“O silêncio dentro da pequena sala de reuniões parecia muito mais pesado do que deveria para uma conversa que, em teoria, deveria ser apenas profissional.”
Ela piscou algumas vezes, como se precisasse de um instante para reorganizar os próprios pensamentos, porque tudo naquela conversa parecia avançar rápido demais para que ela conseguisse acompanhar sem se sentir ligeiramente desorientada.
— Às oito? — repetiu, tentando manter a voz neutra.
— Sim — respondeu com naturalidade.
— Para o jantar com os seus avós?
— Exatamente.
Dayse abriu a boca para responder, mas então algo ocorreu a ela, algo tão óbvio que fez com que franzisse a testa antes de dizer:
— Espera um pouco.
Edward arqueou levemente uma sobrancelha, como quem aguardava pacientemente que ela chegasse ao ponto.
— Sim?
— Você não vai perguntar onde eu moro?
Por um instante ele apenas a observou em silêncio, e aquele silêncio tinha algo de curioso, quase divertido, como se ele estivesse analisando a pergunta dela e decidindo o quanto queria prolongar aquele pequeno jogo.
Então um sorriso lento apareceu no canto da boca dele. Um daqueles sorrisos que sempre pareciam significar problema.
— Não é necessário.
Dayse estreitou os olhos imediatamente.
— Como assim não é necessário?
Edward respondeu com a tranquilidade mais irritante possível:
— Eu já sei.
O coração dela deu um pequeno salto dentro do peito.
— Claro que sabe…
Edward permaneceu olhando para ela por mais um segundo, como se estivesse avaliando cada detalhe da reação dela, cada mudança mínima na expressão, cada sinal de que a presença dele ali estava tendo exatamente o efeito que ele parecia esperar.
Então ele deu um passo na direção dela e Dayse percebeu imediatamente.
— Edward…
Ele não respondeu e apenas avançou mais um passo, depois outro, até que Dayse percebeu, tarde demais, que havia recuado instintivamente até sentir a borda da mesa atrás de si, obrigando os dois a pararem frente a frente.
Agora a distância entre eles era perigosamente pequena, curta o suficiente para que fosse impossível ignorar o calor do corpo dele, o perfume discreto que vinha da pele dele e a forma como a presença dele parecia ocupar todo o espaço ao redor.
Dayse ergueu o queixo, tentando recuperar alguma autoridade na situação.
— O que você pensa que está fazendo?
Edward inclinou levemente a cabeça, observando-a com um interesse descaradamente divertido, como se aquela pequena tentativa de firmeza apenas aumentasse o quanto ele parecia achar tudo aquilo… interessante.
— Conversando com minha noiva.
— Eu já pedi para você parar de dizer isso.
— Curioso — murmurou com um leve sorriso.
Então apoiou as mãos na mesa atrás dela, uma de cada lado do corpo dela, sem tocá-la diretamente, mas criando uma barreira tão clara que o gesto, mesmo sem contato, parecia prendê-la ali.
— Porque, tecnicamente, é exatamente isso que você é.
Dayse engoliu em seco.
— Isso é apenas um contrato.
Edward inclinou-se um pouco mais perto, e a proximidade fez com que ela sentisse claramente o calor da respiração dele.
— Ah, sim… o contrato — murmurou, com aquele tom que parecia sempre carregar algum tipo de ironia elegante.
A voz dele estava mais baixa agora. Quase um sussurro.
— Aquela pequena formalidade jurídica que começou logo depois de uma noite particularmente memorável entre nós dois.
O rosto de Dayse corou imediatamente.

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