"O verdadeiro peso de um segredo começa quando ele precisa ser escondido de quem mais merece saber."
Edward Fitzgerald percebeu que havia algo errado no instante em que abriu a porta do bangalô e encontrou Dayse, Marina e Clara sentadas juntas na cama, próximas, quietas e com expressões que mudaram rápido demais quando o viram entrar.
A primeira coisa que notou foram os olhos vermelhos de Dayse.
Depois, a maneira como Clara endireitou a postura depressa, como se tivesse sido pega fazendo algo proibido.
Por fim, Marina fechando a mão sobre alguma coisa pequena antes de se levantar com uma calma cuidadosa demais para ser natural.
Edward parou perto da porta.
A sacola que trazia frutas, biscoitos leves e uma garrafa de água permaneceu suspensa em sua mão por alguns segundos.
— O que aconteceu?
A pergunta saiu baixa, porém firme.
Dayse sentiu o coração bater tão forte que quase doeu.
O teste estava escondido sob a dobra do lençol, empurrado por Marina no último segundo, mas a verdade parecia enorme dentro do quarto, como se pudesse ser vista na expressão de cada uma.
Clara abriu a boca, fechou e olhou para Marina que respondeu antes que ela estragasse tudo.
— Ela ficou nervosa de novo.
Edward estreitou os olhos.
— Nervosa por quê?
Dayse forçou um sorriso, mas sabia que não estava funcionando.
— Eu acho que assustei as duas.
Edward se aproximou devagar, observando seu rosto com atenção.
— Você chorou?
Clara levou a mão ao peito.
— Claro que chorou, Edward. Ela passou mal, ficou assustada, eu entrei aqui e também fiquei assustada, Marina ficou assustadoramente calma, o que me assustou ainda mais, e agora estamos todas tentando não transformar isso num drama coletivo.
Edward olhou para Clara por alguns segundos.
Depois para Marina.
— Isso deveria me tranquilizar?
— Provavelmente não — Marina respondeu com sinceridade.
Dayse quase riu, mas a vontade desapareceu rápido quando Edward se sentou ao seu lado na cama e tocou seu rosto com os dedos.
O polegar dele deslizou abaixo de seus olhos, limpando uma lágrima que ela nem percebeu que ainda estava ali.
— Você está pior?
A voz dele mudou.
Ficou mais baixa. Mais íntima e preocupada. E aquilo quase quebrou Dayse por dentro.
Porque ele estava ali, cuidadoso, atento e completamente entregue a ela, sem fazer a menor ideia de que a vida dos dois acabava de mudar para sempre.
— Não.
Ela respirou fundo.
— Estou só assustada com o mal-estar.
Edward não pareceu acreditar completamente, mas não a pressionou.
— Trouxe algumas coisas.
Ele ergueu a sacola.
— Nada pesado.
Clara olhou para Marina discretamente.
Marina apertou os lábios e Dayse sentiu os olhos arderem outra vez.
Porque Edward tinha saído apenas para buscar comida para ela, porque ele havia pensado nela e estava cuidando dela antes mesmo de saber que talvez sua vida inteira também tivesse acabado de mudar.
— Obrigada — sussurrou.
Edward segurou sua mão.
— Não precisa agradecer.
Clara se levantou de repente.
— Eu preciso beber água.
Marina olhou para ela.
— Clara.
— Água emocional.
— Isso não existe.
— Hoje existe.
Ela se aproximou e encostou a testa no ombro dele, sentindo os braços masculinos envolvê-la imediatamente.
— Obrigada.
Edward beijou seus cabelos.
— Sempre.
Do outro lado do bangalô, Clara observava escondida perto da porta, com os olhos cheios de lágrimas, enquanto Marina segurava o teste dentro da própria bolsa, protegendo o segredo da amiga por mais alguns minutos.
A tarde passou devagar.
Edward permaneceu com Dayse, insistindo para que ela bebesse água, comesse um pouco mais e descansasse.
Mais tarde, quando o grupo finalmente se reorganizou e Daniel apareceu para ver a irmã, Dayse conseguiu disfarçar melhor, embora Adrian continuasse observando a tensão silenciosa entre Marina, Clara e ela como quem começava a montar um quebra-cabeça sem ainda ter todas as peças.
Naquela noite, quando todos se recolheram e o bangalô mergulhou em silêncio, Dayse acordou com o corpo ainda encaixado ao de Edward.
Ele dormia ao seu lado, com uma das mãos apoiada em sua cintura, o rosto mais tranquilo do que ela tinha visto em muito tempo.
Por vários segundos, apenas o observou.
Depois, com cuidado para não acordá-lo, levou a própria mão até o ventre.
O gesto foi lento, tímido, assustado e real.
Os olhos dela se encheram de lágrimas novamente, mas dessa vez o choro não veio com a mesma violência.
Veio baixo, silencioso, confuso.
Porque, pela primeira vez desde o resultado, Dayse não estava apenas pensando no medo.
Estava pensando nele.
No homem que dormia ao seu lado sem saber que talvez já existisse uma parte dos dois crescendo dentro dela.
Edward se mexeu levemente durante o sono e a puxou mais para perto, fazendo Dayse prender a respiração quando a mão dele passou exatamente sobre a região de sua barriga.
Ele não acordou, não percebeu. Mas o coração dela pareceu parar.
Porque, naquele instante, o segredo deixou de parecer uma possibilidade distante e passou a parecer uma verdade entre os dois.
Dayse fechou os olhos, segurando a mão dele contra si por alguns segundos.
E compreendeu que esconder aquilo de Edward seria muito mais difícil do que imaginava.
Porque ele ainda não sabia.
Mas, mesmo sem saber, já estava perto demais da verdade.

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