"Alguns homens aprendem a controlar empresas, crises e impérios. O problema é quando a única coisa que realmente importa não pode ser controlada."
Talvez a viagem tenha sido intensa demais.
Talvez a imprensa a tivesse assustado, ou a declaração pública, os fotógrafos, a palavra casa, o cuidado, tudo aquilo que ele vinha fazendo sem medir consequências, tivesse colocado sobre ela uma pressão maior do que ela conseguia suportar.
Talvez Dayse estivesse percebendo que não queria aquilo e estivesse se preparando para recuar.
A mandíbula dele tencionou, mas a voz permaneceu controlada quando respondeu:
— Então não foge de mim enquanto tenta decidir como fazer isso.
Dayse prendeu a respiração.
— Edward...
— Eu não estou pedindo que fale agora.
Ele se aproximou o suficiente para tocar a mão dela sobre a mesa, mas não a segurou com força. Apenas encostou os dedos nos dela.
— Estou pedindo que não transforme esse silêncio em distância.
Dayse olhou para a mão dele, e a expressão dela quase quebrou.
— Eu não quero me afastar.
— Então fica.
A resposta saiu baixa, direta e mais vulnerável do que Edward pretendia permitir.
Os olhos dela subiram para os dele e durante alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.
Dayse respirou fundo, como se estivesse prestes a falar.
Edward esperou.
Ela abriu a boca, depois fechou. E aquele recuo pequeno foi suficiente para confirmar o que ele já sabia.
Ela ainda não confiava na própria coragem, ou talvez ainda não confiasse nele o bastante.
A constatação doeu mais do que ele esperava.
— Termina a sopa — Edward disse, afastando a mão devagar antes que acabasse puxando dela uma verdade para a qual ela claramente não estava pronta.
Dayse assentiu.
Comeu mais algumas colheradas em silêncio, e Edward fingiu não perceber quando uma lágrima caiu no canto do olho dela e foi apagada rapidamente com a ponta dos dedos.
Mais tarde, quando a noite já cobria Manhattan e a cidade brilhava através das enormes janelas da cobertura, Dayse se encolheu no sofá com uma manta fina sobre as pernas enquanto Edward atendia uma ligação perto da parede de vidro.
Ele ouviu pouco do que Adrian dizia.
O suficiente para saber que as reuniões haviam sido reorganizadas, que a imprensa continuava tentando transformar o desembarque em manchete e que Clara, segundo o próprio Adrian, se negava a dizer alguma coisa sobre Dayse.
— Mantenha tudo fora da imprensa por enquanto — Edward ordenou, olhando para Dayse de longe.
Ela estava distraída, com os dedos tocando a borda da manta e os olhos perdidos em algum ponto da sala.
— E se aparecer qualquer nova matéria envolvendo o nome dela, eu quero saber antes de ser publicada.
Adrian falou alguma coisa do outro lado.
Edward estreitou levemente os olhos.
— Não, eu não estou exagerando.
Pausa.
— Estou tentando evitar que ela seja empurrada para mais um escândalo antes de conseguir respirar.
Adrian ficou em silêncio por um segundo antes de responder, e Edward reconheceu no silêncio do amigo uma compreensão que preferiu não comentar.
— Amanhã eu passo na empresa — Edward concluiu. — Hoje não.
Ele encerrou a ligação e guardou o celular antes de voltar para o sofá.
Dayse ergueu os olhos quando ele se sentou ao lado dela.
— Adrian?
— Sim.
— Problemas?
— Nada que precise de você hoje.
Ela tentou sorrir.
— Isso é uma maneira educada de me excluir?
Porque talvez esse fosse justamente o problema. Talvez ele sempre tivesse falado como quem possuía. Talvez Dayse precisasse ouvir que podia ficar sem ser presa.
— Eu não sei o que está acontecendo — ele continuou, tocando o rosto dela com os dedos. — Mas sei que você está com medo.
Ela sustentou o olhar dele por alguns segundos.
Depois assentiu.
— Estou…
A confissão foi pequena, mas Edward sentiu como se ela tivesse colocado algo pesado nas mãos dele.
Ele inclinou o rosto, aproximando-se devagar.
— Então fica comigo enquanto sente medo.
Dayse fechou os olhos no instante em que ele tocou a testa na dela.
Não houve beijo de imediato.
Apenas respiração próxima, silêncio e aquele esforço absurdo de ambos para não transformar uma conversa difícil em fuga.
Quando os lábios dele finalmente tocaram os dela, o beijo foi lento, controlado e cuidadoso, porque Edward sabia que desejo não resolveria aquilo e, mesmo assim, precisava sentir por alguns segundos que Dayse ainda estava ali.
Ela correspondeu com uma entrega silenciosa que apertou ainda mais o peito dele.
Não foi provocação, nem jogo.
Foi medo, necessidade e uma maneira de pedir que ele permanecesse sem conseguir dizer isso em voz alta.
Edward a envolveu com os braços, puxando-a para perto com firmeza, mas sem pressa, e sentiu a respiração dela falhar contra sua boca antes que ela se afastasse apenas o bastante para encostar o rosto em seu pescoço.
— Eu estou aqui — ele disse.
Dayse fechou os dedos na camisa dele.
— Eu sei.
Mas Edward ouviu a diferença naquela resposta.
Ela sabia.
Só ainda não acreditava o suficiente para contar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe