"Existem medos que não nascem das respostas. Eles nascem das possibilidades."
O verdadeiro problema de certas perguntas nunca foi o momento em que elas eram feitas, começava quando elas se recusavam a sair da sua cabeça.
Porque, enquanto Marina voltava a conversar normalmente com os demais e o grupo continuava discutindo passeios, praias e restaurantes como se nada tivesse acontecido, Dayse já não conseguia prestar atenção em absolutamente mais nada.
A pergunta continuava presa dentro da sua cabeça de uma maneira incômoda, pesada e assustadora, como se cada minuto a tornasse mais difícil de ignorar.
“Quando foi sua última menstruação?”
O coração de Dayse acelerou de forma desconfortável enquanto ela permanecia parada observando os amigos conversarem como se nada tivesse acontecido, porque, por mais que tentasse se convencer de que Marina estava apenas exagerando ou interpretando os sintomas da maneira errada, uma parte dela já havia começado a fazer contas silenciosamente, e aquilo era justamente o que mais a assustava.
E se...
Não.
Ela fechou os olhos por um segundo.
Não podia pensar naquilo. Mas o problema era que sua mente já tinha seguido exatamente por aquele caminho. E agora não sabia como voltar.
— Amor?
A voz de Edward surgiu preocupada ao lado dela.
Dayse piscou rapidamente, como alguém que acabava de despertar de um pensamento distante demais.
— Hum?
Os olhos dele percorreram seu rosto devagar com atenção. Observando detalhes que provavelmente ninguém mais perceberia.
A palidez. A tensão ao redor dos olhos. A maneira como seus dedos estavam apertando o próprio vestido. A respiração curta.
A testa masculina se contraiu imediatamente.
— Você está pálida.
O estômago dela afundou.
— Estou bem.
A resposta saiu rápida demais, automática demais, e bastou observar a forma como Edward estreitou levemente os olhos para Dayse perceber que ele não acreditou em uma única palavra. Edward percebeu.
— É só um mal-estar.
Ela forçou um sorriso pequeno, frágil e claramente artificial.
— Eu devo ter exagerado um pouco ontem.
Edward continuou observando ela ainda preocupada e antes que pudesse insistir, Clara se aproximou rapidamente.
— Amiga, você está mesmo bem?
A preocupação dela era genuína. Tão genuína que fez o coração de Dayse apertar.
Porque ela odiava mentir para as amigas. Mas sabia que não podia falar sobre suas suspeitas, principalmente para Clara que surtaria e a deixaria ainda mais nervosa.
— Estou.
— Tem certeza?
— Tenho.
Clara não pareceu convencida e Daniel também não.
O irmão observava tudo em silêncio, com aquela expressão protetora que surgia sempre que percebia alguma coisa errada.
— Você está com uma cara péssima.
— Obrigada pela delicadeza.
— Estou falando sério.
— Eu sei.
Ela sorriu, mas o sorriso vacilou rapidamente.
— Só estou cansada.
Adrian observou a troca de olhares entre Marina e Dayse pouco antes de todos saírem e sentiu uma inquietação estranha surgir dentro dele, porque conhecia Marina bem demais para ignorar aquele tipo de silêncio.
— Acho melhor cancelarmos o passeio. — disse também preocupado com Dayse.
Mas Dayse balançou a cabeça antes mesmo que alguém pudesse concordar.
— Não.
— Dayse… — Clara tentou argumentar, mas Dayse interrompeu a amiga imediatamente.
— Não façam isso.
Ela olhou para todos.
Um por um.
Tentando parecer mais tranquila do que realmente estava.
— Eu não quero estragar o dia de ninguém.
— Você não está estragando nada. — respondeu Daniel no mesmo instante. — podemos ficar na piscina do resort, isso aqui já é o paraíso Day.
— Exatamente. — Concluiu Clara com um sorriso nos lábios.
— Eu vou ficar bem.
— Como sabe? — perguntou Clara cruzando os braços sobre o peito.
Ela não respondeu.
Porque não sabia.
Não sabia de mais nada naquele momento.
Foi Edward quem resolveu encerrar a discussão.
— Vão para o passeio, eu fico com ela.
O silêncio surgiu imediatamente.
— Edward...
— Eu fico com você.
A resposta saiu firme. Sem hesitação ou espaço para negociação. Como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Como se sequer considerasse outra possibilidade.
O coração de Dayse apertou.
O coração dela disparou ao ouvir a palavra carinhosa.
— Está tudo bem?
Seus olhos marejaram imediatamente. O olhar vacilou por um segundo, a garganta apertou.
E ela precisou desviar os olhos.
Porque ela ainda não sabia qual seria a resposta para a pergunta que estava destruindo sua paz.
Dayse forçou um sorriso pequeno, vulnerável, quase infantil, antes de voltar a se esconder nos braços dele como se aquele fosse o único lugar onde ainda conseguia respirar sem sentir o peso das próprias preocupações esmagando seu peito.
— Só me abraça. — A voz falhou. — E fica comigo... por favor.
Edward sentiu um frio percorrer sua espinha.
Algo estava errado.
Muito errado.
Ele permaneceu alguns segundos observando-a em silêncio depois que ela voltou a esconder o rosto contra seu peito, porque havia aprendido a reconhecer pequenas mudanças nela, e a mulher que estava em seus braços naquele momento não parecia apenas cansada, indisposta ou afetada pelo excesso de bebida da noite anterior.
Parecia assustada.
Assustada de uma maneira que ele nunca tinha visto antes.
Como se estivesse tentando enfrentar alguma coisa completamente sozinha. Como se carregasse um peso que ainda não sabia dividir com ninguém.
Mas, em vez de pressioná-la ou exigir respostas, Edward apenas passou a mão pelos cabelos dela e a puxou para mais perto, respeitando o pedido e apertando o corpo pequeno contra o dele, beijando seus cabelos com carinho e disse:
— Sempre...
Quase uma hora depois, quando percebeu que ela finalmente parecia mais calma, Edward saiu do bangalô para buscar algo que talvez conseguisse fazê-la comer mais tarde.
Foi apenas quando a porta se fechou atrás dele que uma batida suave ecoou no quarto.
Dayse se levantou da cama abrindo a porta e encontrou Marina parada do outro lado da porta.
As duas ficaram em silêncio. Porque nenhuma delas precisava perguntar o motivo daquela visita.
Os olhos de Dayse desceram lentamente para a pequena sacola que a amiga segurava. E o ar pareceu desaparecer dos seus pulmões.
— Eu estou com medo.
A confissão saiu quase num sussurro enquanto seus dedos apertavam os de Marina com força, como se apenas verbalizar aquilo já fosse suficiente para tornar aquela possibilidade mais real, e os olhos marejados deixavam evidente que Dayse estava muito mais assustada do que havia permitido que qualquer pessoa percebesse durante todo o dia.
Marina imediatamente segurou suas mãos.
— Eu sei.
Os olhos de Dayse se encheram de lágrimas. E então Marina abriu a sacola revelando o teste de gravidez.
— Seja qual for o resultado… — Ela apertou as mãos da amiga sem desviar os olhos. — Você não vai passar por isso sozinha.
Dayse manteve os olhos presos na pequena caixa branca enquanto sentia os dedos começarem a tremer dentro das mãos de Marina.
Porque, até aquele momento, ainda existia espaço para dúvida.
Mas dentro de poucos minutos...
Existiria apenas a verdade.

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