“Existem beijos que começam com desejo… e outros que nascem do medo desesperado de perder alguém.”
Dayse Whitmore
O problema nunca foi o silêncio entre mim e Edward, e sim tudo aquilo que acontecia no instante em que finalmente parávamos de fugir um do outro.
Eu ainda estava tentando recuperar o mínimo de controle sobre a própria cabeça quando atravessei a porta do apartamento e joguei a bolsa sobre o sofá com força suficiente para fazê-la deslizar pelo couro antes de cair no chão.
Meu corpo inteiro parecia exausto depois daquela noite emocionalmente caótica em que Peter resolveu reaparecer na minha vida, enquanto Edward continuava ocupando espaço demais dentro da minha cabeça.
Bufei irritada enquanto passava as mãos pelos cabelos ainda úmidos e caminhava descalça pela sala numa tentativa inútil de afastar a confusão absurda que continuava me sufocando desde o instante em que deixei a lanchonete, porque quanto mais tentava me convencer de que aquilo entre mim e Edward ainda era apenas um contrato, mais meu próprio corpo parecia disposto a me lembrar exatamente do contrário.
Foi então que a campainha tocou.
Fechei os olhos imediatamente enquanto a irritação atravessava meu corpo quase no mesmo instante, porque naquele momento eu simplesmente não tinha energia emocional suficiente para lidar com Peter aparecendo outra vez na minha porta depois de tudo o que já tinha sido dito naquela noite.
Atravessei a sala rapidamente enquanto destrancava a porta já pronta para mandá-lo embora.
— Peter, eu já falei que…
A frase morreu imediatamente no instante em que abri a porta e encontrei Edward parado diante de mim.
O choque foi tão forte que senti minha respiração falhar por um segundo inteiro.
Ele permanecia imóvel do outro lado da porta com a gravata levemente afrouxada, os cabelos discretamente desalinhados e os olhos escurecidos de um jeito intenso, enquanto a respiração pesada denunciava que alguma coisa claramente tinha acontecido antes dele subir até aquele apartamento.
Ele parecia furioso, mas não comigo. Parecia um homem tentando no limite antes de perder completamente a paciência.
Meu coração acelerou violentamente.
Porque existia alguma coisa diferente nele naquela noite.
Existia alguma coisa diferente nele naquela noite, porque Edward parecia mais agressivo, mais instável e emocionalmente muito mais próximo do próprio limite.
Nenhum de nós falou imediatamente.
Edward apenas continuou me encarando em silêncio por alguns segundos enquanto os olhos percorriam lentamente meu rosto, meu cabelo ainda úmido, minhas pernas descobertas pelo short curto e a camiseta larga que eu vestia, como se precisasse confirmar que eu realmente estava ali diante dele depois daqueles três dias infernais longe um do outro.
Então ele entrou e a porta bateu atrás dele com força suficiente para me fazer estremecer levemente.

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