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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 186

“Algumas mulheres não invadem a vida de um homem pela porta… invadem pela rotina.”

O elevador privativo subiu lentamente até a cobertura de Edward Fitzgerald enquanto o silêncio permanecia suspenso entre os dois de um jeito estranho demais para continuar parecendo desconfortável.

O problema talvez fosse que o silêncio entre eles já não carregava distância, carregava intimidade.

Dayse permaneceu imóvel ao lado da própria mala enquanto observava os números luminosos do painel mudarem devagar acima da porta espelhada do elevador, sentindo o coração bater forte dentro do peito conforme a dimensão real daquela decisão finalmente começava a esmagar lentamente todos os pensamentos racionais que ela ainda tentava sustentar.

Ela realmente estava indo morar com Edward Fitzgerald.

Não estava indo para um jantar, ou uma reunião nem uma discussão carregada de tensão sexual dentro do escritório dele.

Estava indo morar com ele. Conviver, dividir manhãs, noites, silêncios e espaço com o homem mais emocionalmente complicado que ela já conheceu na vida inteira.

Os dedos dela apertaram discretamente a alça da mala e os olhos azuis dele desviaram até ela por um instante curto demais antes dele perguntar em voz baixa, sem tirar completamente a postura rígida que sustentava desde que deixaram a empresa:

— Arrependida?

Dayse ergueu imediatamente o rosto na direção dele.

— Nem um pouco.

A resposta saiu rápida e firme.

E aquilo fez uma reação discreta atravessar o rosto dele antes de Edward desviar os olhos outra vez.

Dayse percebeu claramente que ele estava tentando esconder o quanto tinha gostado da resposta dela, era como se demonstrar qualquer satisfação significasse perder parte do controle que ainda tentava manter perto dela.

As portas do elevador finalmente se abriram diretamente dentro da cobertura.

O apartamento permanecia impecavelmente elegante como sempre, cercado pelas enormes paredes de vidro que deixavam Manhattan inteira brilhando do lado de fora como uma constelação dourada atravessando a madrugada, mas naquela noite alguma coisa parecia diferente aos olhos de Dayse.

Mais íntima.

Mais masculina.

Mais perigosa.

Ela caminhou devagar para dentro enquanto Edward puxava silenciosamente a mala atrás dela, e bastaram poucos passos para pequenos detalhes começarem lentamente a chamar atenção dela de um jeito completamente diferente daquela vez.

O relógio deixado sobre a bancada de mármore. Uma gravata escura esquecida no braço do sofá. O perfume masculino espalhado discretamente pelo ar. Uma camisa social dobrada descuidadamente sobre a poltrona próxima à janela.

Aquilo parecia íntimo demais.

Os olhos dela percorreram lentamente a cobertura enquanto alguma coisa absurdamente quente atravessava seu peito ao perceber que estava entrando não apenas no apartamento dele, mas no mundo dele.

Edward observava tudo em silêncio.

Observava o jeito como os olhos dela percorriam cuidadosamente cada espaço daquele lugar. Como os dedos femininos roçavam distraidamente a superfície da bancada enquanto ela absorvia silenciosamente todos os detalhes da vida dele espalhados pelo apartamento.

O maxilar dele travou discretamente.

— Eu pedi para prepararem o quarto.

Dayse piscou lentamente antes de virar o rosto na direção dele.

— Quarto?

O silêncio caiu imediatamente entre os dois.

Edward desviou os olhos dela por um segundo curto demais antes de responder:

— Achei que você...

A voz saiu baixa, controlada. Mas alguma coisa dentro dela vacilou imediatamente diante daquela resposta.

Aquilo não pareceu distância, pareceu esforço masculino, silencioso e quase doloroso de um homem tentando respeitar limites enquanto claramente desejava atravessar todos eles.

Dayse sustentou o olhar dele por alguns segundos sem dizer nada, porque pela primeira vez desde que entrou naquela cobertura finalmente percebeu uma coisa perigosamente importante:

Edward Fitzgerald estava tentando.

