"Alguns homens não precisam anunciar a própria chegada. O silêncio do ambiente faz isso por eles."
O departamento jurídico estava cheio do barulho habitual de teclados, telefones e conversas baixas quando, pouco a pouco, um silêncio estranho começou a se espalhar pelo ambiente.
Primeiro uma pessoa parou de falar, depois outra. Então alguém se levantou da cadeira. E, em menos de cinco segundos, praticamente todo o setor estava olhando na mesma direção do corredor principal.
Dayse percebeu o que estava acontecendo antes mesmo de virar o rosto, porque o clima da sala havia mudado de repente, acompanhado por uma tensão silenciosa que só surgia quando alguém muito importante entrava em um lugar onde normalmente não pisaria.
Ela ergueu os olhos e o viu.
Edward Alexander Fitzgerald estava parado na entrada do departamento jurídico impecável como sempre. O terno escuro perfeitamente ajustado ao corpo largo, os ombros firmes, a gravata alinhada com uma precisão irritante e aquela postura relaxada de quem parecia completamente à vontade dominando qualquer ambiente onde colocasse os pés.
Mas não era apenas a roupa impecável que chamava atenção, e sim a presença que Edward Fitzgerald carregava, aquela presença rara de homens que não precisam levantar a voz nem fazer qualquer gesto para que o ambiente inteiro, quase instintivamente, se reorganize ao redor deles.
Alguns funcionários rapidamente abaixaram os olhos. Outros fingiram voltar ao trabalho com um entusiasmo absolutamente falso. Clara quase derrubou a caneca de café.
— Meu Deus do céu… — murmurou, se inclinando lentamente na direção de Dayse enquanto observava a cena como quem presencia um fenômeno natural raro. — Dayse… o seu noivo acabou de invadir o departamento jurídico.
Dayse sentiu o coração dar um salto irritante dentro do peito.
— Ele não é meu noivo — sussurrou entre os dentes.
Clara arqueou uma sobrancelha.
— Contratualmente falando, é exatamente isso que ele é.
Dayse ignorou o comentário, ou pelo menos tentou.
— O que ele está fazendo aqui… — murmurou para si mesma.
Edward começou a caminhar pelo corredor entre as mesas com passos tranquilos, observando o departamento com atenção, como se estivesse visitando um espaço que, embora ainda fosse parte da empresa dele, raramente tinha motivo para conhecer de perto.
Quando chegou à mesa de Dayse, ele parou e os dois se encararam por um segundo.
Um segundo longo demais.
— Senhorita Whitmore — disse calmamente.
Dayse se levantou imediatamente.
— Senhor Fitzgerald.
Era impossível ignorar o fato de que praticamente todo o setor estava ouvindo aquela conversa, mesmo fingindo que não.
Edward inclinou a cabeça levemente.
— Preciso falar com você.
O coração dela acelerou um pouco mais.
— Claro.
Ela olhou ao redor rapidamente.
— Podemos usar a sala de reuniões pequena.
Edward fez um gesto educado com a mão.
— Depois de você.
Os dois caminharam até a sala reservada sob o olhar descaradamente curioso de metade do departamento jurídico. Assim que a porta se fechou atrás deles, o ambiente pareceu mudar completamente.
Dayse cruzou os braços enquanto a porta se fechava atrás deles, tentando recuperar o controle da situação.
— O que exatamente você está fazendo no meu setor?
Edward apoiou as mãos nos bolsos do terno com a tranquilidade irritante de quem parecia se divertir com a irritação dela.
— Visitando minha futura esposa.
Dayse estreitou os olhos imediatamente.
— Não brinque com isso aqui dentro.
Ele inclinou levemente a cabeça, observando-a com curiosidade.
— Por quê?
— Porque se alguém ouve…
— O quê?
Um sorriso lento, preguiçoso e perigosamente divertido surgiu no canto da boca dele.
— É apenas uma questão de tempo até todos descobrirem que estamos noivos.
O rosto de Dayse corou imediatamente.
— Você tem um humor extremamente questionável.
Edward deu de ombros.
Ela abriu a boca.
— Mas…
Ele levantou uma mão calmamente.
— Senhorita Whitmore… tente não parecer tão assustada. Meus avós são pessoas adoráveis. Eles só fazem perguntas inconvenientes, analisam cada detalhe da sua vida e, ocasionalmente, avaliam se você é digna de carregar o sobrenome da família.
Dayse o encarou horrorizada.
— Você está brincando comigo?
Edward inclinou a cabeça.
— Ainda não.
Ele deu dois passos na direção dela e de repente o espaço na sala pareceu pequeno demais.
— É apenas um jantar.
Dayse soltou uma pequena risada nervosa.
— Um jantar onde você pretende anunciar que está noivo de uma funcionária que quase faliu a empresa.
Edward abriu um sorriso divertido.
— Quando você coloca dessa forma, realmente fica muito mais interessante.
Ela o encarou.
— Isso é sério?
— Muito.
Dayse ainda estava com os braços cruzados diante do corpo quando Edward terminou de olhar o relógio de pulso com a tranquilidade quase irritante de quem controlava completamente a situação e anunciou, no mesmo tom calmo com que alguém poderia marcar uma reunião de negócios perfeitamente comum:
— Eu passo para buscá-la às oito.
Dayse tentou manter a expressão neutra, mas enquanto Edward permanecia ali diante dela, observando cada reação com aquele sorriso perigosamente tranquilo, uma única coisa ficou absolutamente clara em sua mente.
Aquilo não era mais apenas um contrato.
E, se ela não tomasse cuidado aquele jantar às oito da noite, poderia complicar sua vida muito mais do que qualquer cláusula jurídica.

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