conseguia dizer não a ele.
E essas lembranças foram suficientes para fazer todo o meu corpo arder de desejo.
— Por Deus Dayse, se controla!
Desliguei o chuveiro e caminhei pelo quarto apenas com a toalha envolta do meu corpo. Fui ate o guarda roupa e escolhi uma roupa simples, um short e uma camiseta de malha. Passei as mãos pelos cabelos ainda úmidos e resolvi ir até a cozinha preparar alguma coisa para comer. Nem lembro a ultima vez que fiz uma refeição de verdade.
Mas antes que eu pudesse chegar lá, a campainha tocou fazendo meu coração acelerar imediatamente.
Meus olhos buscaram automaticamente o celular sobre o balcão antes mesmo que eu percebesse o que estava fazendo. A ideia de que pudesse ser ele do outro lado da porta, atravessou minha cabeça tão rápido que praticamente me fez atravessar o apartamento correndo.
Porque por mais que eu quisesse negar, por mais que eu estivesse furiosa por esse silêncio, eu queria vê-lo.
Abri a porta sem nem perceber que estava prendendo a respiração, mas não era ele, era Peter.
O choque deve ter ficado evidente no meu rosto, porque ele passou a mão pela nuca imediatamente, claramente desconfortável enquanto me observava parado no corredor do prédio.
Peter parecia pior do que da última vez que nos vimos.
Fiquei em silêncio por alguns segundos enquanto ele tentava sustentar meu olhar.
— Oi, Dayse.
Meu corpo perdeu parte da tensão inicial lentamente enquanto a decepção silenciosa ainda queimava irritantemente dentro do peito. Porque uma parte completamente idiota de mim realmente acreditou que pudesse ser Edward do outro lado daquela porta.
Cruzei os braços devagar.
— O que você está fazendo aqui, Peter?
Ele engoliu seco antes de responder.
— Eu precisava falar com você.
Fechei os olhos por um segundo curto demais. Eu estava irritada e cansada e não tinha energia emocional para lidar com Peter. Muito menos depois dos últimos dias.
— Peter…
— Por favor — interrompeu rapidamente, aproximando-se um passo. — Só me escuta dessa vez.
Observei ele em silêncio por alguns segundos.

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