"Algumas perguntas não esperam resposta para começarem a mudar tudo."
Clara sempre acreditou que era praticamente impossível ficar sem palavras, porque, em qualquer crise, desastre emocional ou situação constrangedora, ela costumava encontrar alguma coisa para dizer, nem que fosse algo completamente inadequado, exagerado ou dramático demais para o momento.
Mas descobriu que estava errada no instante em que seus olhos encontraram o teste de gravidez sobre a cama de Dayse.
Durante alguns segundos, ninguém se mexeu.
Dayse permanecia sentada com o rosto molhado de lágrimas, Marina ainda segurava uma das mãos dela com firmeza e Clara continuava parada perto da porta, piscando como se tentasse organizar uma informação grande demais para caber dentro da própria cabeça.
— Você está grávida? — Clara repetiu, mas dessa vez a voz saiu mais baixa, quase sem ar.
Dayse balançou a cabeça rapidamente.
— Eu não sei.
Clara franziu a testa.
— Como assim você não sabe?
Marina respirou fundo.
— O teste deu inconclusivo.
Clara olhou para ela.
— Inconclusivo?
— Não deu para saber.
— Como assim não deu para saber? — Clara entrou de vez no quarto, fechando a porta atrás de si com cuidado, embora sua expressão mostrasse que ela estava a dois segundos de surtar completamente. — Isso existe? Um teste pode simplesmente olhar para a cara de uma mulher desesperada e decidir não colaborar?
Dayse soltou uma risada fraca no meio do choro, mas logo cobriu o rosto com as mãos.
— Clara…
— Desculpa, eu sei, eu estou falando demais.
Clara se aproximou imediatamente, sentando-se do outro lado da cama e segurando o braço da amiga.
— Não, espera, eu não vou surtar.
Marina arqueou uma sobrancelha.
— Você já está surtando.
— Estou surtando por dentro, mas por fora estou tentando ser uma pessoa útil.
Dayse chorou mais, e Clara imediatamente perdeu toda a pose, puxando a amiga para um abraço apertado.
— Ei, olha para mim.
Dayse demorou alguns segundos para obedecer.
— Seja o que for, você não vai ficar sozinha, entendeu?
Os lábios de Dayse tremeram.
— E se eu estiver mesmo grávida?
Clara engoliu em seco, e pela primeira vez não respondeu de imediato, porque entendeu que aquela pergunta não era simples.
Não era sobre um teste. Nem apenas sobre ter um bebê.
Era sobre Edward.
Sobre o contrato, sobre o futuro e sobre uma vida inteira mudando sem pedir licença.
Marina, mais controlada, apertou a mão da amiga.
— Primeiro precisamos ter certeza.
Clara assentiu depressa.
— Exato. Precisamos de outro teste.
Dayse ficou imóvel.
— Eu não consigo fazer outro.
— Consegue sim — Clara respondeu, mas dessa vez sua voz veio menos caótica e mais firme. — Você não precisa fazer sozinha, porque nós duas estamos aqui.
Marina concordou com a cabeça.
— Eu comprei mais de um.
Dayse olhou para ela, surpresa.
— Você comprou mais de um?

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