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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 152

O problema de certas tensões não era o silêncio, era perceber que até os assuntos mais simples começavam a parecer perigosos entre duas pessoas que estavam tentando sentir menos do que realmente sentiam.

O silêncio deixado por Daniel Whitmore dentro da sala continuou estranho mesmo depois que a porta do elevador se fechou no último andar da Fitzgerald Corporation.

Dayse permaneceu parada próxima da mesa de Edward com os braços cruzados e a respiração ainda levemente irregular. Por mais que tentasse recuperar o controle da situação, ainda conseguia ouvir a voz debochada do irmão chamando Edward de cunhado como se aquilo tivesse sido a coisa mais natural do mundo.

Talvez aquela fosse exatamente a pior parte.

Edward continuava imóvel perto do bar da sala, segurando o copo de whisky entre os dedos enquanto observava silenciosamente a cidade através da parede de vidro do escritório, mas Dayse conhecia aquele homem bem o suficiente para perceber que o silêncio dele não significava indiferença.

Significava controle. Controle demais.

Ela apertou lentamente os dedos contra os próprios braços antes de finalmente criar coragem para falar:

— Edward… eu sinto muito pelo Daniel.

Ele não respondeu imediatamente.

Apenas girou devagar o whisky dentro do copo antes de levar o copo a boca e tomar um gole curto.

Dayse sentiu o estômago apertar outra vez.

— Ele normalmente não é tão…

— Protetor? — Edward completou calmamente, ainda sem olhar para ela.

Ela hesitou por um segundo e completou:

— Irritante.

O canto da boca dele quase se moveu num sorriso discreto demais para ser considerado real. E talvez aquilo sozinho já tivesse sido mais reação do que ela esperava receber.

Edward finalmente desviou os olhos da janela e sustentou o olhar dela por alguns segundos, permanecendo em silêncio enquanto apoiava lentamente o copo sobre o bar.

— Seu irmão gosta de provocar as pessoas.

Dayse soltou uma respiração curta pelo nariz.

— Você percebeu.

— Foi difícil não perceber.

Por um momento os dois permaneceram em silêncio.

Depois da visita de Daniel, algo havia mudado dentro daquela sala. A atmosfera parecia diferente, mais carregada, mais difícil de ignorar. E o que Dayse mais odiava era perceber que, a partir daquele momento, já não conseguia fingir que não notava certos detalhes.

Principalmente a maneira como Edward a observava.

Porque agora ela estava dolorosamente consciente daqueles olhares silenciosos que ele lançava em sua direção sempre que acreditava que ela estava distraída ou ocupada demais para perceber.

E, por mais que tentasse ignorar, cada vez ficava mais difícil fingir que não enxergava aquilo.

Ela desviou rapidamente os olhos antes de voltar a falar:

— Ele não deveria ter chamado você daquele jeito.

Edward arqueou levemente a sobrancelha.

— De que jeito?

Dayse sentiu o rosto esquentar imediatamente. Porque ele sabia exatamente do que ela estava falando. E ela percebeu no instante em que viu aquele brilho discreto e irritantemente controlado atravessar o olhar escuro dele.

— Edward…

— Cunhado? — ele perguntou calmamente.

Ela fechou os olhos por um segundo.

Aquilo definitivamente não ajudava.

Edward desviou lentamente os olhos dela antes de voltar para a mesa, recuperando a postura fria e impecavelmente controlada que normalmente usava dentro da empresa.

E talvez exatamente por isso a mudança de assunto tenha parecido tão brusca.

— Hoje à noite temos um evento beneficente da Fundação Fitzgerald — falou calmamente enquanto pegava alguns documentos sobre a mesa. — Meu avô confirmou nossa presença há três dias.

Dayse piscou surpresa com a mudança repentina.

— O quê?

— O evento começa às oito. Meu motorista vai buscar você às sete.

O tom dele voltou a ficar profissional e distante e aquilo irritou Dayse mais do que deveria.

— Você poderia pelo menos fingir que não está mudando de assunto de propósito?

— Honestamente? Eu já não sei mais o que estamos fazendo.

O silêncio entre os dois ficou pesado e desconfortável demais para continuar parecendo apenas parte daquele contrato.

Edward continuou olhando para ela sem desviar os olhos nem por um segundo, enquanto alguma coisa na expressão dele parecia travar silenciosamente uma guerra contra o próprio autocontrole.

E talvez o pior fosse perceber que Dayse também estava cansada de fingir que aquilo ainda era simples.

Ele passou lentamente a mão pela mandíbula antes de voltar para trás da mesa.

Distância outra vez.

Controle outra vez.

— Compre um vestido apropriado para hoje à noite. Use o cartão que eu te dei. — falou com tranquilidade, recuperando a postura fria. — A imprensa estará lá.

Aquilo irritou Dayse imediatamente, porque Edward sempre fazia a mesma coisa.

Criava proximidade, deixava evidente o que sentia e depois se afastava como se estivesse tentando impedir a si mesmo de sentir mais do que deveria.

Ela então assentiu devagar antes de pegar a própria bolsa.

— Certo, senhor Fitzgerald.

Edward ergueu os olhos imediatamente quando ouviu o tom frio dela. Mas Dayse já estava caminhando em direção à porta.

E foi exatamente naquele instante que ele percebeu uma coisa perigosamente específica:

Pela primeira vez desde o início daquele contrato, Dayse Whitmore parecia realmente cansada de correr atrás dele.

Ela segurou a maçaneta da porta por apenas um segundo antes de sair da sala, mas Edward continuou olhando na direção onde ela estava mesmo muito tempo depois da porta já ter se fechado.

O escritório permaneceu em silêncio.

E aquilo incomodou Edward imediatamente.

Porque, pela primeira vez em semanas, uma ideia começou a surgir de maneira clara demais dentro da cabeça dele.

Talvez o maior problema nunca tivesse sido se aproximar de Dayse Whitmore.

Talvez o verdadeiro problema começasse no instante em que ela decidisse se afastar de verdade.

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