“Existem homens que seduzem. E existem aqueles que fazem você esquecer que deveria resistir.”
Edward Fitzgerald estava do outro lado da porta e, no instante em que Dayse o viu, percebeu que abrir aquela porta talvez tivesse sido o primeiro erro sem volta que cometeria naquela história.
Ele estava encostado casualmente no batente da porta como se estivesse perfeitamente à vontade ali, como se visitar o apartamento dela àquela hora da noite fosse algo absolutamente natural.
O terno escuro que ele vestia parecia ter sido feito especificamente para o corpo alto e impecavelmente alinhado que carregava com uma confiança quase irritante, moldando os ombros largos e a postura relaxada de alguém que parecia completamente confortável com a própria presença.
A camisa branca sob o paletó estava aberta no primeiro botão, apenas o suficiente para revelar a linha forte do pescoço. O cabelo escuro estava levemente desalinhado, como se ele tivesse passado a mão por ele algumas vezes antes de chegar.
Mas eram os olhos dele que realmente chamavam atenção.
Porque estavam completamente focados nela.
Edward não disse nada imediatamente. Apenas a observou com uma atenção quase provocadora. O olhar de Edward desceu lentamente por ela, sem qualquer pressa, como se estivesse registrando cada detalhe do vestido preto que abraçava suas curvas, demorando um pouco mais do que deveria na linha elegante da cintura e então voltar para o rosto dela com um brilho que fez o coração de Dayse bater mais rápido.
Dayse sentiu aquele olhar deslizando por cada centímetro do corpo e prender a respiração pareceu inevitável. Edward então deixou o olhar subir novamente até o rosto dela… e parar nas mãos.
Isso não faz parte do contrato. Ou faz… e eu que não entendi ainda. — pensou enquanto apertava a bolsa nas mãos.
Ele ergueu uma sobrancelha com leve curiosidade.
— Você sempre aperta a bolsa assim quando está nervosa… — murmurou, com um brilho divertido nos olhos — ou isso é só porque sou eu que estou aqui?
Dayse piscou, completamente pega de surpresa.
— Eu não estou nervosa.
O sorriso dele se ampliou lentamente.
— Claro que não.
Edward finalmente se endireitou, ainda olhando para ela. E então um sorriso lento surgiu no canto da boca.
— Interessante.
Dayse piscou.
— O quê?
Ele inclinou levemente a cabeça, observando-a com um tipo de curiosidade divertida que parecia perigosamente próxima de admiração.
— Eu estava esperando que fosse vestir algo elegante…
Ele fez uma pequena pausa enquanto seus olhos deslizavam novamente pela silhueta dela. Demorando um pouco mais do que deveria na curva das costas nuas.
— Mas definitivamente não estava esperando… perigosa.
Edward inclinou levemente a cabeça, observando-a com aquele brilho provocador nos olhos.
— Se esse vestido faz parte do seu plano para testar minha paciência… — ele acrescentou com um sorriso lento — devo avisar que não é um plano muito justo.
O rosto de Dayse aqueceu imediatamente.
— Eu não estou perigosa.
Edward soltou uma risada baixa, quase preguiçosa.
— Não?
Ele deu um passo à frente agora ficando mais próximo dela, fazendo Dayse sentir o perfume dele antes mesmo de perceber que ele se aproximava. O mesmo perfume sofisticado da noite no bar.
Quente, masculino e perigosamente familiar.
Edward inclinou levemente o rosto, observando novamente o vestido.
— Com esse vestido… — ele murmurou, deixando o olhar descer novamente pelo corpo dela — fica muito difícil lembrar que você é apenas minha noiva de mentira.
Dayse ficou completamente vermelha e Edward sorriu.
E então estendeu o braço com naturalidade.
— Vamos?
Ele inclinou levemente a cabeça, e o brilho provocador nos olhos deixava claro que estava se divertindo com a reação dela.
— Porque tenho a estranha sensação de que esta noite… vai ser muito mais interessante do que qualquer um de nós dois estava planejando.
Edward manteve o braço estendido, observando-a com aquele sorriso tranquilo que parecia esconder pensamentos perigosamente mais complexos do que ele jamais revelaria em voz alta.
Dayse hesitou apenas por um segundo, mas foi o suficiente para que ela percebesse algo inquietante.
Edward Fitzgerald não parecia nervoso, ou preocupado, nem um pouco receoso com a mentira que estavam prestes a encenar.
Muito pelo contrário, ele parecia curioso, como se estivesse genuinamente interessado em descobrir até onde aquilo poderia ir.
Dayse então colocou a mão no braço dele.
E quando Edward fechou os dedos suavemente sobre os dela, conduzindo-a para fora do apartamento com uma naturalidade desconcertante, ela teve a estranha sensação de que aquela noite não seria apenas o início de um noivado falso.
E, pela primeira vez…
Dayse não tinha certeza se queria vencer.
E, se ela não tomasse cuidado, Edward Fitzgerald poderia ser exatamente o tipo de homem que não apenas j**a para ganhar.
Mas para possuir tudo o que decide desejar.

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