“O verdadeiro problema de alguns homens nunca foi o desejo. Foi perceber cedo demais que já não conseguem mais controlá-lo.”
O verdadeiro problema de dividir a mesma cobertura com Dayse nunca foi a convivência. Foi perceber que Edward já não confiava no próprio autocontrole perto dela.
Edward Fitzgerald chegou à Fitzgerald Corporation mais cedo do que o normal naquela manhã, ele praticamente não tinha conseguido dormir.
Desde o instante em que Dayse apareceu de madrugada usando aquela camisa larga caída sobre um dos ombros, descalça e ainda sonolenta, alguma coisa dentro de Edward simplesmente tinha parado de funcionar direito.
E aquilo era um problema.
Um problema perigosamente grande.
Os passos masculinos atravessaram o hall principal da empresa num ritmo acelerado, enquanto os funcionários imediatamente se afastavam do caminho ao perceberem a tensão evidente escondida atrás da postura impecavelmente controlada dele.
— Bom dia, senhor Fitzgerald.
— Senhor Fitzgerald.
— Bom dia.
Edward ignorou praticamente todos os cumprimentos.
O maxilar permanecia rigidamente tensionado enquanto ele afrouxava minimamente o nó da gravata antes mesmo de entrar no elevador privativo, porque a única coisa ocupando completamente a cabeça dele naquela manhã era Dayse.
Dayse usando a camisa dele. Ela se inclinando sobre o balcão, usando aquele short curto e aquela camisa larga que não escondia absolutamente nada. Dayse olhando para ele daquele jeito perigosamente calmo enquanto claramente percebia o efeito que causava nele.
Edward fechou os olhos por um segundo curto dentro do elevador enquanto soltava devagar o ar pelo nariz.
Ele queria beijá-la naquela cozinha.
Tinha desejado atravessar a distância entre os dois, segurá-la pela cintura e esquecer completamente qualquer noção racional de autocontrole que ainda tentava sustentar desde que Dayse entrou naquela cobertura.
E aquilo sozinho já deveria ter sido suficiente para preocupá-lo. Porque Edward raramente desejava alguma coisa sem eventualmente acabar tomando posse dela.
A porta do elevador se abriu diretamente no último andar da empresa. Megan levantou imediatamente ao vê-lo atravessar o corredor principal em silêncio.
O tablet já estava em suas mãos.
— Senhor Fitzgerald, os acionistas anteciparam a reunião das dez e também tivemos uma alteração no cronograma da…
— Assim que Adrian chegar, mande ele entrar na minha sala.
A interrupção saiu imediatamente.
Megan piscou rapidamente antes de assentir.
— Claro, senhor Fitzgerald.
Edward continuou andando sem diminuir o ritmo até a própria sala, e bastou a porta do escritório se fechar atrás dele para o restante do controle que ainda sustentava começar a rachar.
A gravata foi afrouxada imediatamente. Os dedos masculinos deslizaram pelos cabelos antes dele caminhar diretamente até a enorme parede de vidro da sala.
Manhattan brilhava lá embaixo, mas Edward mal enxergava a cidade, a única coisa que ocupava a mente dele, era a lembrança de Dayse naquela cozinha.
O short curto. As pernas nuas. O contorno dos seios, marcado discretamente pela camisa fina. A maneira como ela desceu lentamente da bancada sem parar de olhar para ele.
Merda.
Ele realmente estava começando a perder o controle.
Os dedos apertaram a própria cintura enquanto ele fechava os olhos por um instante.
Ele realmente não fazia ideia de como dividir o mesmo apartamento com aquela mulher sem acabar tocando nela.
A porta da sala se abriu sem aviso alguns minutos depois e Adrian entrou já tirando o paletó enquanto observava silenciosamente o amigo parado diante da parede de vidro.
Adrian precisou de menos de cinco segundos olhando para o rosto do amigo para perceber que alguma coisa definitivamente tinha acontecido naquela cobertura.
E pela tensão evidente na mandíbula de Edward, provavelmente envolvia Dayse Whitmore.
— Nossa.
A voz dele saiu carregada de diversão.
— Você está com cara de homem emocionalmente destruído.
Edward virou o rosto na direção do amigo.
Os olhos azuis carregavam uma irritação silenciosa e perigosamente cansada.

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