“Algumas verdades não são ditas… são exibidas.”
O silêncio começou antes mesmo de Edward Fitzgerald falar.
Não foi imediato. Não foi brusco. Mas, pouco a pouco, como uma onda invisível atravessando o ambiente, as conversas diminuíram, os passos desaceleraram e os olhares começaram a se voltar na mesma direção, porque a presença dele não era algo que passava despercebido… nunca foi.
Edward caminhava pelo corredor com a mesma postura de sempre.
Impecável.
Controlado.
Intocável.
Mas, naquele momento, havia algo diferente. Algo que ninguém ainda sabia nomear, mas que todos sentiam.
Adrian vinha logo atrás, não prestava atenção nas pessoas ao redor, mas nas reações que surgiam ao longo do caminho, porque ele já conhecia aquele tipo de movimento e sabia, com uma precisão quase inquietante, exatamente o que estava prestes a acontecer.
A porta do departamento jurídico se abriu sem qualquer aviso, sem anúncio ou cerimônia, e, no instante exato em que o presidente atravessou o limite daquele espaço, o ambiente pareceu parar por completo.
Não foi uma pausa simbólica, nem uma impressão exagerada do momento, o ambiente realmente parou, como se alguém tivesse retirado o som do mundo de forma abrupta e deixado apenas o peso daquela presença ocupando cada centímetro do espaço.
E foi então que os olhares se voltaram.
Um a um. Lentos, quase hesitantes. Até que todos estavam encarando a mesma direção.
Alguns arregalaram os olhos de forma involuntária, pegos de surpresa pela figura imponente do CEO da empresa ali, dentro do departamento jurídico, enquanto outros apenas congelaram, como se não soubessem exatamente qual reação seria a mais segura diante daquela presença que, por si só, já carregava autoridade suficiente para silenciar qualquer ambiente.
Conversas morreram antes mesmo de serem concluídas. Movimentos foram interrompidos no meio. E, por um breve instante, que pareceu se estender além do normal, ninguém ousou sequer respirar alto demais.
Porque Edward Fitzgerald estava ali. E isso, por si só, já era suficiente para mudar tudo.
Dayse permanecia de pé ao lado da própria mesa, ainda segurando os papéis entre os dedos com uma firmeza que denunciava mais controle do que tensão, mantendo a postura impecável, alinhada, como se nada naquele ambiente tivesse o poder de desestabilizá-la.
Mas bastou os olhos dela cruzarem com os dele, que algo silencioso, rápido e perigosamente inevitável aconteceu.
Não foi visível para todos, mas foi sentido como uma corrente elétrica silenciosa, enquanto Edward manteve o olhar firme, sem desviar ou hesitar.
E, pela primeira vez desde que atravessou aquele ambiente, alterou sua trajetória de forma clara, direta e intencional, mudando de direção como quem já havia tomado uma decisão antes mesmo de chegar ali.
Ele caminhou diretamente até ela.
O som dos passos dele ecoava pelo ambiente de forma firme e ritmada, como uma contagem regressiva que ninguém ousava interromper, enquanto cada pessoa ali prendia a respiração ao perceber que Edward não estava apenas caminhando até ela, estava assumindo uma posição, marcando território e deixando claro, sem dizer uma palavra, quem estava no controle.
Clara foi a primeira a reagir, ou, pelo menos, a tentar mas Marina segurou o braço da amiga com firmeza, mas de forma discreta o suficiente para não chamar atenção além do necessário, inclinando-se levemente em sua direção.
— Fica quieta.
Mas Clara não estava quieta, não de verdade, porque, mesmo em silêncio, ele vibrava, como alguém que assistia a algo que parecia absurdo… mas que, ao mesmo tempo, fazia sentido demais.
Edward parou diante de Dayse. Perto demais para ser apenas formal, mas não a tocou ainda.
— Senhorita Whitmore — disse, com a voz baixa, firme e controlada, formal demais para o que estava prestes a fazer, mas carregada de uma intenção que não precisava ser anunciada — gostaria de alguns minutos da sua atenção.

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