“Toda mentira começa como estratégia… até o momento em que se torna escolha.”
O anel não deveria significar nada.
Era apenas parte de um acordo, um detalhe cuidadosamente planejado para convencer uma família exigente e manter uma mentira sob controle.
Mas, no instante em que Edward Fitzgerald deslizou a safira azul no dedo de Dayse, ficou perigosamente claro que aquele não seria o único papel que eles teriam que sustentar naquela noite.
O carro de Edward percorreu silenciosamente a alameda iluminada até a mansão da família, uma construção imponente cercada por jardins impecáveis que refletiam riqueza, tradição e poder.
Dayse observava tudo pela janela, absorvendo cada detalhe com uma mistura de surpresa e incredulidade que ela não fazia questão de esconder, enquanto o carro se aproximava lentamente da entrada principal.
— Seus avós moram… aqui? — murmurou, com a voz carregando um leve tom de incredulidade.
Edward estacionou com a mesma tranquilidade calculada de sempre, como se aquilo fosse apenas mais um detalhe irrelevante em sua rotina.
— Eles gostam de espaço — respondeu, sem sequer olhar para ela.
Dayse soltou uma pequena risada, nervosa e incrédula ao mesmo tempo.
— Isso não é espaço, Edward… isso é praticamente um palácio.
Ele não respondeu. Apenas saiu do carro com movimentos fluidos, contornou o veículo e abriu a porta para ela, estendendo a mão com uma naturalidade que parecia antiga demais para ser ensaiada.
Dayse hesitou por um breve instante antes de aceitar a mão dele e percebeu quase imediatamente que tinha sido um erro, porque o toque de Edward era firme, quente e intencional demais, como se ele soubesse exatamente o efeito que causava… e, pior ainda, como se fizesse questão de causar.
Antes que ela pudesse recuperar totalmente o controle da própria respiração, Edward não a conduziu imediatamente até a entrada. Em vez disso… ele parou. E então, com uma calma quase provocadora, levou a mão ao bolso interno do paletó.
Dayse franziu levemente a testa, confusa.
— O que você está fazendo?
Edward não respondeu de imediato. Apenas retirou uma pequena caixa elegante e escura, abrindo-a com uma precisão silenciosa que fez o tempo, por um instante, parecer desacelerar ao redor deles.
O brilho da pedra surgiu imediatamente.
Uma safira azul profunda, intensa e hipnotizante.
Cercada por um aro dourado que não gritava luxo… mas o afirmava com uma sofisticação incontestável.
Dayse ficou imóvel.
— Edward… — murmurou, sem conseguir disfarçar a surpresa — o que é isso?
Ele inclinou levemente a cabeça, observando a reação dela com um interesse quase analítico, como se cada microexpressão fosse uma resposta que ele já esperava encontrar.
— Um anel de noivado — respondeu com tranquilidade.
Fez uma pausa. E então, o canto da boca se curvou em um sorriso lento… carregado de um sarcasmo elegante.
— Não se empolga, senhorita Whitmore… — acrescentou, aproximando-se um passo, a voz mais baixa — é apenas de mentirinha.
O calor subiu imediatamente pelo rosto dela.
— Isso não parece algo “de mentirinha” — respondeu, ainda olhando para a safira, incapaz de esconder o impacto.
Edward deu de ombros com uma elegância irritante.
— Meus avós não são exatamente fãs de apresentações amadoras — disse, como se aquilo fosse óbvio — e eu prefiro evitar questionamentos desnecessários sobre o quanto estou… comprometido.
Antes que ela pudesse reagir, ele segurou a mão dela. O toque foi firme, seguro e perigosamente natural.
Dayse prendeu a respiração quando ele deslizou o anel em seu dedo, com uma lentidão que parecia muito mais íntima do que a situação permitia, enquanto os olhos dele acompanhavam o gesto com uma atenção silenciosa e intensa demais para ser apenas atuação.
— Pronto — murmurou, observando o resultado como se estivesse avaliando algo muito além de aparência — agora está convincente.
Dayse ainda encarava a própria mão.
— Isso é caro.
Edward soltou uma leve risada, baixa e despreocupada.
— Isso é o mínimo.
E então, como se nada daquilo tivesse sido cuidadosamente calculado para desestabilizá-la, ele finalmente voltou a se mover, conduzindo-a até a entrada com uma naturalidade desconcertante.
A porta se abriu antes mesmo que ele tocasse a campainha e uma senhora elegante surgiu ali, com os cabelos grisalhos perfeitamente presos e um olhar vivo que analisou os dois com uma rapidez impressionante, mas que mudou completamente no instante em que encontrou Dayse.
O sorriso veio imediato, quente e genuíno.
— Edward! — disse, abrindo os braços.
Ele se aproximou e a abraçou.
— Boa noite, vovó.
— Você demorou para trazer essa jovem até aqui — respondeu, antes de voltar os olhos diretamente para Dayse.

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