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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 228

“Algumas verdades ficam mais difíceis de esconder quando a felicidade começa a parecer real demais.”

O retorno a Manhattan aconteceu sob um céu claro demais para combinar com a confusão silenciosa que Dayse carregava dentro do peito desde a manhã em que descobriu que sua vida provavelmente nunca mais voltaria a ser a mesma.

O jato particular pousou pouco depois do meio-dia, e, enquanto todos se levantavam aos poucos, recolhendo bolsas, óculos escuros e pequenas malas de mão, Dayse permaneceu sentada por alguns segundos a mais, com os dedos apertados contra a alça da própria bolsa, exatamente onde Marina havia guardado o teste positivo dentro de um nécessaire pequeno, discreto e pesado demais para algo tão leve.

Edward percebeu. É claro que percebeu. Ele sempre percebia.

— Ainda está enjoada? — perguntou em voz baixa, aproximando-se dela antes que qualquer outra pessoa pudesse ouvir.

Dayse ergueu os olhos depressa e tentou sorrir, mas o esforço morreu no canto da boca antes de parecer convincente.

— Um pouco, mas estou melhor.

Edward sustentou o olhar dela por alguns segundos, e Dayse percebeu a preocupação aparecer discretamente em sua expressão. Sempre que alguma situação saía do controle e tinha relação com ela, Edward reagia daquele jeito. Os olhos azuis permaneceram atentos, como se ele estivesse tentando entender o que estava acontecendo e se havia algum problema que ela não estava contando.

— Então fica perto de mim — ele disse, estendendo a mão.

A frase foi simples, mas Dayse sentiu o coração apertar, porque Edward não fazia ideia de que, naquele momento, ficar perto dele era exatamente o que mais a acalmava e o que mais a assustava.

Ela colocou a mão na dele. E se odiou um pouco por perceber o quanto precisava daquele toque.

Quando a porta do jato se abriu e o grupo começou a descer, o som das vozes chegou antes mesmo que Dayse conseguisse entender o que estava acontecendo, e bastaram alguns passos na pista reservada do aeroporto para perceber que vários fotógrafos já aguardavam do lado externo da área de desembarque, separados por seguranças e pela equipe particular de Edward.

— Meu Deus — Clara murmurou atrás dela, segurando o braço de Adrian com força. — Eles parecem hienas de luxo.

Adrian olhou para ela de lado, com uma expressão quase divertida.

— Hienas de luxo?

— Sim, porque estão vestindo roupas caras enquanto tentam devorar a privacidade dos outros.

Daniel, que vinha ao lado de Marina, soltou uma risada baixa, mas logo ficou sério quando viu a quantidade de flashes aumentando do lado de fora.

— Isso é por causa da viagem?

Edward não respondeu imediatamente.

A mão dele apenas se firmou na cintura de Dayse com naturalidade, puxando-a para mais perto enquanto os seguranças abriam caminho.

— É por causa dela — Adrian respondeu em tom baixo, observando Edward com atenção. — E dele.

Dayse ouviu, porque estava perto demais para não ouvir, mas não teve tempo de reagir, pois no instante em que atravessaram a porta principal, os flashes explodiram diante deles e as perguntas começaram a vir de todos os lados.

— Senhor Fitzgerald, a viagem foi uma comemoração do noivado?

— Dayse, vocês já têm data para o casamento?

— Edward, é verdade que a família Fitzgerald já aprovou oficialmente a união?

— Dayse, como responde aos rumores sobre o contrato?

O corpo dela tencionou ao ouvir a última pergunta, e Edward percebeu antes mesmo que ela conseguisse disfarçar.

A mão dele subiu da cintura até sua nuca, num gesto firme e protetor, e ele a puxou para mais perto do próprio corpo, inclinando o rosto o suficiente para falar perto do ouvido dela.

— Olha para mim, não para eles.

Dayse obedeceu.

E talvez aquele tenha sido o problema.

Porque, quando encontrou os olhos dele, viu algo tão calmo, tão seguro e tão absolutamente concentrado nela que por alguns segundos conseguiu esquecer os flashes, as perguntas e o teste escondido dentro da própria bolsa.

Edward virou o rosto para os fotógrafos, sem soltar Dayse.

— A senhorita Whitmore e eu não vamos responder perguntas pessoais no aeroporto — disse em voz firme, educada e fria o bastante para reduzir parte do barulho ao redor. — Mas podem fotografar o quanto quiserem. Não há nada que eu esteja tentando esconder.

Dayse prendeu a respiração.

Clara arregalou os olhos.

Marina olhou para Daniel e Adrian apenas inclinou a cabeça, como se tivesse acabado de confirmar algo que já sabia.

Edward, então, fez algo que Dayse jamais esperaria naquele momento.

Ele se inclinou e beijou sua testa diante de todos.

Não foi um beijo estratégico na boca, nem um gesto calculado para manchetes, nem uma provocação pública como algumas que ele já havia feito antes. Foi um beijo lento, cuidadoso e absurdamente íntimo, como se, no meio daquele caos, ele estivesse apenas lembrando a ela que não precisava enfrentar aquilo sozinha.

Os flashes aumentaram imediatamente e Dayse sentiu os olhos arderem.

— Edward… — sussurrou, sem saber se estava pedindo que ele parasse ou agradecendo por ele não se afastar.

Ele olhou para ela com a mandíbula discretamente tensionada, mas os olhos suavizaram de um jeito que a destruiu por dentro.

— Vamos para casa.

Casa.

A palavra ficou entre os dois por mais tempo do que deveria.

A caminho da cobertura, dentro do carro, Dayse permaneceu olhando pela janela enquanto Edward fazia algumas ligações rápidas ao lado dela, mantendo a voz baixa e controlada, remarcando compromissos, adiando reuniões e transferindo decisões para Adrian com uma facilidade que ela nunca tinha visto antes.

— Remarque a reunião com os investidores para amanhã — ele disse ao telefone.

Do outro lado, o seu assessor provavelmente respondeu alguma coisa, porque Edward estreitou os olhos.

— Eu sei o valor da reunião.

Pausa.

— Apenas, remarque.

Dayse virou o rosto devagar para ele. Edward encerrou a ligação e percebeu o olhar dela.

— O que foi?

— Você acabou de adiar uma reunião importante?

— Sim.

— Por quê?

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