"Às vezes amar alguém não significa encontrar respostas. Significa permanecer ao lado dela enquanto as respostas não chegam."
Algum tempo depois, Dayse adormeceu no sofá por alguns minutos, apoiada contra ele, e Edward permaneceu imóvel para não acordá-la, olhando para o rosto dela enquanto tentava entender em que momento exato aquela mulher havia se tornado a única variável que ele não conseguia controlar e a única pessoa por quem estava disposto a mudar.
Ela parecia exausta.
Mais frágil do que tentava parecer quando estava de pé enfrentando o mundo com ironia, orgulho e aquele olhar que tantas vezes havia desafiado o dele sem medo.
Edward tocou uma mecha úmida próxima ao rosto dela e afastou o cabelo com cuidado.
Dayse se mexeu um pouco, mas não acordou.
Ele observou a boca dela, a marca discreta das lágrimas secas, a respiração irregular que ainda não parecia completamente tranquila, e sentiu uma irritação muda contra tudo o que não conseguia nomear.
Contra a imprensa, o contrato, a si mesmo. Contra qualquer coisa que pudesse ter feito Dayse acreditar que a verdade seria capaz de afastá-lo.
Porque era isso que mais o incomodava.
Não saber se ela tinha medo dele.
Da reação dele.
Do mundo.
Ou do que sentia.
Edward inclinou a cabeça para trás, fechando os olhos por alguns segundos, e pela primeira vez em muito tempo admitiu para si mesmo algo que teria considerado inaceitável meses antes.
Ele estava com medo.
Não de perder dinheiro, nem o controle. Uma negociação, um contrato ou uma disputa corporativa.
Estava com medo de perder Dayse.
E o pior era que, pela primeira vez na vida, não havia estratégia pronta, cláusula bem escrita, advogado habilidoso ou decisão fria capaz de resolver aquilo sem que ela escolhesse ficar.
Dayse acordou pouco depois, confusa, levando a mão ao rosto.
— Eu dormi?
— Alguns minutos.
Ela tentou se afastar, constrangida.
— Desculpa.
Edward segurou sua mão antes que ela conseguisse levantar completamente.
— Não pede desculpa por descansar.
Ela olhou para ele com uma expressão cansada demais para discutir.
— Acho que vou deitar um pouco.
Edward assentiu.
— Eu vou levar você.
— Eu consigo andar.
— Eu sei.
Mesmo assim, ele se levantou primeiro, estendeu a mão e esperou.
Dayse olhou para a mão dele durante um segundo longo demais, como se aquele gesto simples tivesse mais peso do que deveria, depois aceitou.
Edward a acompanhou até o quarto, sem fazer perguntas, sem tocar na bolsa que ela ainda mantinha por perto, sem comentar o modo como ela a levou junto mesmo estando dentro da própria cobertura.
Quando chegaram à porta, Dayse parou e virou o rosto para ele.
— Você vai ficar?


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