"Existem situações para as quais nenhum homem está preparado. E descobrir exatamente como um bebê nasce costuma estar no topo da lista."
Os meses continuaram passando.
Helena crescia saudável, forte e cada vez mais determinada a lembrar os pais de sua existência através de chutes perfeitamente distribuídos ao longo do dia. Dayse já se aproximava do oitavo mês de gestação e começava a exibir aquela barriga que atraía olhares, sorrisos e uma quantidade preocupante de comentários não solicitados por parte de familiares excessivamente animados.
Edward, por sua vez, havia parado de fingir que ainda era uma pessoa racional.
Porque durante algum momento entre a descoberta da gravidez e o oitavo mês, o presidente da Fitzgerald Corporation simplesmente decidiu dedicar parte considerável da própria existência ao estudo obsessivo de tudo o que envolvia bebês.
Absolutamente tudo.
Alimentação, sono, cólica, vacinação, segurança infantil, carrinhos, berços, fraldas.
E, mais recentemente...
Parto.
Foi exatamente por isso que Adrian encontrou o amigo sozinho na presidência naquela manhã.
Edward estava sentado atrás da mesa com o notebook aberto, a expressão concentrada e os olhos fixos na tela.
Adrian entrou sem bater.
— Temos reunião com os investidores em vinte min...
A frase morreu no meio do caminho porque um som estranho vinha do computador.
Edward não levantou os olhos.
— Chegou cedo.
Adrian continuou parado.
— O que você está fazendo?
— Pesquisa.
— Sobre o quê?
— Parto.
Adrian franziu a testa e inclinou ligeiramente a cabeça, como se estivesse tentando entender se tinha ouvido aquilo corretamente.
— Por quê?
Edward pareceu genuinamente confuso.
— Porque minha esposa vai dar à luz.
— Eu sei.
— Então.
— Então o quê?
— Estou me preparando.
Adrian sentou-se na cadeira diante da mesa.
— Você está estudando parto durante o expediente, antes de uma reunião com investidores?
— Sim.
Adrian continuou olhando para ele.
— Certo.
Mais cinco segundos se passaram.
— Que tipo de vídeo é esse?
Edward girou o notebook na direção do amigo.
— Educativo.
Adrian olhou para a tela e imediatamente se arrependeu.
— Meu Deus.
Na tela, uma enfermeira explicava detalhadamente todas as etapas do trabalho de parto.
Edward apontou para a imagem.
— Está vendo?
— Infelizmente.
— Isso parece muito desconfortável.
— Muito desconfortável?
— Estou tentando ser otimista.
Adrian cruzou os braços e voltou a olhar para a tela.
— Clara disse que eu precisava aprender essas coisas.
— Dayse também.
— Achei que seriam dicas de respiração.
— Eu também.
A enfermeira continuava a explicação enquanto os dois permaneciam atentos.
Porque, por mais assustador que parecesse, ambos tinham um motivo para estar ali. Edward queria entender tudo o que Dayse enfrentaria quando Helena decidisse nascer. E Adrian, que também seria pai em poucos meses, estava determinado a não ser um daqueles homens que desmaiavam ou entravam em pânico sem saber o que fazer.
O silêncio durou quase um minuto. Então surgiu uma animação tridimensional.
Adrian e Edward empalideceram.
— Não.
— Sim.
— Não.
— Sim.
Adrian aproximou o rosto da tela como se aquilo pudesse ajudá-lo a encontrar algum erro.
— Isso não vai acontecer.
— Vai.
— Não desse tamanho.
— Também achei exagerado.
A animação prosseguiu e Edward fechou o notebook.
— Eu não gostei.
— Eu odiei.
— Estou processando.
— Eu também.
— Helena não parece tão grande assim.
— Eu tenho certeza de que meu filho também não vai ser desse tamanho.
— Isso claramente é um erro de proporção.
— Concordo.

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