“Algumas mentiras começam como um acordo… mas terminam como algo que ninguém consegue desfazer.”
Naquela noite, Dayse Whitmore estava prestes a cometer um erro que qualquer pessoa sensata teria evitado e que, de alguma forma silenciosa e inevitável, já carregava consequências que ela ainda não estava pronta para enfrentar.
Ela abriria a porta do próprio apartamento para um homem perigosamente sedutor, aceitaria o braço dele como se realmente fosse sua noiva… e pisaria voluntariamente em uma mentira cuidadosamente construída que poderia, com uma facilidade assustadora, transformar um simples jantar em algo muito mais complicado.
E o que tornava tudo ainda mais perigoso, era o fato de que, no fundo, ela sabia que aquilo não terminaria apenas em um jantar. Sabia que Edward Fitzgerald não era o tipo de homem que participava de algo sem transformar aquilo em algo maior, mais intenso e mais… pessoal.
E, ainda assim, ela estava indo.
O que ela ainda não sabia era que Edward Fitzgerald também estava prestes a cometer um erro.
Porque, no instante em que ele a visse usando aquele vestido preto de costas nuas, seria quase impossível lembrar que tudo aquilo deveria ser apenas um contrato. E, para alguém como Edward, esquecer limites nunca era algo simples.
Era perigoso.
O apartamento de Dayse Whitmore nunca havia parecido tão silencioso quanto naquela noite, como se até mesmo as paredes claras e os móveis elegantes que ocupavam a sala tivessem decidido respeitar a tensão que se espalhava lentamente pelo ambiente enquanto a luz suave do início da noite atravessava as janelas amplas e se espalhava pelo piso de madeira, criando uma atmosfera tranquila demais para alguém cujo coração batia acelerado dentro do peito.
Dayse estava nervosa.
Não apenas um pouco nervosa.
Ela estava profundamente nervosa.
E a prova disso era o fato de que permanecia parada diante do espelho do quarto havia vários minutos, observando o próprio reflexo com uma atenção quase crítica, como se estivesse tentando decidir se aquela mulher elegante refletida no vidro realmente parecia convincente o suficiente para representar o papel que estava prestes a assumir naquela noite.
A noiva perfeita de Edward Alexander Fitzgerald. Mesmo que fosse apenas uma mentira.
O vestido que escolheu usar naquela noite era um preto profundo, elegante, mas absolutamente impossível de ignorar.
O tecido escuro abraçava seu corpo com uma precisão quase perigosa, moldando cada curva com naturalidade enquanto o corte justo descia suavemente pela silhueta esbelta até terminar alguns centímetros abaixo dos joelhos, criando uma linha elegante que tornava seus movimentos ainda mais femininos.
A parte superior do vestido subia em um corte que se amarrava delicadamente atrás do pescoço, deixando os ombros e os braços completamente livres e revelando, quando ela se movia, a extensão graciosa do colo e da clavícula.
Mas o detalhe que realmente transformava o vestido em algo difícil de ignorar era nas costas.

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