O verdadeiro problema de certos sentimentos não era escondê-los das outras pessoas, era perceber o instante exato em que alguém começava a enxergá-los com facilidade demais.
O silêncio dentro da sala permaneceu pesado durante vários segundos depois da frase de Daniel Whitmore, porque o verdadeiro problema não foi ele chamar Edward Fitzgerald de cunhado, mas sim o fato de absolutamente ninguém naquele ambiente ter conseguido tratar aquilo como uma simples brincadeira.
Dayse continuava parada próxima da porta com a respiração irregular, enquanto os olhos percorriam rapidamente o rosto dos dois homens daquela sala, porque a tensão entre Edward e Daniel estava séria demais, e perceber o próprio irmão provocando o chefe daquela maneira fazia um nervosismo lento apertar seu estômago.
Adrian observou Edward em silêncio por alguns segundos antes de apoiar lentamente a pasta sobre a mesa, porque conhecia o amigo bem demais para ignorar a forma como a mandíbula dele tinha endurecido quase imperceptivelmente depois da provocação de Daniel.
E aquilo sozinho já era interessante.
Muito interessante.
Porque Edward Fitzgerald raramente ficava desconfortável diante de alguém. Mas Daniel Whitmore parecia ter encontrado exatamente o tipo de provocação capaz de atravessar o autocontrole dele sem precisar elevar a voz uma única vez.
Dayse então finalmente soltou o ar preso nos pulmões antes de perguntar nervosamente:
— Daniel… o que exatamente você veio fazer aqui?
Daniel desviou os olhos de Edward para olhar para a irmã, e a expressão séria que sustentava até aquele instante suavizou discretamente, embora o brilho divertido no olhar deixasse claro que ele estava gostando muito mais daquela situação do que deveria.
— Relaxa, irmãzinha.
Ele se levantou calmamente da cadeira enquanto ajeitava o próprio paletó com tranquilidade, antes de completar com um sorriso preguiçoso no canto da boca:
— Ninguém brigou. Infelizmente.
Adrian soltou uma risada baixa imediatamente e Dayse estreitou os olhos na mesma hora.
— Daniel.
— O quê? — ele respondeu com falsa inocência, erguendo levemente as sobrancelhas antes de lançar um olhar rápido para Edward. — Seu chefe é bem menos assustador do que imaginei. Confesso que esperava pelo menos uma ameaça corporativa ou talvez alguém me expulsando daqui escoltado pelos seguranças.
O silêncio que caiu na sala ficou estranho de um jeito quase desconfortável.
Porque Daniel claramente estava debochando e Edward claramente percebeu. Mas talvez o mais irritante fosse o fato de Daniel agir como se aquela conversa tivesse sido apenas um encontro casual entre dois homens marcando um whisky depois do trabalho.
Dayse passou nervosamente a mão pelos cabelos.
— Eu nem quero saber o que vocês conversaram aqui dentro.
Daniel soltou uma risada nasal baixa antes de responder imediatamente:
— Mentira. Você está desesperada querendo saber.
Ela abriu a boca para responder, mas ele continuou antes, agora olhando diretamente para Edward com um cinismo divertido:
— Mas pode ficar tranquila. Seu noivo não me ameaçou.
Os olhos de Dayse arregalaram imediatamente.
— Da- daniel!
Adrian desviou discretamente o rosto para esconder a vontade de rir, enquanto Edward permanecia imóvel perto da mesa, sustentando o olhar debochado de Daniel sem alterar a postura impecavelmente que normalmente fazia qualquer pessoa naquele prédio recuar automaticamente.
Mas Dayse conhecia Edward o suficiente para perceber a pequena alteração na expressão dele.
A mandíbula endurecida, o olhar mais escuro, os dedos apertando lentamente o copo de whisky.
E talvez o pior fosse perceber que Daniel também tinha notado.
Daniel então soltou outra risada baixa antes de finalmente caminhar na direção de Edward com calma, como se aquela sala não estivesse carregada de tensão há poucos segundos.
E foi exatamente aquilo que deixou tudo ainda pior.
Porque Edward percebeu que Daniel estava fazendo aquilo de propósito.
O irmão de Dayse não estava tentando intimidá-lo, estava tentando deixá-lo desconfortável, e infelizmente estava conseguindo.
Daniel parou diante da mesa de Edward antes de estender a mão com tranquilidade, mantendo aquele sorriso preguiçoso no canto da boca que deixava claro o quanto estava se divertindo às custas daquela situação.
— Foi um prazer conhecer você oficialmente, Fitzgerald.
Edward observou a mão estendida durante alguns segundos curtos demais para parecer hesitação, mas longos o suficiente para deixarem claro que alguma coisa naquela provocação tinha atingido um lugar específico dentro dele.
Porque pela primeira vez desde o início daquela conversa, Edward compreendeu exatamente o que Daniel estava fazendo. Ele não tinha ido até ali para ameaçá-lo. Tinha ido confirmar uma suspeita.
E agora estava saindo daquela sala sabendo exatamente o que queria saber e isso incomodou Edward muito mais do que deveria.
Ainda assim, ele manteve a postura impecavelmente controlada antes de se levantar lentamente e apertar a mão de Daniel com firmeza, sustentando o olhar dele sem desviar nem por um segundo.
Os dois permaneceram assim durante alguns instantes silenciosos. Então Daniel inclinou levemente a cabeça antes de sorrir de lado outra vez.
— Nos vemos em breve… cunhado.
Dayse fechou os olhos imediatamente.

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