“Nenhum segredo sobrevive a três mulheres curiosas."
Dayse levou alguns segundos para conseguir se mover.
O coração ainda batia rápido demais dentro do peito enquanto ela passava a mão pelos cabelos tentando recuperar alguma aparência de normalidade antes de abrir a porta da pequena sala de reuniões e voltar para o departamento jurídico.
Mas era inútil.
Assim que apareceu no corredor entre as mesas, sentiu imediatamente os olhares curiosos de pelo menos metade do setor acompanhando cada passo que dava.
Era como se todos estivessem esperando por algum sinal, alguma pista, qualquer detalhe que confirmasse o que provavelmente já estavam imaginando.
Dayse manteve a postura firme e caminhou até a própria mesa fingindo uma tranquilidade que definitivamente não estava sentindo.
Se sentou, abriu uma pasta, pegou alguns papéis e tentou parecer ocupada. O problema era que aquela tentativa de normalidade durou exatamente… cinco segundos, porque Clara apareceu literalmente deslizando com a cadeira de rodinhas pelo corredor entre as mesas até parar ao lado de Dayse com um sorriso tão curioso e malicioso que qualquer pessoa minimamente observadora perceberia imediatamente que ela estava prestes a fazer perguntas extremamente inconvenientes.
— Então…
Dayse não levantou os olhos.
— Então o quê?
Clara estreitou os olhos, inclinando-se sobre a mesa como um detetive prestes a interrogar um suspeito.
— Não se faça de inocente comigo, Dayse Whitmore.
Dayse continuou fingindo organizar papéis.
— Eu não faço ideia do que você está falando.
Clara soltou uma pequena risada descrente.
— Ah, por favor.
Ela fez um gesto exagerado na direção da sala de reuniões.
— O presidente da empresa atravessa metade do prédio, entra no departamento jurídico como se estivesse em um desfile particular, olha diretamente para você na frente de todo mundo e te leva para uma sala reservada… e você quer que eu acredite que vocês ficaram lá dentro apenas discutindo cláusulas contratuais?
Dayse finalmente levantou os olhos.
— Você é impossível.
Marina então se inclinou um pouco na cadeira, olhando de Clara para Dayse com uma expressão mais séria.
— Clara, dá um tempo — disse calmamente. — Você não está vendo que ela está nervosa?
Clara virou lentamente a cabeça para Marina. E então abriu um sorriso ainda mais malicioso.
— Ah, por favor, Marina… deixa de se fingir de santa.
Marina franziu a testa.
— Eu não estou me fingindo de nada.
Clara cruzou os braços.
— Claro que está.
Ela apontou para Marina como se tivesse acabado de descobrir algo muito óbvio.
— Você também ficou morrendo de curiosidade para saber se a Dayse e o gostosão do presidente se pegaram naquela sala.
Marina abriu a boca para responder… mas parou e Dayse olhou imediatamente para ela.
Marina suspirou.
— Eu estava curiosa, sim — admitiu, finalmente. — Mas a diferença é que eu sei que perguntar isso em voz alta no meio do departamento jurídico talvez não seja a melhor ideia.
Clara abriu um sorriso triunfante.
— Viu só? Eu sabia.
Dayse passou a mão pelo rosto, sentindo o calor subir até as orelhas.
— Eu odeio vocês duas.
Clara ignorou completamente o comentário.
— Então vamos simplificar — continuou, aproximando ainda mais a cadeira até ficar praticamente encostada na mesa. — Vocês se pegaram?
Dayse arregalou os olhos imediatamente.
— Você não tem absolutamente nenhum filtro social, sabia?
Clara deu de ombros.
— Eu tenho prioridades.
Dayse passou a mão pelo rosto, sentindo o calor subir até as orelhas.
— Clara…
Mas a amiga parecia apenas estar começando.
— Dayse, eu estou tentando entender a situação aqui — continuou com absoluta seriedade fingida. — Porque aquele homem entrou aqui parecendo um anúncio vivo de pecado corporativo, vocês dois ficaram sozinhos naquela sala por quase dez minutos… e você saiu com essa cara de quem acabou de lembrar de algo muito interessante.
Dayse a encarou horrorizada.
— Que cara?
Clara abriu um sorriso lento.
— A cara de quem definitivamente não estava discutindo jurisprudência.
Dayse fechou os olhos por um segundo.
— Você precisa parar de assistir tanta série ruim.
Clara ignorou novamente.
— Então me diga uma coisa com sinceridade absoluta — disse, apoiando o queixo na mão enquanto analisava Dayse com atenção quase científica. — Ele beijou você?
Dayse quase engasgou.
— CLARA!
Algumas cabeças se levantaram discretamente em mesas próximas e Clara nem se importou.
Marina imediatamente olhou ao redor, claramente constrangida.
— Clara! — murmurou em tom baixo. — Quer anunciar isso no sistema de som do prédio também?

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