Do jeito torto, controlado e emocionalmente impossível dele.

Mas estava tentando.

Ela respirou fundo antes de perguntar baixinho:

— Onde fica?

Edward demorou um segundo além do necessário para responder, como se ainda estivesse reorganizando a própria cabeça antes de finalmente pegar a mala outra vez.

— Vem.

Dayse caminhou atrás dele pelo corredor enorme da cobertura enquanto o coração continuava batendo rápido dentro do peito, mas talvez o pior fosse perceber que quanto mais seguia Edward por aquele apartamento, mais íntimo tudo começava a parecer.

Porque aquele homem ocupava espaço em tudo.

Na maneira como o perfume dele permanecia espalhado pelo ar. Na decoração elegante e sóbria. Nos livros organizados cuidadosamente na estante. No silêncio absurdamente masculino daquele lugar inteiro.

Edward parou diante de uma das portas do corredor antes de abri-la lentamente.

O quarto era lindo, elegante e grande demais.

Mas diferente do restante da cobertura, existia alguma coisa mais confortável ali. Mais acolhedora, como se Edward realmente tivesse pensado nela enquanto preparava aquele espaço.

Dayse entrou devagar enquanto observava tudo ao redor, mas antes que tivesse tempo de dizer qualquer coisa, sentiu os olhos dele presos nela outra vez.

— Ótimo.

Mentira.

E ela percebeu imediatamente. Porque pela maneira como ele ainda permanecia parado ali observando-a em silêncio, como se simplesmente não conseguisse virar as costas e sair daquele quarto, ficou claro que Edward já começava lentamente a odiar a distância entre eles.

Dayse quase sorriu, mas se conteve. Porque não entregaria tão facilmente o quanto aquilo também estava mexendo com ela.

Edward então respirou fundo antes de finalmente virar o corpo na direção da porta.

— Boa noite, Dayse.

— Boa noite, Edward.

E saiu do quarto.

Alguns minutos depois, enquanto Dayse terminava de organizar parte das roupas dentro do closet enorme do quarto, ela percebeu que o perfume dele permaneceu impregnado dentro do quarto.

Dayse soltou uma risada baixa sozinha antes de fechar os olhos por um instante.

Meu Deus.

Conviver com Edward Fitzgerald talvez fosse uma ideia muito pior do que ela imaginou.

Mais tarde, já perto da madrugada, Dayse saiu silenciosamente do quarto em busca de água usando apenas uma camiseta social branca que provavelmente pertencia a Edward e que encontrou na sala.

A barra terminava perigosamente curta em suas pernas e o tecido carregava o perfume dele.

No fundo, Dayse sabia exatamente o efeito que aquilo provavelmente causaria naquele homem.

Os pés descalços atravessaram o corredor até a cozinha iluminada apenas pelas luzes suaves da bancada.

Mas no instante em que entrou no ambiente, ela parou porque Edward estava ali.

Encostado na bancada de mármore com um copo de whisky entre os dedos. Estava sem gravata, com os primeiros botões da camisa abertos, o olhar cansado e perigosamente bonito daquele jeito silencioso e masculino que parecia destruir lentamente qualquer capacidade racional dela perto dele.

Os olhos azuis ergueram automaticamente na direção dela e então congelaram completamente.

Dayse viu o instante exato em que o corpo dele perdeu parte da rigidez controlada que vinha sustentando até então.

Os dedos apertaram lentamente o copo de whisky enquanto o olhar descia sem pressa pelas pernas dela.

O silêncio ficou imediatamente pesado e íntimo demais.

Mas talvez o verdadeiro problema fosse perceber que Edward Fitzgerald já não parecia apenas afetado. Parecia um homem perigosamente perto de perder o restante do controle que ainda tentava sustentar desde que ela entrou naquela cobertura.

E pela maneira como Edward continuava olhando para ela sem conseguir desviar os olhos, Dayse percebeu que dormir sob o mesmo teto daquele homem talvez fosse o começo da pior e mais irresistível ideia da vida dos dois.

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