"Às vezes, a pior resposta é aquela que se recusa a aparecer."
A pequena caixa branca continuava sobre a cama.
Dayse a encarava havia vários minutos sem conseguir tocá-la novamente.
Enquanto Edward Fitzgerald caminhava de volta ao restaurante do resort tentando decidir o que poderia convencer Dayse a comer mais tarde.
A mulher que ocupava praticamente todos os seus pensamentos permanecia no bangalô, sentada na beirada da cama, encarando a pequena caixa branca que Marina havia colocado entre elas como se aquele objeto fosse capaz de dividir sua vida em antes e depois.
Dayse mantinha as mãos unidas sobre o colo, os dedos entrelaçados com tanta força que as pontas já estavam pálidas, enquanto Marina permanecia de pé diante dela, tentando parecer calma o suficiente pelas duas, embora a tensão em sua mandíbula e a maneira como respirava fundo antes de falar deixassem claro que também estava nervosa.
— Você não precisa fazer isso agora se não quiser — Marina disse em voz baixa, aproximando-se devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrar a pouca coragem que ainda restava na amiga.
Dayse ergueu os olhos marejados.
— Mas eu vou continuar pensando nisso.
Marina não respondeu imediatamente, apenas assentiu com cuidado, porque sabia que Dayse estava certa.
Enquanto isso, no restaurante do resort, Edward encontrou Daniel e Adrian sentados à mesma mesa de antes, mas bastou Daniel ver a expressão fechada dele para se endireitar na cadeira.
— Como ela está?
Edward puxou a cadeira e se sentou, passando a mão pela nuca antes de responder.
— Descansando. Consegui fazer ela comer um pouco, mas ainda está enjoada.
Daniel soltou o ar devagar, tentando parecer mais tranquilo do que realmente estava.
— Isso é álcool, Edward. Minha irmã sempre foi fraca para bebida, e ontem ela bebeu como se tivesse assinado um contrato de guerra contra o próprio fígado.
Edward quase sorriu, mas a preocupação permaneceu firme em seus olhos.
— Talvez.
Adrian, que até então observava em silêncio, percebeu o detalhe imediatamente.
Edward não estava convencido.
E, para piorar, ele também não estava.
Havia algo naquela manhã que não parecia apenas ressaca, principalmente depois da maneira como Marina tinha olhado para Dayse antes de se afastar com ela.
— Onde está Marina? — Clara perguntou ao se aproximar da mesa, ainda com os óculos escuros sobre a cabeça e uma expressão preocupada no rosto.
Daniel apontou na direção dos bangalôs.
— Foi ver se Dayse está melhor.
Clara franziu a testa.
— Ela ainda está mal?
— Um pouco — Edward respondeu, os olhos se estreitando discretamente, como se a simples pergunta reacendesse a vontade de voltar para o quarto.
Clara olhou de Daniel para Adrian, depois para Edward, e o sorriso desapareceu de seu rosto.
— Vou lá também.
Daniel abriu a boca para responder, mas Clara já estava se afastando.
Adrian acompanhou a saída dela em silêncio, sentindo uma inquietação desconfortável crescer dentro do peito.
No bangalô, Dayse finalmente se levantou com o teste nas mãos, caminhando em direção ao banheiro com passos tão lentos que Marina precisou conter o impulso de segurá-la pelos ombros e dizer que tudo ficaria bem, mesmo sabendo que não tinha como prometer aquilo.
A porta se fechou e Marina ficou sozinha no quarto.
Os segundos pareceram longos demais.
Quando Dayse voltou, estava ainda mais pálida, segurando o teste como se ele queimasse seus dedos.
— Eu não consigo olhar.
Marina se aproximou imediatamente.
— Tudo bem, eu olho.
— Não agora.
— Dayse…

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