"Algumas famílias comemoram boas notícias. Outras transformam essas notícias em um projeto de tempo integral."
Dayse descobriu que sua opinião sobre o próprio casamento havia deixado de ser relevante no instante em que entrou na sala principal da mansão Fitzgerald na manhã seguinte e encontrou Margaret sentada diante de uma mesa completamente tomada por catálogos, amostras de tecidos, revistas especializadas, listas de fornecedores e uma quantidade absurda de anotações que pareciam suficientes para organizar um evento presidencial.
Clara estava sentada à direita da senhora Fitzgerald e Marina ocupava o lugar da esquerda.
As três conversavam com a concentração de pessoas que claramente havia assumido uma missão importante.
E aquilo nunca era um bom sinal.
— Bom dia — disse Dayse, parando no meio do caminho.
As três levantaram os olhos ao mesmo tempo.
— Finalmente — respondeu Margaret.
— Estávamos esperando você.
— Há quase uma hora — acrescentou Clara.
— Quarenta e sete minutos — corrigiu Marina.
Dayse piscou.
— Vocês estão me assustando.
— Ótimo — respondeu Clara. — Significa que estamos causando a impressão correta.
Antes que Dayse pudesse responder, uma mão pousou imediatamente em sua lombar.
Era Edward. Ele havia desenvolvido o hábito de tocá-la constantemente. Como se precisasse confirmar que ela continuava ali. Como se precisasse lembrar a si mesmo que nada daquilo tinha sido um sonho.
— Ela acabou de acordar — informou ele.
Clara arqueou uma sobrancelha.
— São dez horas da manhã.
— Ela precisa descansar.
— Ela dormiu nove horas.
— Ainda assim.
Margaret fechou a revista que tinha nas mãos lentamente.
Dayse conhecia aquele olhar, já Edward aparentemente não.
— Edward…
— Sim, vovó?
— Gravidez não é doença.
Clara imediatamente abaixou a cabeça para esconder o sorriso e Marina fez o mesmo.
Edward permaneceu impassível.
— Eu sei.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Porque ontem você tentou impedir Dayse de carregar a própria bolsa.
— Ela estava pesada.
— Era uma bolsa.
— Ainda assim.
— E também tentou impedir que ela subisse uma escada.
— Poderia escorregar.
— Eram três degraus.
— Acidentes acontecem.
Margaret levou uma das mãos à testa.
— Meu Deus.
Dayse já estava rindo. Porque aquela discussão acontecia desde a noite anterior. Edward havia desenvolvido um instinto de proteção tão exagerado que começava a preocupar até mesmo a própria família.
— Eu só estou tomando precauções — argumentou ele.
— Você quase pediu autorização médica para ela atravessar uma sala.
— Isso é um exagero.
— Não é.
— É um pouco — concordou Marina.
— Muito — acrescentou Clara.
Edward olhou para as três. Depois para Dayse.
— Ninguém está do meu lado?
— Não.
A resposta veio das quatro mulheres ao mesmo tempo.
A gargalhada que escapou de Dayse fez Edward estreitar os olhos.
Mas então ele sorriu, porque ver Dayse rir daquele jeito fazia alguma coisa dentro dele se acalmar, e perceber o quanto a felicidade dela tinha se tornado importante para a sua própria felicidade ainda era algo que o surpreendia.
Margaret voltou sua atenção para os papéis espalhados sobre a mesa.
— Agora sente aqui.
Dayse obedeceu.
E imediatamente se arrependeu.
Entre vestidos de madrinha, flores, igrejas, buffets, convites, decoração, música e fotógrafos, Dayse percebeu rapidamente que não estava participando da organização do casamento, mas sendo completamente engolida por ele.
Tudo apareceu diante dela ao mesmo tempo.
— Meu Deus — murmurou.

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