“O perigo da convivência nunca foi o desejo. Foi a intimidade.”
Dormir na cobertura de Edward Fitzgerald já tinha parecido uma ideia emocionalmente perigosa na noite anterior.
O verdadeiro problema começou na manhã seguinte, quando Dayse percebeu o quanto a convivência silenciosa daquele homem conseguia parecer íntima.
Dayse acordou antes do despertador.
Por alguns segundos permaneceu imóvel encarando o teto desconhecido enquanto tentava reorganizar a própria cabeça o suficiente para lembrar onde estava, mas bastou o perfume masculino ainda espalhado discretamente pelo quarto para a memória da noite anterior atravessar imediatamente sua mente.
A cobertura.
Ela realmente tinha dormido na casa dele. Não no mesmo quarto, nem na mesma cama, mas no quarto que ele tinha mandado preparar para ela.
A constatação fez alguma coisa quente atravessar seu peito enquanto Dayse se sentava devagar na cama ainda bagunçada, passando a mão pelos cabelos antes de soltar uma respiração baixa pelo nariz.
O silêncio do apartamento permanecia absoluto naquela manhã.
Dayse caminhou descalça até o banheiro ainda sonolenta demais para pensar racionalmente em qualquer coisa além da necessidade urgente de café, mas quando voltou para o quarto alguns minutos depois usando apenas um short curto de algodão e uma camisa larga de malha que escorregava preguiçosamente por um dos ombros deixando parte da pele exposta, percebeu outra coisa absurdamente inconveniente:
Ela já começava aos poucos a agir como uma mulher que realmente pertencia àquela cobertura.
O cabelo ainda bagunçado da noite, a roupa confortável, os pés descalços atravessando o corredor da cobertura como se ela já pertencesse àquele lugar.
Ela definitivamente precisava parar de pensar daquele jeito antes de enlouquecer junto com Edward. Precisava ser sábia e agir conforme os conselhos de Margareth, mas também precisava ser forte e não ceder aos encantos dele.
A cozinha estava silenciosa quando entrou ali.
A luz suave da manhã atravessava as enormes paredes de vidro iluminando lentamente o mármore escuro da bancada enquanto Manhattan despertava do lado de fora, mas naquele instante a única coisa ocupando completamente a atenção dela era a máquina de café absurdamente tecnológica parada no centro da cozinha.
Dayse estreitou minimamente os olhos.
— Isso definitivamente é exagero para uma máquina de café.
Ela apertou um botão e nada. Depois, apertou outro e nada outra vez.
Cinco minutos depois já estava irritada encarando aquela monstruosidade prateada como se estivesse prestes a declarar guerra contra ela.
— Você está brigando com a máquina faz exatamente quanto tempo?
A voz masculina atravessou a cozinha carregada daquele tom rouco típico de alguém que claramente tinha acabado de acordar.
Dayse virou o rosto imediatamente e o coração vacilou imediatamente.
Edward estava parado próximo ao corredor usando apenas uma calça social escura e uma camisa branca parcialmente aberta no colarinho. O cabelo ainda permanecia levemente bagunçado do banho recente, algumas mechas úmidas caindo de maneira desordenada sobre a testa, enquanto a expressão cansada e silenciosa dele carregava aquele tipo de masculinidade madura e perigosamente atraente que parecia destruir qualquer tentativa racional de Dayse continuar se protegendo emocionalmente perto dele.
Os olhos azuis percorreram automaticamente o corpo dela e então ele simplesmente parou.
Dayse corou imediatamente ao perceber a mudança na postura dele, porque Edward perdeu parte daquela firmeza controlada que normalmente mantinha o tempo inteiro. E pior ainda foi notar o jeito como os olhos azuis demoraram alguns segundos além do necessário nas pernas nuas dela antes de finalmente subirem outra vez até seu rosto, como se ele estivesse tentando disfarçar o quanto aquela visão tinha afetado ele.
Edward desviou os olhos primeiro, como se estivesse tentando inutilmente recuperar algum tipo de controle mental antes de finalmente caminhar até a bancada.
— Você precisava apertar esse botão primeiro.
A voz saiu mais grave e mais baixa daquela vez.
Dayse observou os dedos masculinos apertarem calmamente um dos comandos da máquina antes do café finalmente começar a descer.
Ela arqueou minimamente a sobrancelha.
— Isso foi humilhante.
Uma reação divertida atravessou o rosto dele.
— Você sobrevive.
Dayse pegou a xícara ainda quente alguns segundos depois antes de tomar um gole pequeno.
E imediatamente fez uma careta.
Edward percebeu na mesma hora.
Os olhos azuis desviaram até ela outra vez.
— O que foi?
Dayse sustentou o olhar dele por um instante antes de responder honestamente:
— Seu café é horrível.
Aquilo fez uma reação discreta atravessar o rosto masculino antes dele apoiar as duas mãos sobre a bancada.
— E mesmo assim você está tomando.
Dayse tomou mais um gole só para provocá-lo antes de responder:
— Talvez eu goste de sofrer.
O silêncio que surgiu entre os dois foi pequeno e intenso. Edward claramente não sabia mais separar onde terminava a provocação e onde começava o efeito absurdamente real que aquela mulher causava nele.
Dayse desviou os olhos antes que o próprio corpo começasse a reagir à maneira intensa como ele continuava olhando para ela naquela cozinha.

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