“O erro não é atacar… é subestimar quem sabe esperar.”
O embate estava longe de ter terminado, porque, na verdade, tinha acabado de começar, e dessa vez, não como um simples confronto, mas como o início de algo muito maior, mais pessoal e perigosamente inevitável.
E pela primeira vez, o controle tinha mudado de mãos.
— Agora, voltando a falar sobre esse contrato… — Dayse se levantou e pegou o contrato nas mãos e começou a analisá-lo. — Tem algo aqui bem interessante… — disse, inclinando levemente a cabeça, com os olhos fixos em Liliana — porque, se isso é incompetência…
Ela virou uma página, depois outra. Sem desviar o olhar por muito tempo.
— Então é curioso como esses mesmos documentos passaram por duas revisões anteriores… sem qualquer apontamento.
Liliana não respondeu. Mas sua fisionomia ficou ainda mais tensa.
Dayse ergueu o olhar novamente.
— Inclusive — continuou, com a voz estável — uma delas foi sua.
Aquilo não foi um ataque impulsivo, mas uma demonstração de controle e segurança, executada de forma silenciosa e incrivelmente eficiente, o que fez com que algumas pessoas ao redor trocassem olhares discretos enquanto outras prendiam a respiração, porque, naquele momento, já não se tratava mais de uma simples funcionária sendo confrontada, aquilo havia se transformado em um jogo.
E Dayse acabava de virar a mesa.
Liliana deu um passo à frente se aproximando ainda mais.
— Você acha que pode brincar comigo só porque conseguiu chamar a atenção do presidente? — murmurou, baixo o suficiente para que apenas Dayse escutasse — não se engane…
Os olhos dela desceram por um segundo.
— Eu sei exatamente o tipo de mulher que você é.
Dayse não recuou nem um centímetro. E, quando respondeu, não foi com raiva, foi com classe.
— Engraçado… — disse, com um leve sorriso que não chegava a ser gentil — porque eu também sei exatamente o tipo de mulher que você é.
O silêncio se instalou por completo, absoluto e opressivo, como se o próprio ambiente tivesse sido tomado por uma pausa densa demais para ser quebrada.
— A diferença… — completou, mantendo o olhar firme — é que eu não preciso provar isso em público.
Aquilo não foi apenas uma resposta, mas um golpe executado com uma precisão limpa, direta e impossível de ser revertida.
Liliana permaneceu imóvel por um breve segundo, mas suficiente para que a raiva, pura, contida e perigosamente latente, atravessasse sua expressão antes de desaparecer, e então se afastou com um controle quase imediato, ajustando o blazer com um gesto preciso enquanto recuperava a postura impecável que jamais permitia falhas visíveis.
— Tome cuidado, senhorita Whitmore — disse, agora mais fria — porque subir rápido demais… costuma ter uma queda proporcional.

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