“Ele diz que foi estratégia…mas estratégia não deixa marcas.”
Existem decisões que um homem toma por estratégia, e existem aquelas que ele passa tempo demais tentando justificar.
Os executivos começaram a esvaziar a sala aos poucos. Deixando seus lugares em silêncio, como se ainda carregassem o peso da presença de Edward mesmo após o encerramento da reunião.
Adrian Keller saiu logo em seguida e seguiu até a sala do amigo, abrindo a porta da presidência com a naturalidade de quem não precisava se anunciar. Entrou sem pedir permissão e caminhou até Edward, como alguém acostumado a estar ao lado dele sem precisar de convite.
Ele era o seu secretário executivo, braço direito… e, acima de tudo, o único homem naquela empresa que se permitia falar com Edward sem medir cada palavra como se estivesse pisando em vidro.
Edward assinava uns documentos enquanto Adrian o encarava com uma expressão que misturava reprovação e uma curiosidade impossível de disfarçar. Quando a porta foi fechada, deixando os dois a sós, Adrian finalmente se pronunciou:
— Você tem plena consciência de que acabou de destruir o ego de um acionista milionário na frente de todo o conselho, certo?
Edward, sem qualquer sinal de arrependimento, se levantou pegando o paletó que havia deixado sobre a cadeira e respondeu com tranquilidade absoluta:
— Não fui eu… ele fez isso sozinho, eu apenas apontei.
Adrian soltou um suspiro longo, passando a mão pelo rosto como alguém que já conhecia aquele padrão e, ainda assim, insistia em tentar corrigi-lo.
— Sabe, existe uma coisa chamada diplomacia, algumas pessoas usam com bastante frequência.
Edward vestiu o paletó com movimentos calmos, ajustando as mangas com precisão antes de responder, em um tom quase distraído:
— E existe outra coisa chamada tempo, que eu prefiro não desperdiçar fingindo paciência.
Adrian inclinou a cabeça de lado, observando-o com um olhar mais atento.
— E como sempre, você escolhe o caos.
Edward deu de ombros, como se aquilo fosse apenas uma constatação óbvia.
— Funciona.
O silêncio que se seguiu entre os dois não foi desconfortável, mas analítico, como se Adrian estivesse reorganizando mentalmente algo que ainda não tinha se encaixado completamente.
— Falando nisso… — ele começou, estreitando levemente os olhos — como foi o jantar com seus avós?
Edward não respondeu de imediato.
E foi exatamente essa pausa que fez Adrian prestar ainda mais atenção.
Edward caminhou até a janela, olhando a cidade lá embaixo como se aquilo fosse apenas mais um detalhe irrelevante no dia.
— Foi produtivo.
Adrian soltou uma pequena risada sem humor.
— Produtivo é uma forma curiosa de descrever um noivado.
Ele então descruzou os braços por um instante, apenas para voltar a cruzá-los, agora com mais firmeza.
— Inclusive, já que estamos sendo diretos… — continuou, com o olhar fixo no amigo — eu vi um detalhe interessante no dedo da senhorita Whitmore.
Edward virou o rosto lentamente na direção dele, já com aquele sorriso sutil e perigoso começando a se formar.
— Imagino que tenha visto mesmo.
Adrian ergueu uma sobrancelha.
— Sim. Um lindo anel por sinal.
Edward sustentou o olhar, completamente à vontade.
— Como exatamente você esperava que ela estivesse noiva sem usar um?
Adrian não respondeu de imediato. Apenas encarou o amigo com mais atenção, cruzando os braços novamente enquanto analisava cada microexpressão, cada pausa, cada escolha de palavra.
— Logo o da sua mãe? — perguntou, por fim, em um tom mais baixo e carregado de significado.
O sorriso de Edward se aprofundou levemente, não por diversão, mas por reconhecimento. Ele havia entendido exatamente onde Adrian queria chegar.
— O que, exatamente, você está insinuando? — devolveu, com tranquilidade.
Adrian não desviou.

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