"Existem momentos que mudam uma vida inteira. Alguns deles cabem dentro de uma única palavra."
Edward Fitzgerald descobriu que esperar era uma atividade extremamente desagradável no instante em que entrou na clínica ao lado de Dayse e percebeu que ainda precisaria permanecer sentado durante alguns minutos antes da consulta começar.
Os dedos dele permaneciam entrelaçados aos dela não por hábito ou necessidade, mas porque, desde que descobriu que seria pai, qualquer coisa que envolvesse Dayse ou o bebê parecia importante demais para ser tratada com normalidade.
Dayse observava tudo em silêncio. Observava a forma como ele verificava o relógio. A maneira como voltava os olhos para a porta do consultório a cada poucos segundos. E principalmente a tensão discreta presente em seus ombros.
— Edward?
— Hum?
— Você está nervoso.
— Não estou.
— Está sim.
— Não estou.
— Você olhou para aquela porta sete vezes nos últimos dois minutos.
— Eu estava observando o ambiente.
— Claro.
O canto da boca dele se moveu levemente, mas nenhuma resposta veio, porque Dayse estava certa e ele sabia disso. Por trás da aparente tranquilidade, estava genuinamente nervoso, talvez mais do que em qualquer negociação importante de toda a sua vida.
Quando finalmente chamaram o nome deles, Edward foi o primeiro a se levantar.
O médico precisou conter um sorriso durante toda a primeira parte da consulta, principalmente porque Edward fazia perguntas numa velocidade impossível de acompanhar.
— Os exames estão bons?
— Sim.
— A pressão dela está boa?
— Está.
— O bebê está saudável?
— Está.
— Tem certeza?
— Edward...
A advertência veio de Dayse, fez o médico começar a rir.
— Senhor Fitzgerald, eu prometo que vou avisar se existir qualquer motivo para preocupação.
Edward respirou fundo. Mas apenas por alguns segundos.
— Certo.
Pausa.
— E o bebê está mesmo bem?
Dayse cobriu o rosto envergonhada e o médico não aguentou e começou a gargalhar respondendo em seguida:
— Está excelente.
A consulta continuou durante alguns minutos, até que finalmente chegou o momento do ultrassom.
E foi então que tudo mudou.
Porque, por mais que Edward estivesse tentando agir normalmente, a realidade atingiu os dois com força quando as luzes foram suavizadas e Dayse se acomodou na maca.
O gel frio tocou sua pele e o aparelho deslizou lentamente sobre sua barriga. Alguns segundos depois uma imagem apareceu na tela e o silêncio tomou conta da sala.
Os olhos de Dayse imediatamente se encheram de lágrimas e Edward apertou sua mão forte demais. Mas ela não reclamou, porque também estava emocionada.
Naquela tela borrada, estava o bebê deles.
O médico começou a explicar algumas coisas, mostrando os movimentos, os braços, as pernas e o coração que batia forte e saudável. Então o som dos batimentos cardíacos preencheu o consultório fazendo Dayse levar a mão livre até a boca imediatamente.
Edward permaneceu completamente imóvel com os olhos presos à tela. Como se tivesse medo de perder qualquer detalhe, ou estivesse tentando guardar aquele momento para sempre.
— Está tudo perfeito — informou o médico.
A voz dele pareceu distante. Porque nenhum dos dois conseguia desviar os olhos da imagem.
Então o médico sorriu.
— Vocês gostariam de saber o sexo?
Edward respondeu antes mesmo de Dayse.
— Sim.
Dayse começou a rir entre as lágrimas.
— Claro.
O médico movimentou o aparelho mais uma vez enquanto observava atentamente a tela diante de si, e o silêncio que tomou conta do consultório pareceu se prolongar muito além do que realmente durou, porque nem Dayse nem Edward conseguiam desviar os olhos daquela pequena vida que aparecia diante deles.
Os dedos de Edward continuavam firmes e entrelaçados aos dela. Como se ele estivesse segurando alguma coisa muito maior do que apenas a mão da mulher que amava.
E de repente, o médico sorriu.
Um sorriso tranquilo daqueles que costumam anteceder boas notícias.
— Parabéns.
Dayse sentiu o coração acelerar imediatamente e ao seu lado, Edward ficou ainda mais imóvel.
— Vocês vão ter uma menina.
Por alguns segundos, absolutamente nada aconteceu.
O monitor continuou ligado. Os batimentos continuaram ecoando pelo ambiente. Mas Edward Fitzgerald simplesmente deixou de ouvir qualquer outra coisa.
Os olhos permaneceram presos à tela, a respiração ficou mais lenta e mais pesada. E alguma coisa atravessou seu rosto com uma intensidade que Dayse nunca tinha visto antes.
Porque, naquele instante, a palavra filha deixou de ser uma possibilidade distante e se transformou em realidade.
Era uma menina.
Sua filha.
A sua pequena menina.
Dayse virou imediatamente o rosto para observá-lo e sentiu o próprio coração apertar ao perceber que ele sequer piscava.
Edward continuava olhando para a tela como se estivesse tentando gravar aquele momento dentro da própria memória. Como se tivesse medo de esquecer qualquer segundo.
Então a garganta dele se moveu uma vez e somente então seus olhos começaram a marejar.
Não foi um choro imediato. Foi aquela emoção silenciosa que surge devagar, ocupando espaço aos poucos, até não deixar lugar para mais nada.
— Edward...?

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