“O perigo não é o desejo… é quando ele encontra oportunidade.”
Dayse Whitmore
Eu não queria ir até lá. Mas fui.
Porque, depois de ouvir a voz dele tão perto, baixa e firme, sussurrando no meu ouvido “na minha sala, daqui a trinta minutos, senhorita Whitmore”, não havia espaço real para recusas educadas ou desculpas profissionais, já que aquilo não havia sido um convite, era uma ordem disfarçada de formalidade.
O problema, no entanto, nunca foi a reunião, o contrato ou qualquer assunto que pudesse ser resolvido com distância e objetividade.
O problema era ele.
Eu bati na porta uma vez, respirei fundo e entrei.
Edward estava de pé, próximo à grande mesa de mogno, com aquele ar de controle absoluto que parecia costurado em seu terno impecável. Por um segundo, um segundo que eu odiei admitir, meu olhar deslizou por ele mais devagar do que deveria, analisando os ombros largos, a postura ereta, a mandíbula marcada, os olhos que pareciam ver através de qualquer máscara que eu tentasse usar.
Eu sabia que isso era um erro. Mas já era tarde demais.
— Senta — ordenou, direto, sem rodeios, apontando a cadeira à frente da mesa com um gesto leve da mão.
Eu obedeci, cruzando as pernas com cuidado, tentando manter a postura profissional enquanto meu coração já começava a bater fora do ritmo.
Ele apoiou as mãos na borda da mesa e se inclinou levemente para frente, reduzindo a distância entre nós de forma tão calculada que ficou impossível fingir que era apenas uma conversa profissional.
— Meus avós estão organizando um jantar — disse, mantendo os olhos fixos nos meus, como se estivesse avaliando cada mínima reação minha — algo formal, restrito à família e a alguns nomes estratégicos.
Eu mantive a postura, os ombros alinhados e o queixo levemente erguido, mas ainda assim senti o peso da atenção dele sobre mim, intenso demais para ser ignorado.
— Para anunciar oficialmente o noivado — ele continuou, com a mesma calma controlada, como se estivesse falando de um compromisso qualquer, embora o tom deixasse claro que aquilo estava longe de ser apenas mais um evento na agenda.
Sua voz era firme, objetiva, quase impessoal. Mas havia uma camada mais baixa, mais rouca, como se as palavras carregassem um subtexto que só nós dois podíamos entender.
Meu estômago se apertou.
Não pela informação em si, mas pela forma como ele a pronunciava, como se aquele noivado fosse algo real, algo concreto, algo que ia além do acordo de conveniência que tínhamos assinado.
— Entendi — respondi, mantendo o tom neutro, mesmo que por dentro tudo estivesse longe de estar calmo.
Ficamos em silêncio por uns segundos e quando levantei o olhar, ele já não estava mais me observando como um executivo observa uma funcionária. Estava me olhando como um homem olha para uma mulher que invadiu seus sonhos na noite anterior.
Ele se moveu devagar, sem qualquer pressa, como sempre fazia quando queria dominar completamente o espaço ao seu redor, até parar perto o suficiente para que eu sentisse o calor do corpo dele antes mesmo de qualquer toque.
Perto o suficiente para que o perfume amadeirado e caro invadisse meus sentidos e me fizesse lembrar, contra a minha vontade, da forma como ele me tomava no sonho, intenso demais, sem espaço para fuga… ou controle.
— Você está diferente hoje, Dayse… — murmurou com a voz baixa, grave, quase um ronronar. — Parece nervosa, ansiosa…
Meu coração acelerou violentamente.

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