“O amor começa a ficar perigoso no instante em que o ciúme deixa de ser orgulho… e começa a parecer medo.”
Dayse Whitmore atravessou a porta da sala de Edward Fitzgerald poucos minutos depois do chamado da secretária, mas bastou erguer os olhos na direção dele para perceber imediatamente que alguma coisa estava profundamente errada naquela manhã.
Edward permanecia parado próximo à enorme parede de vidro do escritório, observando Manhattan lá embaixo com uma das mãos apoiadas dentro do bolso da calça social enquanto a outra segurava lentamente um copo de água.
Mas o detalhe que realmente fez um arrepio desconfortável atravessar o corpo de Dayse, foi perceber que ele nem sequer virou imediatamente para encará-la.
Aquilo nunca era um bom sinal.
Ela fechou a porta atrás de si lentamente antes de perguntar em um tom profissional demais:
— O senhor queria falar comigo?
Edward finalmente virou devagar o rosto na direção dela.
Os olhos azuis deslizaram pelo corpo dela de maneira silenciosa e observadora demais, demorando alguns segundos além do necessário no anel que ainda permanecia em seu dedo antes dele finalmente responder:
— Estava ocupada?
A pergunta soou calma. Mas Dayse conhecia aquele homem o suficiente para perceber a irritação escondida por trás da aparente tranquilidade.
Ela franziu levemente a testa.
— Não.
Edward assentiu minimamente enquanto apoiava o copo sobre a mesa atrás dele.
— Curioso.
A voz saiu baixa, controlada e debochadamente elegante.
Dayse estreitou levemente os olhos.
— E isso é um problema?
— Depende.
— Depende do quê?
Edward sustentou o olhar dela durante alguns segundos.
— Depende de quem estava fazendo você sorrir daquele jeito.
O estômago dela apertou imediatamente.
Então ele tinha visto?
Dayse cruzou lentamente os braços enquanto sustentava o olhar dele.
— Está falando sobre Maksin?
Edward soltou uma risada baixa pelo nariz, mas sem qualquer traço real de humor.
— Interessante como você respondeu rápido demais sem que eu precisasse citar o nome dele.
A irritação subiu imediatamente pelo peito dela.
— Nós estávamos apenas conversando.
Edward inclinou minimamente a cabeça para o lado enquanto começava a caminhar lentamente na direção dela.
Sem pressa, como um homem perigosamente irritado tentando manter o controle da própria postura.
— Conversando… — Ele repetiu lentamente enquanto os olhos percorriam o rosto dela com intensidade desconfortável. — É assim que prefere definir aquilo?
Dayse soltou uma respiração incrédula.
— Pelo amor de Deus, Edward.
— Eu realmente adoraria acreditar que Maksin Volkov circula ao redor da minha noiva apenas por interesse profissional, mas infelizmente homens como ele raramente se aproximam de mulheres bonitas sem uma segunda intenção muito clara.
Aquilo foi suficiente para fazê-la perder completamente a paciência.
— Você por acaso acha que eu sou como você, senhor Fitzgerald?
A pergunta saiu afiada.
Instantânea.
Os olhos dele escureceram imediatamente.
— Como eu?
Dayse deu um passo na direção dele.
— Sim. Como você.
Edward arqueou minimamente a sobrancelha enquanto o maxilar travava devagar.
— E posso saber exatamente que tipo de homem eu sou na sua opinião, senhorita Whitmore?
Ela sustentou o olhar dele sem recuar um centímetro sequer.
— Você é um homem arrogante que acredita sinceramente que pode controlar tudo ao redor apenas porque possui dinheiro, influência e poder suficiente para fazer as pessoas obedecerem.
Edward permaneceu em silêncio. Mas a tensão na mandíbula dele piorou imediatamente.
Dayse continuou antes que a própria mágoa permitisse que ela recuasse.

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