"Existem momentos que mudam uma vida. E existem momentos que finalmente dão sentido a tudo o que veio antes."
Edward Fitzgerald sempre acreditou que estava preparado para situações de pressão.
Durante anos, negociou contratos que movimentavam bilhões. Tomou decisões capazes de alterar o destino de empresas inteiras. Enfrentou crises financeiras, disputas corporativas, entrevistas hostis e reuniões que duravam horas sem demonstrar qualquer sinal de nervosismo.
Mas nenhuma dessas experiências o preparou para a visão de Dayse entrando em trabalho de parto.
Absolutamente nenhuma.
— Edward.
— Sim.
— Você está andando em círculos.
— Eu sei.
— Pare.
— Não consigo.
Dayse fechou os olhos por um instante. Porque aquela era a terceira vez nos últimos cinco minutos que tinham exatamente a mesma conversa.
Ela estava sentada na cama do hospital enquanto uma contração passava lentamente, e Edward continuava caminhando de um lado para o outro do quarto com a expressão de um homem que claramente estava vivendo uma crise existencial.
— Amor.
— Sim?
— Quem está tendo o bebê?
— Você.
— Então por que parece que é você quem vai desmaiar?
Edward abriu a boca, fechou e pensou.
— Honestamente?
— Edward.
— Não tenho uma resposta que me favoreça.
Apesar do desconforto, Dayse acabou sorrindo.
Porque conhecia aquele homem.
Conhecia sua força, sua segurança, sua capacidade absurda de permanecer calmo sob pressão. E justamente por isso era impossível não se emocionar ao vê-lo tão vulnerável.
Porque aquilo não era medo por si mesmo.
Era amor.
Era o tipo de amor que fazia seu coração entrar em pânico diante da possibilidade de algo acontecer com as pessoas mais importantes da sua vida.
A porta do quarto se abriu pouco depois e a médica entrou acompanhada por uma enfermeira.
— Como estamos?
Dayse e Edward responderam ao mesmo tempo.
A médica piscou e a enfermeira tentou não rir.
Dayse suspirou.
— Eu estou bem.
— Ela está sentindo dor.
— Edward.
— O quê?
— Eu estou em trabalho de parto.
— Exatamente.
A médica finalmente sorriu.
— Senhor Fitzgerald, prometo que estamos cuidando dela.
Edward assentiu. Mas continuou parecendo um homem que precisava desesperadamente ouvir aquilo mais algumas cinquenta vezes.
****
As horas seguintes passaram de forma estranha.
Rápidas e intensas demais.
Edward permaneceu ao lado de Dayse durante cada segundo.
Segurou sua mão, beijou sua testa, ajudou-a a caminhar pelos corredores, a controlar a respiração e a atravessar cada contração enquanto permanecia ao seu lado sem se afastar um único instante.
E foi pela primeira vez desde que se conheceram que Dayse percebeu que Edward estava tão emocionalmente abalado quanto ela.
Talvez mais.
Porque em vários momentos ela o flagrou observando-a em silêncio com os olhos carregados de preocupação e de admiração.
De amor.
Como se ainda não conseguisse acreditar na força daquela mulher. Como se cada novo desafio apenas aumentasse o respeito que sentia por ela.


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