“O verdadeiro problema de mulheres apaixonadas é que elas sempre contam umas às outras coisas que homens jamais sobreviveriam ouvindo.”
Dayse Whitmore chegou ao trabalho quase quarenta minutos depois de Edward sair da cobertura. Mas desde que saiu do apartamento, não conseguia tirar da cabeça a cena que tinha acontecido logo cedo na cozinha.
O olhar dele, a tensão absurda no maxilar, o jeito como ele claramente perdeu parte do próprio autocontrole quando a viu naquela cozinha.
Dayse fechou os olhos rapidamente dentro do elevador enquanto soltava o ar pelo nariz tentando reorganizar a própria cabeça antes de entrar no departamento jurídico.
Precisava agir normalmente, como uma mulher adulta, profissional, controlada. Precisava manter o plano e não acabar colocando tudo a perder. Mas o grande problema era que Edward tornava qualquer tentativa racional de normalidade absurdamente difícil.
As portas do elevador finalmente abriram no andar do jurídico.
E bastaram exatamente três segundos para Clara praticamente surgir na frente dela como uma predadora emocional farejando fofoca.
— Finalmente!
A voz saiu alta demais enquanto Clara arregalava dramaticamente os olhos antes de agarrar Dayse pelo braço.
— Meu Deus, eu passei a manhã inteira esperando você chegar.
Marina levantou da própria mesa também, mas diferente de Clara, a expressão dela carregava curiosidade misturada com cautela. O que honestamente fazia muito mais sentido considerando o assunto.
— Como foi?
Clara praticamente interrompeu antes mesmo de Dayse conseguir respirar direito.
— Vocês dormiram juntos? Ele tentou alguma coisa? Vocês brigaram? Teve beijo? Sexo? Tensão sexual absurda? Edward sobreviveu emocionalmente à primeira noite dividindo apartamento com você?
Dayse piscou lentamente encarando a amiga.
— Clara…
— Não, não me olha assim. — Clara rebateu enquanto cruzava os braços. — Você simplesmente foi morar na cobertura do homem mais emocionalmente reprimido de Manhattan e espera que eu aja normalmente?
Marina soltou uma risada baixa antes de finalmente se aproximar.
— Ignora ela e responde só o importante.
Os olhos dela estreitaram minimamente.
— Como foi a primeira noite?
Dayse respirou fundo antes de apoiar devagar a bolsa sobre a própria mesa.
E então respondeu tentando parecer muito mais tranquila do que realmente estava:
— Eu dormi num quarto separado.
O silêncio caiu imediatamente no departamento jurídico.
Clara congelou.
Marina piscou devagar.
E então Clara falou primeiro:
— Como é que é?
Dayse sustentou o olhar dela tentando manter a própria dignidade.
— Edward mandou preparar um quarto pra mim.
Clara arregalou os olhos dramaticamente antes de jogar as duas mãos para o alto.
— Ah não, pera aí. — Ela apontou imediatamente para Dayse. — Vocês dois já transaram, vivem se olhando como dois psicopatas emocionalmente obcecados um pelo outro e agora decidiram fazer voto de castidade?
— Clara! — Marina repreendeu no mesmo instante, embora claramente estivesse tentando não rir.
Dayse sentiu o rosto começar a esquentar perigosamente.
— Nós não fizemos voto de castidade.

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