“O problema de alguns homens nunca foi sentir… e sim o fato de terem passado tempo demais aprendendo a transformar sentimento em controle.”
Edward Fitzgerald
A porta do apartamento bateu atrás de mim com força suficiente para ecoar pelo corredor inteiro, mas eu continuei andando sem olhar para trás, mantendo os passos firmes enquanto tentava ignorar a própria irritação crescendo dentro do peito de um jeito cada vez mais difícil de controlar.
Porque aquela discussão tinha saído completamente do controle. E o pior era que Dayse não estava errada.
O elevador demorou segundos para chegar. Minha mandíbula permanecia travada enquanto eu passava a mão pela nuca lentamente, tentando organizar a própria cabeça, mas tudo continuava voltando para o mesmo ponto.
O que tinha acabado de acontecer dentro daquele apartamento.
Entrei no elevador com os ombros rígidos e o maxilar apertado com tanta força que chegou a incomodar. Mas, no fundo, eu sabia que aquilo não tinha começado naquela cafeteria.
Começou muito antes, ainda em Singapura. No instante em que percebi que estava esperando uma mensagem dela durante reuniões importantes. No instante em que ignorei mulheres bonitas sem nem conseguir sentir interesse.
No instante em que senti falta da voz dela.
Droga.
Passei a mão no rosto lentamente enquanto o elevador finalmente chegava ao estacionamento.
Dayse estava certa.
Peter só tinha sido o gatilho. O verdadeiro problema era o fato de eu ter sentido falta dela de um jeito completamente absurdo durante aqueles três dias.
Entrei no carro com movimentos rápidos e bati a porta com força. As mãos apertaram o volante enquanto minha respiração saía pesada outra vez.
A imagem dela ainda estava presa na minha cabeça.
O corpo quente contra o meu. As pernas tremendo. A voz falhando quando implorou:
— Eu quero você.
Fechei os olhos por um segundo curto demais.
Porra.
Dei partida no carro imediatamente. Mas ao invés de seguir para casa, virei na primeira avenida e continuei dirigindo sem prestar atenção real no caminho, como se estivesse tentando fugir da própria cabeça.
Acabei parando em um bar no Upper East Side quase quarenta minutos depois.
O lugar estava movimentado, cheio de executivos, música baixa e conversas espalhadas pelo ambiente, mas eu mal percebia qualquer coisa ao redor enquanto me sentava sozinho perto do balcão e pedia o primeiro uísque.
Depois o segundo. E o terceiro.
O álcool descia queimando pela garganta sem aliviar absolutamente nada, porque o problema nunca foi sexo. Sexo eu sempre soube controlar, sempre consegui separar desejo de sentimento, prazer de envolvimento, corpo de qualquer coisa emocionalmente perigosa.
Mas com Dayse era diferente.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe