“Homens realmente perigosos reconhecem outro homem sério no instante em que ele decide proteger alguém.”
Daniel Whitmore não entrou na Fitzgerald Corporation com a postura de alguém impressionado pelo poder de Edward Fitzgerald, e talvez tenha sido exatamente isso que fez o último andar inteiro ficar silencioso no instante em que ele atravessou aquelas portas.
Megan ainda permanecia parada perto da porta da sala de Edward quando o nome de Daniel Whitmore terminou de ecoar no ambiente, e bastou observar a expressão desconfortável dela e o silêncio pesado que tomou conta do último andar para Edward perceber imediatamente que aquela visita já tinha deixado metade da equipe tensa antes mesmo do homem entrar ali.
Adrian fechou lentamente a pasta que segurava enquanto observava Edward em silêncio por alguns segundos.
— Daniel Whitmore? — repetiu calmamente, mas a leve alteração na expressão dele foi suficiente para deixar claro que também entendeu o tamanho do problema.
Edward passou a mão lentamente pela mandíbula antes de desviar o olhar para Megan outra vez.
— Ele disse o que queria?
— Não, senhor Fitzgerald. Apenas afirmou que precisava conversar com o senhor pessoalmente.
Edward permaneceu em silêncio por alguns segundos enquanto organizava rapidamente os próprios pensamentos, porque homens normalmente apareciam daquele jeito na Fitzgerald Enterprises por dinheiro, negócios ou favores, mas alguma coisa dizia que Daniel Whitmore não tinha atravessado Manhattan naquela manhã por nenhum daqueles motivos.
Ele tinha ido por causa da irmã. E talvez o mais irritante fosse perceber que Edward conseguia entender aquilo perfeitamente.
— Mande-o entrar — falou finalmente.
Megan hesitou por um segundo curto demais antes de assentir e sair rapidamente da sala.
Adrian soltou uma respiração baixa enquanto se recostava parcialmente na cadeira.
— Isso parece promissor.
Edward ignorou completamente o comentário.
Os olhos dele permaneceram presos na porta da sala enquanto a irritação silenciosa apertava lentamente seu peito outra vez, misturada com outra sensação muito pior.
Expectativa.
Porque Edward já tinha percebido uma coisa sobre Daniel Whitmore desde a primeira vez que ouviu Dayse falar do irmão: ela confiava nele.
E homens protegidos pelo amor e pela lealdade da família quase nunca eram simples de enfrentar.
A porta se abriu alguns segundos depois e Daniel entrou na sala sem pressa, mantendo a postura firme enquanto observava discretamente o ambiente ao redor antes de finalmente sustentar o olhar diretamente em Edward. Ele parecia calmo demais, para alguém que muito provavelmente não tinha vindo apenas para uma conversa amigável.
O terno escuro claramente não era assinado por nenhuma marca milionária, mas estava alinhado o suficiente para deixá-lo elegante. O maxilar permanecia travado de forma quase imperceptível, os ombros retos e os olhos atentos analisavam cada detalhe da sala sem parecer impressionado por absolutamente nada.
Interessante.
A maioria das pessoas mudava imediatamente de postura quando entrava naquele escritório.
Daniel não.
— Senhor Fitzgerald — cumprimentou calmamente.
Edward continuou sentado observando ele por alguns segundos antes de responder:
— Senhor Whitmore.
Adrian permaneceu em silêncio próximo da mesa de reuniões, mas observava atentamente cada microexpressão naquela sala, porque todos ali entendiam perfeitamente que aquela conversa não tinha absolutamente nada de casual.
Daniel caminhou lentamente até a cadeira à frente da mesa de Edward, mas não sentou imediatamente.
— Espero não estar atrapalhando.
— Está — respondeu Edward sem alterar o tom. — Mas considerando que você subiu até aqui mesmo assim, imagino que seja importante.
Os olhos de Daniel permaneceram presos nos dele sem hesitação.
— É sobre a minha irmã.
Claro que era.
Edward passou lentamente os dedos pelo relógio no pulso antes de se recostar na cadeira.
— Sente-se.
Daniel finalmente puxou a cadeira e sentou sem desviar o olhar dele nem por um segundo.
O silêncio que caiu na sala naquele instante ficou pesado de um jeito quase desconfortável.
Porque nenhum dos dois parecia disposto a recuar primeiro.
— Dayse nunca fala muito sobre os próprios relacionamentos — Daniel começou calmamente. — E considerando o que aconteceu no seu último.
A mandíbula de Edward endureceu quase imperceptivelmente e Daniel percebeu.
— E o que exatamente isso tem a ver comigo? — perguntou Edward mantendo a voz fria.
Daniel sustentou o olhar dele por mais alguns segundos antes de responder:
Ninguém.
Mas talvez o mais irritante fosse perceber que Daniel Whitmore não estava tentando parecer corajoso. Ele simplesmente amava a irmã o suficiente para não se intimidar.
E homens assim eram perigosos.
Edward se recostou lentamente na cadeira enquanto observava Daniel em silêncio por alguns segundos.
— Você acha que sabe alguma coisa sobre mim? — perguntou finalmente.
Daniel sustentou o olhar dele sem hesitar.
— Não.
Ele fez uma pausa curta antes de continuar:
— Mas sei reconhecer um homem emocionalmente perigoso quando vejo um.
A mandíbula de Edward endureceu imediatamente. Porque Daniel tinha acertado.
A porta da sala se abriu abruptamente antes que Edward respondesse qualquer coisa e Dayse entrou com a respiração irregular e os olhos tensos percorrendo imediatamente a sala inteira até encontrar o irmão sentado calmamente à frente da mesa de Edward.
Ela claramente esperava uma cena muito diferente.
Os olhos dela passaram rapidamente: por Edward, por Daniel, por Adrian e pela tensão absurda presa naquele ambiente.
— Daniel, o que você está fazendo aqui? — perguntou imediatamente, ainda ofegante.
Ele finalmente desviou os olhos de Edward para olhar para ela. Então um sorriso leve apareceu no rosto dele pela primeira vez desde que entrou naquela sala.
— Relaxa, irmãzinha.
Daniel se recostou calmamente na cadeira antes de completar:
— Eu só estava conhecendo meu cunhado.
O silêncio que caiu na sala depois daquela frase foi imediato.
Dayse arregalou os olhos na mesma hora. Adrian desviou lentamente o olhar para Edward que endureceu a mandíbula de forma quase imperceptível.
Porque pela primeira vez desde o início daquela conversa, alguma coisa realmente perigosa atravessou o ambiente: ninguém naquela sala parecia tratar aquilo como um simples contrato.

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