“O verdadeiro problema de certas mulheres não era perceberem que estavam apaixonadas… era o instante em que todos ao redor começavam a enxergar isso também.”
A mansão onde acontecia o evento beneficente da Fundação Fitzgerald parecia saída diretamente da capa de uma revista milionária de Manhattan.
Luzes douradas iluminavam discretamente os jardins impecavelmente organizados, garçons circulavam entre empresários, políticos e jornalistas carregando bandejas de champagne, músicos tocavam jazz suavemente perto da entrada principal e fotógrafos se espalhavam próximos ao tapete preto esperando ansiosamente a chegada dos sobrenomes mais importantes daquela noite.
Edward Fitzgerald já estava irritado.
E talvez o pior fosse o fato de ele saber exatamente o motivo.
Porque fazia quase quinze minutos que permanecia preso na mesma conversa corporativa sem conseguir prestar atenção em absolutamente nada do que o homem à sua frente dizia.
O maxilar estava travado. Os dedos pressionavam o copo de whisky com força demais. E os olhos continuavam voltando involuntariamente para a entrada principal do evento.
Outra vez.
E outra.
E outra.
Adrian percebeu antes mesmo de terminar o próprio champagne.
— Você está assustadoramente nervoso para alguém que normalmente destrói bilionários antes da sobremesa.
Edward nem desviou os olhos da entrada.
— Não estou nervoso.
Adrian soltou uma risada baixa.
— Claro. E eu sou emocionalmente estável.
Edward finalmente lançou um olhar frio para ele.
— Adrian.
— Relaxa — respondeu calmamente enquanto ajeitava o próprio paletó. — Só estou aproveitando esse momento histórico onde Edward Fitzgerald aparentemente desaprendeu a funcionar normalmente porque uma mulher está atrasada.
Edward ignorou completamente o comentário. Mas o problema era que Adrian não estava errado. Porque no instante seguinte, a entrada principal do evento ficou silenciosa de um jeito quase imperceptível.
Edward automaticamente ergueu os olhos e perdeu completamente o foco.
Dayse surgiu no topo da escadaria principal usando um vestido dourado elegante o suficiente para fazer o ambiente inteiro parecer escuro ao redor dela.
O tecido brilhava discretamente conforme ela descia os degraus lentamente, moldando perfeitamente o corpo dela sem parecer vulgar em nenhum momento, enquanto as costas nuas deixavam exposta uma quantidade perigosamente específica de pele capaz de atravessar o autocontrole de qualquer homem minimamente racional.
Os cabelos negros estavam presos em um coque alto impecavelmente elegante, mas alguns fios escapavam propositalmente próximos ao rosto, suavizando discretamente a sofisticação absurda daquela imagem.
E honestamente?
Aquilo foi um problema imediato para Edward Fitzgerald. Porque ele simplesmente esqueceu como respirar normalmente por alguns segundos.
Dayse desceu os últimos degraus tentando ignorar completamente o nervosismo crescendo dentro do próprio peito enquanto percebia vários olhares se voltando discretamente na direção dela.
Mas então encontrou Edward.
E foi pior.
Muito pior.
Porque o olhar dele atravessou ela de um jeito absurdamente intenso no instante em que os olhos dos dois se encontraram.
Edward permaneceu completamente imóvel.
Edward sentiu os dedos apertarem lentamente o copo de whisky no mesmo instante e Margareth percebeu. Ela desviou discretamente os olhos para o neto e encontrou exatamente o que esperava encontrar.
O silêncio perigoso de um homem claramente tentando recuperar algum tipo de controle interno.
Margareth sorriu discretamente enquanto observava o neto, ela conhecia ele bem demais para não perceber o que estava acontecendo diante dos próprios olhos, já que passou a vida inteira assistindo aquele homem esconder emoções atrás de silêncio, recuar sempre que alguma coisa começava a afetá-lo de verdade e erguer barreiras emocionais tão rígidas que praticamente ninguém conseguia atravessar.
Mas naquela noite ele estava olhando para Dayse exatamente do jeito que homens apaixonados olham quando finalmente deixam de conseguir esconder o que sentem.
Margareth então respirou fundo enquanto o sorriso aumentava discretamente nos próprios lábios.
Porque a verdade estava ficando cada vez mais óbvia, aquele contrato tinha deixado de ser apenas um contrato fazia muito, muito tempo.
Edward finalmente começou a caminhar na direção dela sem conseguir desviar os olhos nem por um segundo, mas o verdadeiro problema era perceber que aquilo já não parecia desejo, atração ou obsessão física, porque homens como Edward Fitzgerald conheciam perfeitamente todos esses sentimentos e sempre souberam controlá-los.
Aquilo era diferente.
Perigosamente diferente.
Porque enquanto observava Dayse sorrir entre seus avós como se realmente pertencesse àquele lugar, Edward percebeu uma verdade brutal demais para continuar ignorando:
Ele não estava apenas querendo aquela mulher. Estava começando a precisar dela emocionalmente de um jeito que nunca precisou de ninguém na vida.
E talvez exatamente por isso o medo tenha atravessado seu peito no mesmo instante em que outra certeza finalmente se instalava silenciosamente dentro dele.
Edward Fitzgerald estava apaixonado por Dayse Whitmore.
E pela primeira vez em muitos anos… aquilo o aterrorizava.
Do outro lado do salão, enquanto finalmente caminhava na direção de Dayse sem conseguir desviar os olhos dela nem por um segundo, Edward Fitzgerald percebeu uma coisa perigosamente específica:
Talvez aquela tenha sido a primeira noite em que ele realmente começou a entender o tamanho do problema em que estava emocionalmente envolvido.

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