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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 24

“Toda mentira começa como estratégia… até o momento em que se torna escolha.”

O anel não deveria significar nada.

Era apenas parte de um acordo, um detalhe cuidadosamente planejado para convencer uma família exigente e manter uma mentira sob controle.

Mas, no instante em que Edward Fitzgerald deslizou a safira azul no dedo de Dayse, ficou perigosamente claro que aquele não seria o único papel que eles teriam que sustentar naquela noite.

O carro de Edward percorreu silenciosamente a alameda iluminada até a mansão da família, uma construção imponente cercada por jardins impecáveis que refletiam riqueza, tradição e poder.

Dayse observava tudo pela janela, absorvendo cada detalhe com uma mistura de surpresa e incredulidade que ela não fazia questão de esconder, enquanto o carro se aproximava lentamente da entrada principal.

— Seus avós moram… aqui? — murmurou, com a voz carregando um leve tom de incredulidade.

Edward estacionou com a mesma tranquilidade calculada de sempre, como se aquilo fosse apenas mais um detalhe irrelevante em sua rotina.

— Eles gostam de espaço — respondeu, sem sequer olhar para ela.

Dayse soltou uma pequena risada, nervosa e incrédula ao mesmo tempo.

— Isso não é espaço, Edward… isso é praticamente um palácio.

Ele não respondeu. Apenas saiu do carro com movimentos fluidos, contornou o veículo e abriu a porta para ela, estendendo a mão com uma naturalidade que parecia antiga demais para ser ensaiada.

Dayse hesitou por um breve instante antes de aceitar a mão dele e percebeu quase imediatamente que tinha sido um erro, porque o toque de Edward era firme, quente e intencional demais, como se ele soubesse exatamente o efeito que causava… e, pior ainda, como se fizesse questão de causar.

Antes que ela pudesse recuperar totalmente o controle da própria respiração, Edward não a conduziu imediatamente até a entrada. Em vez disso… ele parou. E então, com uma calma quase provocadora, levou a mão ao bolso interno do paletó.

Dayse franziu levemente a testa, confusa.

— O que você está fazendo?

Edward não respondeu de imediato. Apenas retirou uma pequena caixa elegante e escura, abrindo-a com uma precisão silenciosa que fez o tempo, por um instante, parecer desacelerar ao redor deles.

O brilho da pedra surgiu imediatamente.

Uma safira azul profunda, intensa e hipnotizante.

Cercada por um aro dourado que não gritava luxo… mas o afirmava com uma sofisticação incontestável.

Dayse ficou imóvel.

— Edward… — murmurou, sem conseguir disfarçar a surpresa — o que é isso?

Ele inclinou levemente a cabeça, observando a reação dela com um interesse quase analítico, como se cada microexpressão fosse uma resposta que ele já esperava encontrar.

— Um anel de noivado — respondeu com tranquilidade.

Fez uma pausa. E então, o canto da boca se curvou em um sorriso lento… carregado de um sarcasmo elegante.

— Não se empolga, senhorita Whitmore… — acrescentou, aproximando-se um passo, a voz mais baixa — é apenas de mentirinha.

O calor subiu imediatamente pelo rosto dela.

— Isso não parece algo “de mentirinha” — respondeu, ainda olhando para a safira, incapaz de esconder o impacto.

Edward deu de ombros com uma elegância irritante.

— Meus avós não são exatamente fãs de apresentações amadoras — disse, como se aquilo fosse óbvio — e eu prefiro evitar questionamentos desnecessários sobre o quanto estou… comprometido.

Antes que ela pudesse reagir, ele segurou a mão dela. O toque foi firme, seguro e perigosamente natural.

Dayse prendeu a respiração quando ele deslizou o anel em seu dedo, com uma lentidão que parecia muito mais íntima do que a situação permitia, enquanto os olhos dele acompanhavam o gesto com uma atenção silenciosa e intensa demais para ser apenas atuação.

— Pronto — murmurou, observando o resultado como se estivesse avaliando algo muito além de aparência — agora está convincente.

Dayse ainda encarava a própria mão.

— Isso é caro.

Edward soltou uma leve risada, baixa e despreocupada.

— Isso é o mínimo.

E então, como se nada daquilo tivesse sido cuidadosamente calculado para desestabilizá-la, ele finalmente voltou a se mover, conduzindo-a até a entrada com uma naturalidade desconcertante.

A porta se abriu antes mesmo que ele tocasse a campainha e uma senhora elegante surgiu ali, com os cabelos grisalhos perfeitamente presos e um olhar vivo que analisou os dois com uma rapidez impressionante, mas que mudou completamente no instante em que encontrou Dayse.

O sorriso veio imediato, quente e genuíno.

— Edward! — disse, abrindo os braços.

Ele se aproximou e a abraçou.

— Boa noite, vovó.

— Você demorou para trazer essa jovem até aqui — respondeu, antes de voltar os olhos diretamente para Dayse.

— Boa noite, vovô.

Arthur olhou novamente para Dayse.

— Você tem bom gosto.

Dayse não sabia se ria ou se ficava nervosa.

Margaret segurou o braço dela.

— Venha, sente-se ao meu lado no jantar.

Quando segurou a mão de Dayse, ela percebeu algo que ainda não tinha notado. O anel que estava no dedo anelar direito de Dayse. E um brilho imediato surgiu em seus olhos ao reconhecer a jóia.

— Oh… — murmurou, claramente encantada.

Dayse sentiu o coração disparar sem entender completamente o motivo, mas algo na reação da senhora fez com que aquele anel, que até poucos minutos atrás parecia apenas parte de um acordo, começasse a pesar de forma diferente em seu dedo.

Edward percebeu.

— Eu jamais pensei que fosse ver o anel de sua mãe na mão de uma jovem… — acrescentou, segurando delicadamente a mão dela para observar a safira com atenção quase emocionada — ficou perfeito, meu filho.

O mundo pareceu desacelerar por um instante.

— Da… mãe dele? — a pergunta escapou antes que Dayse pudesse conter, a voz saiu mais baixa, e carregada de surpresa.

Os olhos dela se voltaram imediatamente para Edward. E, pela primeira vez desde que ele apareceu à sua porta, algo dentro dela vacilou.

Porque aquilo já não parecia mais apenas uma encenação bem construída. Não quando ele havia colocado no dedo dela algo que claramente significava mais do que qualquer mentira.

Edward sustentou o olhar dela por um breve instante.

— Era dela — disse apenas, com uma calma que parecia ensaiada demais para ser casual.

Margaret sorriu, claramente satisfeita.

— Então, dessa vez… você escolheu certo.

Edward apenas inclinou levemente a cabeça, como se aquilo fosse irrelevante.

— Eu faço o possível.

Porque, no momento em que descobriu que aquele anel havia pertencido à mãe dele, Dayse percebeu que talvez tivesse aceitado um papel muito mais perigoso do que havia imaginado.

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