"Existem notícias que trazem felicidade. E existem notícias que fazem uma família inteira perceber que o futuro acabou de ganhar um novo significado."
Edward Fitzgerald dirigiu durante todo o caminho até a casa dos avós com uma das mãos apoiada no volante e a outra entrelaçada à de Dayse, como se ainda precisasse daquele contato constante para se convencer de que tudo aquilo era real.
A chuva tinha ficado para trás, o céu estava limpo e o caminho seguia tranquilo diante deles, mas nada disso ocupava verdadeiramente os pensamentos dele.
Porque, desde que ouviu aquelas palavras, uma única verdade parecia incapaz de deixar sua mente.
Ele seria pai.
Toda vez que seus olhos encontravam Dayse, o olhar descia quase imediatamente para a barriga dela, como se ainda precisasse confirmar que aquela nova realidade era verdadeira.
Toda vez que lembrava que existia uma nova vida crescendo ali. Seu coração acelerava novamente.
Dayse percebeu aquilo desde os primeiros minutos da viagem ao notar os sorrisos que surgiam sem aviso, os momentos em que ele parecia distraído e a forma como os dedos masculinos apertavam os dela sempre que seus pensamentos voltavam para o bebê.
E aquilo fazia seu peito se aquecer.
Porque aquele homem não estava apenas feliz, estava completamente transformado.
Quando os portões da propriedade Fitzgerald finalmente surgiram diante deles, Edward soltou uma respiração profunda antes de estacionar o carro e virou o rosto na direção dela. Seus olhos ainda carregavam aquela felicidade quase inacreditável.
— Tem certeza?
Dayse não conseguiu evitar o sorriso.
— Você já me perguntou isso várias vezes.
— Porque ainda parece impossível.
Ela levou uma das mãos até o rosto dele, acariciando sua barba por fazer com delicadeza.
— Sim, Edward. Tem um bebê aqui dentro.
O sorriso dele aumentou.
Poucos minutos depois, os dois atravessavam a entrada principal da mansão Fitzgerald e Margaret foi a primeira a aparecer.
Ela vinha descendo a escadaria quando percebeu a presença dos dois, mas bastou observar o rosto do neto durante alguns segundos para entender que alguma coisa importante tinha acontecido.
Porque Edward parecia feliz demais.
Augustus apareceu logo depois.
— O que aconteceu?
Edward olhou para Dayse apertando sua mão e então voltou a encarar os avós.
Naquele momento ele não parecia o presidente da Fitzgerald Corporation. Parecia apenas um homem prestes a compartilhar a notícia mais importante da própria vida.
— Eu tenho uma coisa para contar.
Margaret levou a mão ao peito imediatamente e Augustus franziu a testa.
— Então conte logo.
Edward sorriu.
E seus olhos voltaram para Dayse por um breve instante antes de responder:
— Vocês vão ser bisavós.
O silêncio tomou conta da sala.
Margaret sentiu os olhos marejarem imediatamente, não pela notícia da gravidez, porque ela já sabia havia dias, mas pela cena diante dela. Edward mantinha a mão presa à de Dayse, os dois pareciam incapazes de esconder a felicidade, e aquilo foi suficiente para fazê-la respirar aliviada.
Porque, durante dias, ela tinha temido que a mágoa fosse mais forte que o amor, mas naquele instante estava diante da prova de que aqueles dois tinham encontrado uma maneira de se reencontrar.
Ao seu lado, Augustus permanecia completamente imóvel, alternando o olhar entre o neto e Dayse enquanto tentava absorver a notícia de que seria bisavô.
Os olhos de Augustus começaram a marejar instantaneamente e, por mais que tentasse preservar a postura firme que o acompanhava durante toda a vida, o movimento da sua garganta e a tensão no maxilar denunciavam que a emoção era forte demais para ser escondida.
Dayse sentiu os próprios olhos se encherem de lágrimas ao vê-lo daquela forma. Margaret, por outro lado, começou a rir.
Uma risada baixa, emocionada e divertida.
Ela caminhou diretamente até Dayse e a envolveu em um abraço apertado.
Os olhos da senhora Fitzgerald também estavam marejados quando ela aproximou os lábios do ouvido dela.
— Eu não disse que ele iria surtar?
Dayse começou a rir imediatamente e Edward estreitou os olhos.
— Espera…
Margaret se afastou apenas o suficiente para encará-lo.
— Então você já sabia? — perguntou ele.
— Sim, meu neto.
— Vovó...
— Fui uma das primeiras pessoas a saber.
Edward levou uma das mãos à testa.
— Vovó...
— Não me olha desse jeito.
— Você escondeu isso de mim.
— Era algo que ela deveria contar.
Dayse gargalhou e Margaret apontou para ela.
— Está vendo? Ela concorda comigo.
— Vocês conspiraram contra mim.
— E sobrevivemos para contar a história.
Edward abriu a boca para responder, mas Augustus finalmente recuperou a voz.
— Deixa de besteira, meu neto.
Todos olharam para ele.
Os olhos do patriarca continuavam vermelhos, mas agora havia um sorriso enorme em seu rosto.
— Temos muito a comemorar.
A voz falhou e, mesmo depois de respirar fundo para recuperar a compostura, Augustus não conseguiu esconder a emoção.
— Que meu bisneto venha com muita saúde.
Margaret imediatamente tocou a barriga de Dayse.
— Ou bisneta.
O sorriso de Augustus aumentou ainda mais.
— Que venha com saúde — completou ele, com os olhos novamente marejados. — Porque ele ou ela já é amado.
O silêncio emocionado que tomou conta da sala foi interrompido alguns minutos depois quando Edward pareceu lembrar de uma pessoa específica.
Uma pessoa que precisava ouvir aquela notícia imediatamente.
O sorriso dele surgiu sozinho.
— Adrian.
Margaret começou a rir antes mesmo da ligação acontecer.
— Ah, não.
— Ah, sim.
Edward pegou o celular enquanto mantinha a outra mão apoiada sobre a barriga de Dayse.
O telefone foi atendido quase instantaneamente.
— Se você estiver me ligando para dizer que não vem trabalhar, eu me demito.
Edward revirou os olhos.

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