“Algumas mulheres não vão embora quando deixam de amar… vão embora quando percebem que mereciam muito mais do que você foi capaz de oferecer.”
Peter Frampton
Quando a porta bateu atrás de mim, o som não marcou o fim da noite, marcou o momento exato em que ficou impossível ignorar que o lugar que um dia foi meu agora pertencia a outro homem, e, pior, que fui eu quem abriu espaço para isso.
Eu não bati a porta com força por falta de controle.
Bati porque precisava ouvir algum tipo de impacto que fosse proporcional ao que ainda estava acontecendo dentro da minha cabeça, como se aquele som seco, violento e espalhado pelas paredes do apartamento fosse capaz de interromper, nem que fosse por um segundo, a repetição irritante daquela cena que se recusava a me deixar em paz.
Mas não foi.
Porque, mesmo no silêncio que veio depois, ela continuava ali.
A imagem de Dayse nos braços dele. A mulher que por dois anos foi minha e me entregou tudo.
Eu passei a mão pelo rosto com força, pressionando os olhos por um instante, como se aquilo pudesse reorganizar alguma coisa dentro da minha cabeça, mas tudo o que consegui foi piorar a sensação de irritação que já vinha crescendo desde o momento em que aquele maldito nome foi jogado na minha cara.
Edward Fitzgerald.
O nome ecoou na minha cabeça com um peso que não vinha apenas do que ele era, mas do que representava. O herdeiro de um império bilionário construído para nunca falhar, o tipo de homem que cresceu cercado por poder suficiente para nunca precisar pedir nada, arrogante, egocêntrico, dono de si em um nível que não deixava espaço para dúvida, porque tudo nele carregava a certeza irritante de que o mundo sempre se ajustaria à sua vontade.
Ele não era só um homem, nem alguém melhor posicionado.
Era o tipo de cara que não entrava em disputa, porque não precisava.
Ele não competia.
Não negociava.
Não esperava.
Ele simplesmente chegava… e tomava.
E o pior não era isso.
O pior era saber que, no momento em que ele decidiu olhar para ela, tudo o que eu tinha deixado escapar se tornou, de repente, algo que ele podia ter, não porque conquistou, mas porque era exatamente o tipo de coisa que homens como ele estavam acostumados a possuir.
E, pela primeira vez, isso não parecia exagero, parecia realidade.
Soltei uma risada curta, amarga, e começei a caminhar pela sala sem realmente prestar atenção no caminho, como se o corpo estivesse se movendo sozinho enquanto a mente continuava presa naquela cena específica, naquele maldito instante em que ficou claro, de forma inegável, que aquilo já não tinha mais nada a ver comigo.
— Noiva… — murmurei, sentindo o gosto da palavra como algo errado na boca, algo que não deveria existir daquela forma.
Noiva do CEO mais arrogante, mais frio e mais intocável daquele maldito país. Claro que tinha que ser alguém assim, porque não bastava ela seguir em frente, ela precisava subir, precisava escolher exatamente o tipo de homem que me colocasse, sem esforço algum, no único lugar onde eu realmente estava agora: abaixo, descartável, insuficiente.
Meu maxilar travou com mais força, e eu passei a mão pelo cabelo em um gesto brusco, tentando afastar o pensamento antes que ele se tornasse ainda mais irritante.
Mas não afastou. Porque o que mais incomodava… não era ele.
Era a forma como ela parecia diferente.
Mais segura, ousada, bonita e agora… inacessível.

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