“Algumas mulheres começam a quebrar no instante em que percebem que estão aceitando muito menos do que realmente merecem.”
Dayse Whitmore descobriu naquele fim de tarde uma verdade emocionalmente desconfortável demais para ignorar: talvez ver Clara e Marina felizes machucasse porque Dayse começava a perceber o quanto estava emocionalmente cansada da própria relação com Edward.
A loja na Quinta Avenida parecia iluminada demais para o estado emocional de Dayse Whitmore.
Vestidos caros ocupavam praticamente todos os cantos daquele lugar, manequins impecáveis exibiam coleções novas absurdamente sofisticadas, consultoras elegantes circulavam pelo salão carregando taças de champanhe, mas nenhuma daquelas coisas realmente chamava a atenção dela.
Porque Clara e Marina estavam felizes.
Muito felizes.
E talvez aquele fosse exatamente o problema.
Clara saía de um dos provadores usando um vestido azul escuro justo o suficiente para arrancar um assobio imediato de Marina enquanto girava lentamente na frente do espelho com aquele sorriso ousado que praticamente fazia parte da personalidade dela.
— Adrian vai perder completamente a postura quando te ver usando isso — Marina comentou imediatamente.
Clara abriu um sorriso satisfeito.
— Ótimo. Depois de semanas me olhando daquele jeito reprimido e comportado, acho justo deixar o advogado certinho emocionalmente abalado por alguns minutos.
Dayse soltou uma risada baixa enquanto observava a amiga apoiar uma das mãos na cintura diante do espelho.
Clara parecia genuinamente feliz. Estava mais leve, mais apaixonada, como se finalmente tivesse parado de transformar tudo em provocação para admitir que realmente gostava de alguém.
Marina cruzou os braços antes de perguntar com um sorriso desconfiado:
— Certo… agora conta direito como foi esse pedido de namoro.
Clara tentou manter a postura debochada, falhando miseravelmente. Porque o sorriso voltou quase no mesmo instante.
— Adrian apareceu no meu apartamento ontem à noite parecendo um homem prestes a assinar um contrato empresarial importante.
Dayse começou a rir.
— Isso é assustadoramente a cara dele.
— Muito — Clara respondeu rindo. — Ele levou vinho, flores e simplesmente decidiu que nós precisávamos “ter uma conversa séria”.
Marina levou a mão até a boca.
— Meu Deus… ele realmente falou isso?
— Exatamente assim. Com a postura reta, a voz calma e aquela cara de advogado perfeito que resolve tudo com educação e autocontrole.
Dayse balançou a cabeça ainda rindo. Porque Adrian realmente era o completo oposto de Clara.
Ele era controlado, discreto, cuidadoso. Enquanto Clara praticamente atravessava a vida inteira sem freio nenhum. E talvez exatamente por isso os dois funcionassem tão bem juntos.
Clara desviou rapidamente os olhos para o próprio reflexo no espelho antes de continuar:
— Adrian disse que desde Hamptons vinha tentando agir racionalmente em relação a mim… mas que toda vez que me via perto de outro homem ele ficava irritado o suficiente para esquecer completamente o lado civilizado dele.
Marina começou a rir no mesmo instante.
— Isso é muito específico.
— E muito verdadeiro — Clara respondeu com um sorriso satisfeito. — Então ele basicamente disse que estava cansado de agir como se aquilo entre nós fosse casual, porque claramente não era.
Dayse sentiu o peito apertar discretamente.
Porque Adrian deixava claro o que sentia por Clara.
Ele não recuava.
Não fingia indiferença depois.
Não transformava tudo em algo confuso.
Ela abriu outro sorriso antes de completar:
— Depois disso, Adrian Keller literalmente me pediu em namoro no meio da minha sala parecendo um príncipe emocionalmente reprimido tentando fazer tudo da maneira certa.
Marina praticamente suspirou.
— Isso foi ridiculamente romântico.
Clara soltou uma risada baixa.
— Eu sei. E o pior é que aquilo funcionou comigo.
Dayse arqueou lentamente a sobrancelha.
— Só aquilo?
Clara fingiu inocência.
— Claro que não.
Marina começou a rir.
— Clara…
Ela cruzou os braços com falsa dignidade antes de responder:

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