“Algumas mulheres não invadem a vida de um homem pela porta… invadem pela rotina.”
O elevador privativo subiu lentamente até a cobertura de Edward Fitzgerald enquanto o silêncio permanecia suspenso entre os dois de um jeito estranho demais para continuar parecendo desconfortável.
O problema talvez fosse que o silêncio entre eles já não carregava distância, carregava intimidade.
Dayse permaneceu imóvel ao lado da própria mala enquanto observava os números luminosos do painel mudarem devagar acima da porta espelhada do elevador, sentindo o coração bater forte dentro do peito conforme a dimensão real daquela decisão finalmente começava a esmagar lentamente todos os pensamentos racionais que ela ainda tentava sustentar.
Ela realmente estava indo morar com Edward Fitzgerald.
Não estava indo para um jantar, ou uma reunião nem uma discussão carregada de tensão sexual dentro do escritório dele.
Estava indo morar com ele. Conviver, dividir manhãs, noites, silêncios e espaço com o homem mais emocionalmente complicado que ela já conheceu na vida inteira.
Os dedos dela apertaram discretamente a alça da mala e os olhos azuis dele desviaram até ela por um instante curto demais antes dele perguntar em voz baixa, sem tirar completamente a postura rígida que sustentava desde que deixaram a empresa:
— Arrependida?
Dayse ergueu imediatamente o rosto na direção dele.
— Nem um pouco.
A resposta saiu rápida e firme.
E aquilo fez uma reação discreta atravessar o rosto dele antes de Edward desviar os olhos outra vez.
Dayse percebeu claramente que ele estava tentando esconder o quanto tinha gostado da resposta dela, era como se demonstrar qualquer satisfação significasse perder parte do controle que ainda tentava manter perto dela.
As portas do elevador finalmente se abriram diretamente dentro da cobertura.
O apartamento permanecia impecavelmente elegante como sempre, cercado pelas enormes paredes de vidro que deixavam Manhattan inteira brilhando do lado de fora como uma constelação dourada atravessando a madrugada, mas naquela noite alguma coisa parecia diferente aos olhos de Dayse.
Mais íntima.
Mais masculina.
Mais perigosa.
Ela caminhou devagar para dentro enquanto Edward puxava silenciosamente a mala atrás dela, e bastaram poucos passos para pequenos detalhes começarem lentamente a chamar atenção dela de um jeito completamente diferente daquela vez.
O relógio deixado sobre a bancada de mármore. Uma gravata escura esquecida no braço do sofá. O perfume masculino espalhado discretamente pelo ar. Uma camisa social dobrada descuidadamente sobre a poltrona próxima à janela.
Aquilo parecia íntimo demais.
Os olhos dela percorreram lentamente a cobertura enquanto alguma coisa absurdamente quente atravessava seu peito ao perceber que estava entrando não apenas no apartamento dele, mas no mundo dele.
Edward observava tudo em silêncio.
Observava o jeito como os olhos dela percorriam cuidadosamente cada espaço daquele lugar. Como os dedos femininos roçavam distraidamente a superfície da bancada enquanto ela absorvia silenciosamente todos os detalhes da vida dele espalhados pelo apartamento.
O maxilar dele travou discretamente.
— Eu pedi para prepararem o quarto.
Dayse piscou lentamente antes de virar o rosto na direção dele.
— Quarto?
O silêncio caiu imediatamente entre os dois.
Edward desviou os olhos dela por um segundo curto demais antes de responder:
— Achei que você...
A voz saiu baixa, controlada. Mas alguma coisa dentro dela vacilou imediatamente diante daquela resposta.
Aquilo não pareceu distância, pareceu esforço masculino, silencioso e quase doloroso de um homem tentando respeitar limites enquanto claramente desejava atravessar todos eles.
Dayse sustentou o olhar dele por alguns segundos sem dizer nada, porque pela primeira vez desde que entrou naquela cobertura finalmente percebeu uma coisa perigosamente importante:
Edward Fitzgerald estava tentando.
Do jeito torto, controlado e emocionalmente impossível dele.
Mas estava tentando.
Ela respirou fundo antes de perguntar baixinho:
— Onde fica?
Edward demorou um segundo além do necessário para responder, como se ainda estivesse reorganizando a própria cabeça antes de finalmente pegar a mala outra vez.
— Vem.
Dayse caminhou atrás dele pelo corredor enorme da cobertura enquanto o coração continuava batendo rápido dentro do peito, mas talvez o pior fosse perceber que quanto mais seguia Edward por aquele apartamento, mais íntimo tudo começava a parecer.
Porque aquele homem ocupava espaço em tudo.
Na maneira como o perfume dele permanecia espalhado pelo ar. Na decoração elegante e sóbria. Nos livros organizados cuidadosamente na estante. No silêncio absurdamente masculino daquele lugar inteiro.
Edward parou diante de uma das portas do corredor antes de abri-la lentamente.
O quarto era lindo, elegante e grande demais.
Mas diferente do restante da cobertura, existia alguma coisa mais confortável ali. Mais acolhedora, como se Edward realmente tivesse pensado nela enquanto preparava aquele espaço.
Dayse entrou devagar enquanto observava tudo ao redor, mas antes que tivesse tempo de dizer qualquer coisa, sentiu os olhos dele presos nela outra vez.

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