“Segredos sobrevivem no silêncio… anúncios, não.”
Algumas verdades mudam tudo.
Outras… simplesmente detonam o ambiente inteiro em menos de três segundos.
O silêncio durou exatamente três segundos depois que Edward Fitzgerald saiu.
Três longos e sufocantes segundos em que ninguém se moveu, ninguém respirou, ninguém ousou sequer comentar o que tinha acabado de acontecer, como se o próprio ambiente ainda estivesse tentando processar o impacto daquela cena que, de forma irrefutável, acabava de alterar a dinâmica inteira daquele lugar.
E então explodiu.
— EU SABIA.
A voz de Clara não foi exatamente alta. Mas carregada de uma energia tão intensa, tão vibrante, que atravessou o ambiente como um choque elétrico, fazendo com que algumas cabeças se virassem imediatamente, atraídas não apenas pelo som, mas pela emoção contida ali.
Antes que aquilo virasse um escândalo completo, Marina reagiu com uma rapidez impressionante, esticando o braço e segurando Clara pelo antebraço com firmeza suficiente para conter qualquer tentativa de histeria mais pública.
— Fala baixo — ela sussurrou entre os dentes, olhando atentamente ao redor com um cuidado quase paranoico — ou você vai acabar sendo demitida antes de conseguir terminar a frase.
Clara virou o rosto lentamente na direção dela, como se estivesse tentando decidir se ignorava completamente aquele conselho ou se fingia que tinha algum tipo de autocontrole.
— Eu estou falando baixo — ela respondeu, indignada, mesmo que sua definição de “baixo” fosse completamente questionável.
Mas o problema não era mais o volume. Era porque todos sem exceção estavam olhando. E não eram olhares discretos, nem apenas curiosos e definitivamente não eram neutros.
Havia choque, julgamento, especulação. E, em alguns casos, admiração.
Dayse sentiu o rosto esquentar aos poucos, o calor subindo pelo pescoço até alcançar as bochechas, enquanto lutava para manter a postura firme, com os ombros alinhados, o queixo levemente erguido e a expressão neutra, mesmo sabendo que seu corpo estava denunciando mais do que ela gostaria.
Ela abaixou os olhos por um breve segundo, organizando os papéis sobre a mesa com uma atenção que não fazia sentido, apenas para ter algo para fazer com as mãos, porque permanecer parada, imóvel, sendo observada daquela forma, era muito mais difícil do que gostaria de admitir.
Os sorrisos começaram a surgir, pequenos, contidos e um pouco constrangidos, mas claramente intencionais.
— Eu… — Clara começou novamente, agora inclinando o corpo para frente, como se estivesse prestes a compartilhar um segredo extremamente importante — eu preciso entender se isso realmente aconteceu ou se eu estou tendo algum tipo de surto coletivo altamente específico.
— Você está tendo um surto — Marina respondeu imediatamente, sem sequer olhar para ela — mas isso realmente aconteceu.
Clara piscou duas vezes antes de virar o rosto na direção de Dayse, com os olhos arregalados, a boca levemente entreaberta e uma expressão clara de surpresa diante do que tinha acabado de acontecer.
— Você… — ela começou, apontando com um dedo acusador — eu já sabia que você estava noiva, mas não me avisou que o chefe gostoso, poderoso e absurdamente arrogante ia fazer questão de anunciar isso pra empresa inteira como se estivesse marcando território?
Dayse levantou o olhar devagar, tentando sustentar a calma, embora já estivesse claro que seu controle não era tão sólido quanto ela queria demonstrar.
— Não foi bem assim…
— NÃO FOI BEM ASSIM? — Clara repetiu, levando a mão ao peito, visivelmente ofendida, como se aquilo fosse pessoal — Ele acabou de anunciar para a empresa inteira como se estivesse marcando território no meio do departamento jurídico!
Marina fechou os olhos por um segundo, inspirando fundo como se estivesse reunindo paciência antes de intervir.
— Clara…
— O quê? Eu estou sendo realista! — ela rebateu, indignada, antes de voltar a encarar Dayse com intensidade redobrada — Você tem noção do que ele acabou de fazer? Ele não só confirmou… ele fez questão de deixar claro pra todo mundo!
Dayse abriu a boca para responder. Mas fechou logo em seguida. Porque não havia uma resposta simples. E qualquer explicação, naquele momento, só tornaria tudo ainda mais complicado. Ela passou a mão pelos cabelos, respirando fundo, sentindo ainda o eco da presença dele na pele, no espaço, na memória.
Principalmente na memória.
— Eu preciso sair um momento — disse, por fim, com a voz controlada, mas ligeiramente mais baixa do que o normal.
Clara congelou por um instante, estreitando os olhos e inclinando levemente a cabeça, enquanto tentava juntar as peças e começava a entender exatamente o que estava acontecendo.
— Hm…
Dayse evitou o olhar dela, pegando a bolsa com mais cuidado do que o necessário, organizando papéis que já estavam organizados.
— Só… vou resolver uma coisa.
— Resolver uma coisa… — Clara repetiu lentamente, e dessa vez o sorriso que surgiu não foi inocente… foi perigoso, malicioso e absolutamente revelador.
Dayse sentiu o rosto esquentar novamente, e isso foi o suficiente para Clara arregalar os olhos e levantar as mãos, claramente indignada, escandalizada e ao mesmo tempo completamente entretida.
Ela se inclinou para frente, aproximando o rosto do de Dayse enquanto baixava a voz, como se estivesse prestes a dizer algo que não deveria ser ouvido por mais ninguém.
— Ah, sua safada…
Dayse fechou os olhos por um segundo.
— Clara…
— Você vai na sala do seu noivo — Clara continuou, agora quase sem conseguir conter o sorriso — para uma conversa mais reservada?
— Não fala assim — Dayse murmurou, tentando manter algum tipo de dignidade intacta.
— Eu estou sendo delicada! — Clara rebateu imediatamente — porque se eu fosse sincera, eu diria que você está indo direto para um território perigosamente inadequado em horário comercial.
Marina soltou um suspiro longo, cansado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe