“Às vezes, não é o que dizem… é o quanto aquilo parece possível.”
Dayse Whitmore
Eu não deveria ter parado, mas foi exatamente no momento em que ouvi o nome dele sendo dito naquele tom baixo, carregado de curiosidade e veneno disfarçado de casualidade, que o meu corpo simplesmente decidiu por mim.
Na verdade, tudo dentro de mim sabia que o mais inteligente teria sido continuar andando, manter a postura firme, atravessar aquele corredor como se fosse apenas mais um dia comum dentro daquele lugar onde olhares julgavam mais do que palavras e onde palavras, quando finalmente surgiam, eram sempre mais afiadas do que qualquer silêncio.
Mas eu parei.
E, pior do que isso… eu escutei.
Porque, no instante exato em que o nome dele atravessou o espaço entre aquelas vozes baixas, carregadas de uma intimidade que não lhes pertencia, algo dentro de mim travou de uma forma tão súbita que foi como se o meu corpo tivesse entendido antes da minha própria mente que aquilo não era apenas uma conversa qualquer, era sobre mim.
— Parece que ela está noiva do presidente…
A frase veio acompanhada de um leve sussurro, quase como um segredo compartilhado com prazer, e o impacto foi imediato fazendo o meu coração falhar.
Não de forma dramática, não como em histórias bonitas, mas de um jeito estranho, irregular, como se tivesse perdido o ritmo por um segundo longo demais, obrigando meu corpo inteiro a reagir antes que eu pudesse fingir indiferença.
Meus passos, que até então eram firmes, desaceleraram de maneira involuntária até cessarem completamente, e eu permaneci ali, imóvel atrás da divisória, invisível aos olhos delas… mas, de alguma forma, completamente exposta.
— Do presidente? — a outra voz respondeu logo em seguida, carregando um riso desacreditado que escorregava fácil, leve, como se aquilo fosse absurdo demais para sequer ser levado a sério — fala sério, Brianna… um homem como aquele jamais perderia tempo com uma garota sem graça como Dayse.
Eu fechei os olhos devagar. Como se aquele pequeno gesto fosse suficiente para me proteger do que ainda estava por vir. Mas não foi.
— Ouvi dizer que ele tem um caso com a Dra. Liliana Hart…
E então veio o silêncio. Não um silêncio vazio. Mas aquele tipo específico de silêncio que carrega peso, julgamento e antecipação, como se ambas estivessem saboreando a própria informação antes de continuar.
— Nossa… sério? — a segunda voz voltou, agora com um interesse mais evidente, mais afiado — eu acho aquela mulher linda… além de elegante.
Cada palavra parecia ser cuidadosamente colocada no lugar certo, como peças de algo que eu ainda não queria montar.
— Pois é — a primeira continuou, com uma naturalidade que era cruel justamente por não tentar ser — você acha mesmo que quem tem uma mulher como aquela ao lado vai perder tempo com uma mestiça sem graça?

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