“Alguns homens passam a vida inteira controlando tudo… até encontrarem uma mulher capaz de fazê-los esquecer, em poucos segundos, como continuar fingindo indiferença.”
O verdadeiro problema daquela noite não era o vestido dourado que Dayse usava, nem os olhares que começavam a acompanhá-la pelo salão luxuoso da Fundação Fitzgerald, mas sim a forma como Edward Fitzgerald permaneceu completamente imóvel no instante em que a viu, porque pela primeira vez em muito tempo o homem acostumado a controlar tudo ao redor parecia incapaz de controlar a própria reação diante de uma mulher.
Edward Fitzgerald demorou vários segundos até finalmente conseguir obrigar o próprio corpo a voltar a funcionar normalmente, mas o verdadeiro problema era que Dayse continuava parada poucos metros à frente dele usando aquele vestido dourado absurdamente elegante, enquanto o tecido brilhava suavemente sob as luzes do salão e as costas nuas era capaz de destruir qualquer tentativa racional de autocontrole masculino.
E Deus…
Aquilo estava acabando com ele.
Dayse desviou os olhos de Margareth para Edward no instante em que percebeu ele caminhando na direção dela, e foi exatamente naquele momento que o coração acelerou de forma tão violenta dentro do peito que ela precisou prender a respiração para não deixar aquilo transparecer diante de todo mundo.
Porque existia alguma coisa diferente no olhar dele naquela noite.
Menos distância.
Menos controle.
Menos esforço para esconder o que sentia.
Edward parou diante dela sem desviar os olhos nem por um segundo, enquanto o salão inteiro parecia desaparecer ao redor dos dois, e os dedos dele deslizaram devagar pela cintura dela antes de segurá-la com firmeza suficiente para fazer um arrepio percorrer a espinha. Ela sentiu o próprio corpo tensionar involuntariamente.
Sempre acontecia quando Edward a tocava daquele jeito, porque mesmo tentando manter a postura controlada, o olhar dele percorria cada detalhe do rosto e do corpo dela como um homem claramente afetado pela própria dificuldade de esconder o quanto a desejava.
Os olhos azuis dele percorreram lentamente o rosto dela, descendo pela boca antes de voltarem a sustentar o olhar dela outra vez, e Dayse percebeu imediatamente o instante exato em que a mandíbula dele endureceu discretamente.
Edward Fitzgerald estava tentando recuperar o controle e claramente não estava conseguindo.
Ele se inclinou devagar, aproximando o rosto do dela até depositar um beijo lento e delicado em seus lábios, mas o problema foi que mesmo um beijo aparentemente simples se transformava em alguma coisa perigosamente intensa quando vinha dele.
Porque Edward beijava como um homem tentando se conter. E talvez exatamente por isso cada toque dele parecesse ainda pior.
Os dedos pressionaram a cintura dela enquanto os lábios permaneciam nos seus por segundos longos demais para serem considerados apenas educados, e Dayse sentiu o estômago apertar no mesmo instante, quando ele se afastou apenas o suficiente para ele aproximar o rosto do dela antes de sussurrar em voz baixa:
— Você está linda.
O coração dela praticamente tropeçou dentro do peito.
Margareth sorriu no mesmo instante e Augustus também.
Porque pela primeira vez desde o início daquele contrato absurdo, Edward Fitzgerald não parecia um homem fingindo proximidade em público. Parecia apenas um homem completamente fascinado pela mulher à sua frente.
Dayse sentiu o rosto esquentar enquanto tentava inutilmente controlar a própria respiração.
— Você também não está nada mal — respondeu baixinho.
O canto da boca dele finalmente se moveu num sorriso pequeno e raro demais, enquanto os olhos continuavam presos nela com intensidade suficiente para deixá-la ainda mais nervosa.
Então os dois acabaram rindo baixo ao mesmo tempo, e aquilo pareceu íntimo.
Margareth observou os dois por alguns segundos antes de finalmente se aproximar com um sorriso satisfeito.
— Você não faz ideia do que está fazendo comigo essa noite. — sussurrou com a voz baixa e rouca demais.
O coração de Dayse acelerou tão forte que ela sentiu as pernas enfraquecerem.
Augustus observava a cena em silêncio com um orgulho impossível de esconder, porque conhecia o neto bem demais para não perceber o que estava acontecendo diante dos seus olhos.
Edward Fitzgerald estava apaixonado.
Completamente.
Mesmo que ainda estivesse tentando lutar contra isso.
Quando Edward finalmente voltou a encarar Dayse, alguma coisa na expressão dele parecia próxima de perder o controle outra vez, mas ainda assim ele deslizou os dedos pelo rosto dela num gesto absurdamente carinhoso antes de dizer baixo:
— Depois nós conversamos.
Dayse apenas assentiu porque sinceramente já não confiava na própria voz naquele momento.
E talvez exatamente aquele fosse o verdadeiro problema daquela noite:
Pela primeira vez desde o início daquele contrato, Edward Fitzgerald estava começando a parar de esconder em público aquilo que já não conseguia mais controlar em particular.
Enquanto Margareth conduzia Dayse pelo salão lotado de empresários e socialites importantes, Edward continuou observando a mulher de dourado se afastar com os dedos ainda tensionados ao lado do corpo, porque o gosto dela permanecia preso irritantemente em sua boca e uma verdade desconfortável finalmente começava a ficar impossível de ignorar:
Ele já não sabia mais onde exatamente terminava o contrato… e começava o homem completamente desesperado para não perder aquela mulher.

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