“O tipo mais perigoso de mulher não é aquela que odeia um homem… é aquela que se recusa a aceitar que perdeu espaço na vida dele.”
Liliana Hart conhecia Edward Fitzgerald bem demais para ignorar a maneira como ele olhava para Dayse Whitmore naquela noite, e talvez esse fosse exatamente o verdadeiro problema, porque homens podiam mentir com palavras, manipular situações e esconder intenções atrás de contratos cuidadosamente construídos, mas o corpo raramente conseguia esconder quando sentimentos reais começavam lentamente a atravessar uma relação.
E Edward Fitzgerald estava começando a cometer erros emocionais perigosos demais para um homem que sempre transformou autocontrole em parte da própria identidade.
Liliana observava tudo do outro lado do salão enquanto segurava calmamente uma taça de champagne entre os dedos, mantendo a postura impecável e o sorriso social perfeitamente treinado que qualquer mulher da elite empresarial americana aprendia cedo a sustentar em ambientes como aquele, mas por dentro alguma coisa começava lentamente a escurecer de um jeito perigosamente irritado.
Porque Edward nunca tinha olhado para ela daquele jeito.
Nunca.
Não daquela forma absurdamente obsessiva, nem daquela forma territorial, ou distraída. E definitivamente nunca atravessou um salão inteiro apenas porque outro homem estava perto dela.
Mas naquela noite ele fez exatamente isso.
Liliana observou atentamente o instante em que Edward praticamente arrancou Dayse da conversa com Maksin Volkov usando aquela calma fria para parecer racional, e naquele momento alguma coisa se contraiu imediatamente dentro do peito dela.
Porque agora finalmente entendia.
O acordo. O noivado repentino. A aproximação absurda entre os dois. A maneira como Edward parava de funcionar normalmente perto dela.
Aquilo nunca foi apenas um erro jurídico.
Edward Fitzgerald estava emocionalmente envolvido com Dayse Whitmore.
Os dedos apertaram discretamente a haste da taça antes dela respirar fundo. Talvez nada tenha conseguido irritá-la tanto nos últimos anos.
Porque Dayse não fazia sentido dentro do universo de Edward Fitzgerald.
Ela não vinha das famílias certas, não possuía o sobrenome adequado e definitivamente não fazia parte daquele universo cruelmente sofisticado onde homens como Edward normalmente escolhiam mulheres parecidas consigo mesmos.
E ainda assim… Edward Fitzgerald parecia completamente obcecado por ela.
Liliana levou lentamente a taça até os lábios numa tentativa inútil de controlar a irritação quando outra movimentação do outro lado do salão finalmente chamou sua atenção.
Stephanie Seymour.
A jornalista permanecia próxima ao bar agora, mas o sorriso elegante que sustentava anteriormente já tinha desaparecido completamente, dando lugar a uma expressão irritada demais para alguém acostumada a esconder desconforto social com perfeição.
— Interessante….
Liliana acompanhou discretamente a direção do olhar dela até encontrar Dayse do outro lado do ambiente, e foi naquele instante que percebeu que existia ressentimento demais naquela expressão para ser apenas a irritação momentânea de uma mulher ignorada por um homem atraente.
O canto da boca de Liliana se moveu lentamente. Porque mulheres inteligentes reconhecem o ódio feminino imediatamente. E Stephanie Seymour parecia odiar Dayse Whitmore num nível perigosamente pessoal.
— Perfeito.
Liliana atravessou lentamente o salão na direção da jornalista usando a mesma elegância impecável que sustentava em qualquer ambiente social importante até finalmente parar ao lado dela próximo ao bar.
— Stephanie Seymour, certo? — perguntou suavemente.
Stephanie virou o rosto imediatamente.
O reconhecimento surgiu rápido na expressão dela. Todo o mercado financeiro americano conhecia a advogada Liliana Hart.
— Doutora Liliana Hart — respondeu com um sorriso educado. — Acho que já li seu nome mais vezes do que gostaria em relatórios ligados à Fitzgerald Corporation.
Liliana soltou uma risada baixa.
— Isso normalmente significa problema jurídico, dinheiro demais envolvido ou Edward Fitzgerald irritado com alguma coisa.
Stephanie sorriu minimamente dessa vez. Mas não relaxou.
E aquilo apenas confirmou ainda mais as suspeitas de Liliana.
Porque a atenção dela continuava voltando para Dayse o tempo inteiro.
Então Liliana decidiu testar.
— Imagino que entrevistar Edward Fitzgerald não seja exatamente simples.

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