“Moral é confortável… até o momento em que o desejo decide que não precisa dela.”
A porta não apenas se fechou atrás de Dayse, ela bateu como um aviso.
Porque tudo o que acontecia ali dentro, naquele exato momento ultrapassava qualquer linha invisível que ainda fingia existir entre controle e caos.
E Edward Alexander Fitzgerald nunca foi um homem que respeitava os limites que não tivesse criado.
O impacto da porta se batendo, reverberou pela sala da presidência como um eco incômodo, não apenas um som, mas um lembrete vivo do caos que acabava de acontecer ali dentro.
O silêncio que surgiu no local foi pesado e constrangedor.
Adrian permaneceu parado exatamente onde estava, como se o corpo tivesse esquecido como reagir. As costas rígidas, os ombros tensos, o rosto absurdamente vermelho, enquanto as mãos pairavam no ar por um segundo a mais do que o necessário, como se ainda tentasse, inutilmente, apagar da própria mente a cena que tinha acabado de testemunhar.
Ele piscou devagar, respirou fundo, mas não adiantou.
A imagem continuava lá.
Edward, por outro lado, parecia perfeitamente confortável.
Sentado no chão, com uma perna esticada de maneira quase relaxada para alguém que havia acabado de cair, ele ergueu lentamente uma sobrancelha, enquanto observava o amigo como quem assiste a um espetáculo particularmente divertido.
E então sorriu.
O sorriso arrogante, satisfeito e divertido que fazia parte de sua natureza.
Com calma, se levantou, ajeitando o terno com uma precisão impecável, como se cair no chão fosse apenas mais um detalhe irrelevante dentro da sua rotina, algo indigno até mesmo de nota.
— Relaxa, cara… — a voz saiu baixa, arrastada e carregada de ironia. — Não precisa fazer essa cara de quem acabou de testemunhar o fim da civilização.
Adrian se virou lentamente, ainda evitando encará-lo de frente. Hesitou por um instante antes de falar, claramente tentando recuperar o mínimo de compostura.
— Edward… — a voz saiu mais baixa do que o normal, quase como um suspiro. — Você tem… alguma noção do que estava fazendo?
Edward inclinou levemente a cabeça, como se estivesse genuinamente curioso com a pergunta.
— Tenho. — respondeu, simples. — Muita noção por sinal.
Adrian fechou os olhos por um segundo, passando a mão pelo rosto.
— Não, você não tem. — insistiu, agora mais firme. — Isso não está certo. Dayse trabalha aqui. Você é o chefe dela. E além disso… — ele hesitou, visivelmente desconfortável — vocês estavam… ultrapassando qualquer limite minimamente aceitável dentro de um ambiente profissional.
Edward soltou uma risada baixa, lenta e quase preguiçosa.
Encostou-se na borda da mesa, cruzou os braços e encarou Adrian com um leve desdém, como se a diferença entre eles não estivesse na altura… mas no fato de que apenas um ali sabia exatamente o que estava fazendo
— Ah… — murmurou, como se estivesse saboreando cada palavra — então agora você virou meu conselheiro moral?
Ele inclinou o corpo um pouco para frente, mantendo os olhos fixos no amigo.
— Que evolução interessante, Adrian.
Adrian respirou fundo, já perdendo a paciência.
— Não é sobre moral, é sobre bom senso!
Edward arqueou as sobrancelhas, divertido.
— Bom senso? — repetiu, como se a palavra fosse exótica. — Engraçado… eu não lembro de ter contratado você para isso.
E então, sem mudar o tom, completou:
— Eu sou o presidente dessa empresa. Essa sala é minha. Essa mesa é minha. — ele bateu levemente com os dedos na madeira, pontuando cada palavra — E, tecnicamente, a Dayse é a minha noiva.
O olhar dele escureceu por um instante.
— Então se eu quiser beijar, provocar ou encostar nela aqui dentro… eu faço.
Adrian abriu a boca, mas Edward levantou a mão, interrompendo.
— E antes que você comece com mais um discurso bonito… — ele inclinou a cabeça, com um sorriso torto — não aconteceu nada demais.
Silêncio.
Adrian soltou o ar devagar, claramente tentando não perder a calma.
— Pelo menos tranca a porta da próxima vez. — disse, mais baixo. — Ainda bem que fui eu… imagina se fosse seu avô?
Edward soltou uma risada mais aberta dessa vez.
— Ele provavelmente ficaria orgulhoso. — respondeu, sem hesitar. — Afinal, ele quer um bisneto, não quer?
Adrian fechou os olhos com força.
— Você é impossível.
— Eu sei. — Edward respondeu com satisfação.
E então… veio o golpe.
Edward descruzou os braços, caminhando lentamente em volta do amigo, como um predador analisando sua presa, não com agressividade, mas com diversão.
— Mas me diz uma coisa… — começou, casual demais para ser inocente — já que você está tão preocupado com moral, ética e comportamento adequado…
Adrian franziu a testa.
— O que foi agora?
Edward parou ao lado dele bem próximo com um sorriso afiado.

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