“Famílias não testam o que você diz… elas testam o que você sustenta.”
A família Fitzgerald não era o tipo de família que se impressionava com aparências, mas definitivamente era o tipo que sabia exatamente como quebrá-las.
O jantar seguiu com uma leveza inesperada, marcada por uma harmonia quase desconcertante, como se Dayse, de alguma forma silenciosa e completamente inesperada, tivesse se encaixado naquele ambiente com uma naturalidade que nem mesmo Edward parecia ter previsto.
Margaret permanecia encantada.
Observava, sorria e analisava cada detalhe.
E Augustus Fitzgerald, sentado à cabeceira da mesa, observava tudo com a calma de um homem que não precisava falar muito para ser ouvido, mas que, ainda assim, demonstrava um interesse genuíno pela presença daquela jovem que agora dividia o espaço com sua família.
Em determinado momento, ele inclinou levemente o corpo para frente, apoiando os braços sobre a mesa com uma elegância discreta, e dirigiu-se diretamente a Dayse.
— Senhorita Whitmore… — começou, com uma voz firme, porém gentil — devo dizer que é um prazer finalmente conhecê-la.
Dayse endireitou levemente a postura, surpresa pela atenção direta.
— O prazer é meu, senhor Fitzgerald.
Ele assentiu, observando-a com atenção.
— Uma moça adorável — acrescentou, com um leve sorriso que carregava aprovação genuína — Edward fez uma escolha… interessante.
Margaret sorriu de imediato, claramente satisfeita com aquilo.
— Interessante não, Augustus… perfeita.
Dayse sentiu o rosto aquecer discretamente.
Edward, por outro lado, apenas levou o copo aos lábios, como se estivesse mais interessado no vinho do que na conversa, mas o olhar dele, silencioso, permanecia atento.
Margaret então voltou-se novamente para Dayse, inclinando-se levemente em sua direção com curiosidade genuína.
— E me diga, querida… onde você trabalha?
Dayse abriu a boca para responder. Mas não teve tempo.
— No departamento jurídico da empresa — respondeu Edward com naturalidade, cortando a fala dela como se aquilo fosse uma informação irrelevante demais para exigir esforço.
Margaret ergueu as sobrancelhas, claramente impressionada.
— Jurídico? — repetiu, encantada — inteligente e bonita… isso é raro.
Dayse soltou uma pequena risada, um pouco sem graça.
— Eu tento.
Margaret inclinou-se para mais perto.
— Edward sempre foi difícil.
— Vovó… — murmurou ele.
Mas Margaret ignorou.
— Frio e calculista demais…
Ela piscou para Dayse.
— Precisava de alguém que o equilibrasse.
Margaret inclinou-se ainda mais, agora com um brilho curioso nos olhos.
— Então você deve conhecer Liliana…
Dayse assentiu com um leve movimento de cabeça. E, antes que pudesse dizer qualquer coisa…
— Vovó… — a voz de Edward surgiu, calma… mas carregada de um aviso sutil.
Margaret ignorou completamente.
— Aquela mulher… — continuou, abaixando levemente a voz, como se estivesse compartilhando um segredo — sempre me pareceu interessada demais no sobrenome da família.
Edward soltou uma leve respiração, quase um suspiro impaciente, antes de finalmente erguer o olhar.
— Ah, me poupe… — disse, com um sarcasmo elegante e cortante — aquela mulherzinha não me engana.
O silêncio caiu por um segundo. Mas ela não parou.
— Uma oportunista — continuou, com tranquilidade fria — que sempre quis o nosso sobrenome… e que, antes de você — acrescentou, olhando diretamente para Dayse — costumava aquecer os lençóis do meu neto.
Dayse sentiu o corpo inteiro travar por um instante.
— O que quer dizer?
Arthur o encarou com atenção agora, como quem observa não apenas o que é dito, mas tudo aquilo que é cuidadosamente omitido.
— Eu conheço você — respondeu com tranquilidade — e também conheço homens de negócios.
Fez uma breve pausa, o suficiente para que o silêncio entre eles se tornasse mais denso.
— E você nunca investe em algo que não pretende levar até o fim.
Edward soltou um suspiro contido, desviando o olhar por um instante.
— Vovô…
Mas Arthur ergueu a mão, interrompendo-o com um gesto simples, porém definitivo.
— Eu não tenho mais dúvidas de que você está pronto para assumir as empresas — continuou, com a voz firme, sem espaço para discussão.
Edward permaneceu quieto, imóvel. Sabendo exatamente o que viria a seguir.
— Mas ainda falta uma coisa…
O silêncio entre eles pareceu se alongar. Edward já sabia a resposta antes mesmo que fosse dita.
— Um herdeiro… — completou, sem emoção.
Arthur assentiu lentamente.
— Um bisneto.
A palavra pairou no ar. E, por um instante, tudo pareceu parar.
Edward apertou levemente o maxilar, mantendo o olhar fixo à frente, enquanto algo dentro dele se tencionava de forma quase imperceptível, mas não respondeu.
Arthur observou. E então, com um leve sorriso que misturava experiência e certeza, acrescentou:
— Pense nisso.
E, naquele momento, enquanto encarava o avô e ouvia a palavra “herdeiro” ecoar no silêncio, Edward percebeu que aquele jogo já não estava mais sob controle.

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