“O ciúme se torna perigoso no instante em que um homem percebe que outra pessoa ainda consegue arrancar sorrisos da mulher que ele ama.”
Edward Fitzgerald chegou à Fitzgerald Corporation cedo demais naquela manhã, mas honestamente dormir havia se tornado praticamente impossível desde a conversa com Adrian na noite anterior. Pela primeira vez em muito tempo alguém teve coragem suficiente para colocar diante dele uma verdade que Edward vinha evitando aceitar desde o início.
O que existia entre ele e Dayse já não era mais um contrato construído para sustentar aparências diante da sociedade, aquilo tinha se transformado em alguma coisa muito mais profunda, perigosa e real do que Edward Fitzgerald jamais planejou permitir.
Pela primeira vez em muito tempo Edward começava a admitir que o problema já não era apenas o desejo que sentia por Dayse. Porque desejo ele sempre soube controlar. O que não sabia controlar era a inquietação constante que surgia sempre que ela se afastava, a irritação que sentia quando outro homem chamava a atenção dela e a sensação cada vez mais desconfortável de que já não ocupava o lugar que queria ocupar na vida dela.
Talvez fosse exatamente por isso que a conversa com Adrian tenha sido tão difícil de ignorar. Porque pela primeira vez alguém tinha colocado em voz alta uma verdade que Edward já não conseguia afastar sozinho.
Ele caminhava em direção ao departamento jurídico com a intenção clara de procurar Dayse antes de qualquer reunião, ligação ou problema corporativo, porque depois da conversa da noite anterior alguma coisa dentro dele finalmente parecia cansada demais para continuar fugindo.
Mas os passos desaceleraram no instante em que uma risada baixa atravessou o corredor.
Ele conhecia aquela risada e automaticamente, seus olhos desviaram naquela direção.
Dayse estava parada próxima à mesa de Marina segurando alguns documentos contra o peito enquanto conversava com Maksin Volkov, e por alguns segundos Edward simplesmente permaneceu imóvel observando a cena à distância sem que nenhum dos dois percebesse sua presença.
Maksin falava alguma coisa em russo com aquele maldito sorriso provocador que Edward já tinha aprendido a odiar profundamente.
Então Dayse riu.
Não foi uma risada exagerada, nem alta.
Foi pequena. Natural. Bonita.
Mas ainda assim alguma coisa irracional atravessou o peito de Edward no instante em que viu outro homem sendo capaz de arrancar aquele sorriso dela com facilidade enquanto ele próprio parecia destruir emocionalmente Dayse toda vez que tentava se aproximar.
A mandíbula dele travou imediatamente. Os dedos apertaram lentamente a pasta que carregava nas mãos.
Porque a pior parte não era apenas o ciúme. Era perceber que Maksin aparentemente conseguia deixar Dayse confortável enquanto ela continuava emocionalmente ferida por causa dele.
Edward observou o advogado russo se inclinar minimamente na direção dela enquanto dizia mais alguma coisa em tom baixo, e quando Dayse voltou a sorrir outra vez, alguma coisa perigosamente possessiva se moveu dentro dele.
Uma sensação forte, escura e profundamente instintiva atravessou o peito dele com intensidade suficiente para fazê-lo perceber o quanto aquela situação estava começando a afetá-lo.
Por um segundo inteiro Edward realmente cogitou atravessar aquele corredor imediatamente, mas recuou.
Porque Adrian tinha razão. Se continuasse reagindo apenas através da posse e do controle, acabaria destruindo qualquer chance real que ainda existia entre ele e Dayse.
Respirou fundo, desviou os olhos e recuou devagar em direção ao elevador privativo antes que Dayse percebesse que ele estava ali.
O problema era que o estrago emocional já tinha sido feito.
A secretária hesitou minimamente ao perceber a tensão evidente escondida por trás da aparente tranquilidade dele.
— Agora?
Edward sustentou o olhar dela por um segundo inteiro antes de responder em voz baixa:
— Eu não costumo repetir ordens.
— Claro, senhor Fitzgerald.
A porta se fechou novamente, deixando Edward sozinho dentro da sala. Ele permaneceu observando Manhattan através do vidro durante vários segundos, com a expressão impassível e os ombros rígidos, enquanto organizava os próprios pensamentos.
Durante semanas ele havia ignorado todos os sinais, convencendo a si mesmo de que mantinha o controle da situação, mas a irritação que sentia toda vez que Maksim falava com Dayse, a raiva irracional que experimentou ao vê-la com Peter e o incômodo crescente diante da simples possibilidade de perdê-la já eram evidências difíceis demais para serem ignoradas.
Talvez Adrian estivesse certo sobre muitas coisas, mas existia um detalhe que Edward simplesmente não conseguia ignorar.
Ele já não conseguia olhar para Dayse apenas como uma mulher com quem dividia um contrato. Em algum momento que ele sequer soube identificar, passou a enxergá-la como alguém que pertencia ao espaço mais íntimo da própria vida, e talvez fosse exatamente isso que tornava a ideia de perdê-la tão insuportável.
Do outro lado do corredor, Dayse ainda segurava os documentos contra o peito quando Megan se aproximou discretamente da mesa dela antes de anunciar em voz baixa que o senhor Fitzgerald queria vê-la imediatamente.
E pela expressão séria da secretária, Dayse compreendeu na mesma hora que Edward provavelmente já estava furioso antes mesmo dela entrar naquela sala.

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