“Algumas mentiras começam como estratégia… e terminam como destino.”
Enquanto Dayse Whitmore ainda tentava entender no que havia se metido, Edward Fitzgerald já brindava ao casamento que pretendia transformar no maior teatro da sua vida.
O pub estava cheio.
A música baixa se misturava ao tilintar de copos, às risadas das mesas e ao cheiro forte de cerveja e comida.
Edward Fitzgerald parecia completamente à vontade naquele ambiente barulhento.
Sentado na mesa do fundo, com a gravata afrouxada e as mangas da camisa dobradas até os antebraços, ele girava lentamente o whisky dentro do copo de cristal enquanto observava o movimento ao redor com a tranquilidade arrogante de alguém acostumado a ter controle absoluto de qualquer situação.
Do outro lado da mesa, Adrian Keller apoiava os cotovelos na madeira enquanto o encarava com a expressão de alguém que ainda estava tentando decidir se aquilo tudo era uma ideia genial… ou uma completa loucura.
Adrian não era apenas o secretário pessoal de Edward.
Era seu melhor amigo.
O único homem dentro da empresa que podia falar com ele sem medir cada palavra. E naquele momento ele parecia profundamente cético.
— Então deixa eu ver se entendi direito — disse Adrian finalmente, cruzando os braços enquanto inclinava a cabeça. — Você pediu uma funcionária do departamento jurídico em casamento para convencer seu avô de que finalmente decidiu se comportar como um adulto responsável?
Edward tomou um gole tranquilo do whisky.
— Basicamente.
Adrian ficou alguns segundos em silêncio. Então soltou uma risada curta, completamente incrédula.
— Você é completamente insano.
Edward arqueou uma sobrancelha.
— Eu prefiro o termo estratégico.
Adrian apontou para ele.
— Estratégico seria contratar uma atriz.
— Uma atriz seria descoberta em duas semanas.
Adrian estreitou os olhos.
— E uma funcionária da empresa não?
Edward apoiou o copo sobre a mesa.
— Não se ela realmente for convincente…
Adrian ficou em silêncio por um momento, analisando o amigo com atenção. Então perguntou:
— E você realmente acha que seu avô vai acreditar nisso?
Edward deu de ombros com indiferença.
— Ele não precisa acreditar.
Adrian franziu a testa.
— Como assim?
Edward apoiou o copo sobre a mesa e respondeu com calma:
— Ele precisa querer acreditar.
Adrian continuou observando o amigo. Edward se inclinou levemente na cadeira.
— Meu avô decidiu que eu preciso demonstrar maturidade.
— Isso parece razoável — Adrian comentou.
Edward soltou um sorriso curto e arrogante.
— O problema é que o conceito de maturidade dele inclui coisas como casamento estável, responsabilidade e respeito pela reputação da família.
Adrian soltou uma risada.
— Ou seja… exatamente tudo que você passou a vida inteira evitando.

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