“Alguns homens sabem exatamente como tocar uma mulher… o problema é que quase nunca sabem o que fazer depois que ela começa a sentir alguma coisa.”
Dayse Whitmore
O verdadeiro problema nunca foi o sexo entre mim e Edward e sim tudo aquilo que acontecia depois, quando a intensidade passava e nós dois precisávamos encarar sentimentos que nenhum dos dois sabia controlar.
O silêncio que tomou conta da sala depois da última vez que Edward me beijou parecia completamente diferente do silêncio que existia entre nós minutos antes.
Porque agora não existia apenas tensão.
Existia vulnerabilidade.
E talvez aquele fosse o verdadeiro problema de Edward Fitzgerald.
O sexo nunca assustava ele, mas o que vinha depois, sim.
Minha respiração ainda saía irregular enquanto eu permanecia deitada parcialmente sobre o peito dele no chão da sala, sentindo os dedos dele acariciarem distraidamente minha cintura por alguns segundos antes do corpo inteiro ficar tenso de repente.
Foi sutil, mas eu percebi.
Edward tinha mudado.
A expressão fechou lentamente. Os olhos perderam parte daquela intensidade desorganizada de minutos atrás. E o controle começou a voltar.
Droga.
Desviei o olhar imediatamente enquanto tentava ignorar a sensação irritante que apertou meu peito quase no mesmo instante.
Porque eu já conhecia aquele comportamento, conhecia bem demais.
Ele sempre fazia isso. Sempre voltava para trás emocionalmente depois de se permitir sentir qualquer coisa intensa demais.
Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de finalmente perguntar em voz baixa:
— O que Peter queria com você?
Fechei os olhos imediatamente.
A irritação voltou tão rápido que chegou a me deixar sem reação por um segundo inteiro.
Me afastei dele devagar enquanto puxava a camiseta caída próxima ao sofá.
— Então foi por isso que você apareceu aqui? — perguntei enquanto vestia a roupa rapidamente. — Porque me viu com Peter naquela cafeteria?
Edward sustentou meu olhar em silêncio. E aquilo já foi resposta suficiente.
Meu peito apertou de um jeito irritante. Porque durante alguns minutos eu realmente tinha acreditado que ele estivesse ali por mim. Por saudade, por necessidade.
Por nós.
Mas talvez tenha sido apenas ciúme masculino e ego ferido.
Edward passou a mão lentamente pela nuca antes de responder:
— Você não devia estar sozinha com ele naquela hora da noite.
A incredulidade atravessou meu corpo imediatamente.
— Desculpa… o quê?
Edward se levantou do chão calmamente enquanto pegava a própria camisa espalhada perto do sofá.
— Peter claramente ainda quer alguma coisa com você.
— E nós estávamos apenas conversando.
— Dayse…
— Então quer dizer que em Singapura você não conversou com nenhuma mulher? — interrompi imediatamente enquanto cruzava os braços sobre o peito.
O maxilar dele travou quase no mesmo instante.
— É diferente.
Soltei uma risada curta, completamente sem humor.
Claro. É claro que era diferente. Homens como Edward Fitzgerald sempre acreditavam que as próprias regras funcionam de maneira diferente para eles.
— Vai ficar sem dizer nada? — perguntei outra vez, agora muito mais magoada do que irritada.
Edward terminou de fechar os últimos botões da camisa antes de responder finalmente em voz baixa:
— Sim, senhorita Whitmore. É apenas um contrato. E, refrescando sua memória, as cláusulas eram muito claras sobre não se envolver com ninguém.
Arregalei os olhos imediatamente.
— Você está insinuando que eu…
— Eu não estou insinuando nada — interrompeu friamente. — Mas eu não sou um homem comum, Dayse. Minha noiva sendo vista numa cafeteria de madrugada com outro homem é exatamente o tipo de situação que não deve acontecer.
A mágoa atravessou meu peito de forma quase humilhante.
Porque depois de tudo o que tinha acontecido naquela sala, Edward Fitzgerald ainda conseguia transformar sentimento em contrato com uma facilidade cruel.
Cruzei os braços lentamente sobre o peito enquanto sustentava o olhar dele.
— Não se preocupe, senhor Fitzgerald — respondi com a voz muito mais fria do que realmente me sentia. — Vou fazer o possível para evitar esse tipo de comentário no futuro.
O silêncio que caiu entre nós foi pesado imediatamente.
Edward me encarou por mais alguns segundos. Como se quisesse dizer alguma coisa, mas não disse.
Ele apenas pegou o paletó e caminhou em direção à porta.
E talvez o pior de tudo tenha sido perceber que nenhuma parte de mim tentou impedi-lo de ir embora.
A porta bateu alguns segundos depois.
E eu permaneci imóvel no meio da sala sentindo o próprio peito apertar de uma forma irritante enquanto tentava entender por que ele sempre conseguia transformar os melhores momentos entre nós em alguma coisa dolorosa logo em seguida.
Meu erro nunca foi desejar Edward Fitzgerald.
Foi continuar acreditando que depois daquela intensidade ele finalmente deixaria alguém chegar perto dele. Porque o problema nunca foi resistir a ele. O problema sempre foi o fato de que meu corpo continuava cedendo para ele muito antes da minha razão conseguir reagir.
Porque toda vez que Edward Fitzgerald me tocava daquele jeito, eu cometia exatamente o mesmo erro: esquecia que homens como ele sempre sabiam incendiar uma mulher antes de voltar a agir como se nada tivesse significado coisa alguma.

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